terça-feira, 28 abril, 2026

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Por medo da covid metade dos pais deixam de vacinar seus filhos contra a meningite

As medidas de isolamento social e a preocupação de contágio pelo novo coronavírus fizeram com que metade dos pais deixassem de vacinar seus filhos contra a meningite meningocócica durante a pandemia. É o que diz um recente levantamento da Ipsos, uma das maiores empresas mundiais de pesquisa, que entrevistou 4.962 pais e responsáveis legais em oito países, incluindo o Brasil.

63% dos participantes apontaram que as ações restritivas da pandemia foram o principal motivo que os levaram a adiar a imunização, enquanto 33% relataram ter receio de contrair Covid-19. Outros 20% afirmaram que não compareceram à data prevista para a vacinação, pois precisaram cuidar de familiares infectados, ou até de si mesmos.

“O que a gente menos quer, neste momento de colapso da saúde, é que tenhamos surtos ou epidemias de doenças que poderiam ser evitadas com a vacinação”, alerta Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

No Brasil, as vacinas meningocócicas protegem contra os cinco principais sorogrupos da bactéria: A, B, C, W e Y. Embora o imunizante contra o tipo B esteja disponível apenas na rede privada, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a vacina meningocócica C, com duas doses aos 3 e 5 meses de idade, e um reforço após um ano. Desde outubro de 2020, a vacina quadrivalente ACWY também integra o calendário nacional de vacinação, para as crianças de 11 e 12 anos. “Por isso, mesmo com as medidas de isolamento social, é fundamental manter a caderneta de vacinação das crianças atualizada”.

Moreira também aponta que, ao deixar de imunizar os pequenos contra a meningite, eles ficam expostos a uma doença contra a qual eles já deveriam estar protegidos, e que se manifesta de forma muito mais preocupante que a Covid-19 nessa faixa etária. “A meningite pode ser fatal, ou então deixar sequelas graves. Ela se apresenta subitamente e tem uma evolução muito rápida”, explica. “De manhã, a criança está bem; de noite, precisa ir ao pronto-socorro para ser internada”. Segundo o médico do Albert Einstein, o quadro típico da meningite bacteriana é caracterizado por febre alta, vômitos e dor de cabeça.

Entre os pais e responsáveis brasileiros, 76% pretendem atualizar o calendário vacinal dos filhos assim que as restrições forem suspensas.

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