O volume do esgoto chega a atingir, além da própria areia, o mar. A situação pode causar doenças aos banhistas que se arriscam a entrar na água.
Um problema que acontece principalmente quando chove na capital e deixa mais feia e desagradável uma praia que fica entre o Morro do Cristo e o Farol da Barra, um dos mais importantes pontos turísticos de Salvador. Na última terça-feira de Carnaval, quando houve precipitações na cidade, foi possível ver uma água escura e de mau cheiro saindo de uma galeria, já perto da areia. Pessoas registraram o fenômeno em vídeos que foram parar na internet.
A quantidade é tão grande que o volume chega a atingir, além da própria areia, o mar. A situação, além causar doenças aos banhistas que porventura venham a se arriscar a entrar na água, pode trazer prejuízos aos comerciantes da região, por conta de uma eventual diminuição do fluxo de pessoas no local. De acordo com especialistas, a recomendação é a de se evitar a região, justamente por conta dos riscos.
Contudo, a questão não é recente. Em outros anos, situações como essa já aconteceram e, até agora, não foi resolvido. No dia 18 de dezembro de 2016, às vésperas do verão daquele ano, banhistas que passavam pela mesma região compartilharam, nas redes sociais, um vídeo mostrando água suja sendo despejada na Praia do Farol. Problema semelhante também foi percebido no ano de 2014. Já em janeiro deste ano, o que chamou a atenção foi uma faixa de areia escura que surgiu no mesmo trecho.
Água que jorrou não tinha esgoto, aponta Prefeitura
Diante deste contexto, a reportagem da Tribuna da Bahia procurou a Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) e a Prefeitura de Salvador para saber quem seria o responsável pela rede em questão e o que poderia ser feito para evitar que esse problema volte a acontecer novamente.
Através de comunicado, a Secretaria de Comunicação da Prefeitura (Secom) informou que as secretarias municipais de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur) e de Manutenção (Seman) enviaram técnicos, na última quarta-feira, para averiguar que tipo de material escorreu na praia do Farol da Barra pela rede pluvial da Prefeitura. Na ocasião, ficou constatado que, ao contrário do divulgado nas redes sociais e de episódios anteriores, não foi detectado esgoto, mas sim sujeira “carregada” pela água da chuva.
“Se fosse novamente constatado que se tratava de esgoto, e não apenas de água da chuva, a Embasa seria mais uma vez acionada pelo município, via Sedur. A Prefeitura esclarece ainda que o fato não tem relação com o despejo de material de trio elétrico, que foi feito ao longo de todo o Carnaval neste e em outros pontos do circuito, sem o registro de incidentes e de forma autorizada. Até porque nenhum trio despeja a quantidade volumosa de material que aparece no vídeo que circula pela internet”, explicou a Secom.
Por último, o órgão frisou que costuma ocorrer neste ponto o uso indevido da rede de drenagem para lançamento de esgotos domésticos. “Quando chove na bacia da Barra, costuma ocorrer que o desvio dos esgotos domiciliares na rede de drenagem não suporta as vazões maiores decorrentes da intensidades pluviométrica. Daí as águas pluviais se misturam com esgoto e vão para o mar ou para os canais (rios). Mas isso não aconteceu ontem [na quarta]”, esclareceu a Secretaria.
Já por nota, a Embasa informou que o líquido escuro e mal cheiroso trata-se de água de chuva saindo pelo escoamento da rede de drenagem pluvial. “A água de chuva tem essa coloração por conta da sujeira das ruas e da fuligem de asfalto que ela carrega ao fluir para o ponto mais baixo da bacia de drenagem que é a praia. A rede coletora de esgoto é separada da rede de drenagem de chuva. A Embasa não é responsável por este equipamento, nem pela limpeza urbana”. Questionada se havia alguma ligação clandestina ou regular de rede de esgoto à rede pluvial da região, a assessoria de comunicação da empresa negou.
Como base, o órgão estadual cita um vídeo que está circulando pela internet em que, além de estar jorrando água em direção a areia e ao mar da areia da Barra, durante as chuvas que caíram na manhã da última terça-feira de Carnaval, mostra uma pessoa despejando o esgoto do caminhão de um trio na própria rede de esgoto da empresa. No registro, conforme a Embasa, “Um técnico está retirando os resíduos sólidos do cesto instalado no poço de visita desta rede para evitar entupimento”, salienta a nota.

