Ao fim desta década, a economia brasileira deve colher mais um resultado decepcionante: dos 191 países monitorados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), 90% vão registrar um crescimento médio melhor do que o do Brasil entre 2011 e 2020. Os números integram um estudo do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), conduzido por Marcel Balassiano. Se confirmado, o resultado será o pior desde os anos 1980, quando os dados começaram a ser compilados pelo FMI.
As projeções do FMI indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) do país teve ter um crescimento médio de apenas 0,9% nesta década – será o pior resultado em 120 anos. Como comparação, o número é bastante modesto em relação ao avanço previsto para os emergentes (4,9%) e para as nações da América Latina e do Caribe (1,7%). Em números absolutos, nesta década o Brasil só vai ter um crescimento médio melhor do que o de 18 países. Entre eles, está a Argentina. Em recessão e contando com a ajuda do FMI, o país vizinho deve ter crescimento médio de 0,6%.
Pelo levantamento, Portugal, Itália e Grécia também deverão ter resultados piores do que o da economia brasileira – os países europeu enfrentaram um início de década bastante complicado. No fim do ranking de pior desempenho da década, estão Líbia e Venezuela. Na década passada, entre 2001 e 2010, quando o país colheu o melhor resultado nesse tipo de comparação, 56% das economias tiveram um desempenho superior ao do Brasil. No período, a economia brasileira cresceu 3,7%, um desempenho mais próximo ao observado nos países emergentes (6,2%) e acima do apurado entre os vizinhos latino-americanos (3,2%).
Veja a lista dos países com crescimentos piores do que o do Brasil:
- Micronésia (0,7%)
- Argentina (0,6%)
- Portugal (0,5%)
- Ucrânia (0,2%)
- Barbados (0,2%)
- Irã (0,2%)
- Itália (0,2%)
- Dominica (-0,1%)
- Trinidade e Tobago (-0,5%)
- San Marino (-0,9%)
- República Centro-Africana (-1%)
- Porto Rico (-1,1%)
- Grécia (-1,2%)
- Sudão (-1,4%)
- Guiné Equatorial (-2,7%)
- Iêmen (-3,6%)
- Venezuela (-9,0%)
- Líbia (-9,6%)

