As três mães e amigas Juliana, Karina e Fernanda resolveram abrir uma sociedade e criaram uma loja virtual de roupa infantil.
Se empreender é visto como um passo para conquistar a independência financeira, para muitas mães é, também, encontrar propósito profissional e mais flexibilidade para estar com a família. Mas em um cenário de desequilíbrio das funções de casa entre mulheres e homens, ser uma empreendedora mãe não é exatamente simples. Então neste Dia das Mães, olhamos para quais são as motivações e os desafios que elas enfrentam.
“Os ambientes corporativos ainda não são acolhedores para as mulheres, então elas são empurradas ao empreendedorismo, especialmente as mães com filhos pequenos”, contextualiza Ana Fontes, fundadora do IRME. Ela explica o porquê da busca por flexibilidade ser um destaque entre as motivações das mães.
A pesquisa do IRME mostra esse desequilíbrio na própria razão de empreender. Para as mulheres, o maior objetivo é a flexibilidade e ter tempo para a família. Já para os homens, os principais motivos elencados são o de ter uma renda extra e desse trabalho ser uma vocação natural.
As motivações
“Mas elas buscam fazer alguma coisa que esteja ligada ao propósito delas, ao que elas acreditam. Então o empreendedorismo é um caminho para a flexibilidade, mas também para se manterem ativas e construírem alguma coisa que faça sentido”, indica Ana.
“Nós somos três mães e pensávamos em fazer algo para crianças. Aqui em Salvador a gente acha roupas ou muito estampadas, ou parecendo mini adultos, ou entupidas de babado, são roupas com muita dificuldade de vestir e de tirar. A gente quis buscar roupas que fossem confortáveis e que a criança pudesse brincar, sentar no chão e ter uma mobilidade adequada”, comenta Juliana. Ela explica que empreender já como mãe facilitou na hora de entender qual seria o foco do negócio.
Mas a sócia também percebe as dificuldades de ser mãe e dona de uma empresa própria: “Eu agreguei mais uma função e as mães além de terem que trabalhar e pensar em todas as responsabilidades do dia a dia, elas têm que organizar a rotina dos filhos. Isso porque muitas vezes os pais jogam essa função para as mães, do que o filho vai comer, do que vai vestir, o que vai fazer”, diz a Juliana.
“Apesar deles estarem preocupados, não é o mesmo grau de envolvimento nessa questão de implementar a rotina. A mãe vive aquilo com muito mais obrigação do que o marido. Então é complicado conciliar o tempo de ser mãe, estar presente para os filhos, trabalhar, empreender e ter que dar conta de tudo”, afirma a empresária.
Sair da CLT
Carina Guedes é farmacêutica e está se planejando para migrar da CLT para o negócio próprio. Ela conta que essa vontade de empreender surgiu após o nascimento de sua filha, Catarina, quando começou a sentir necessidade de estar mais próxima dela. “O tempo que eu tenho para ficar com ela é muito pouco comparado ao que ela queria e ao que eu gostaria também, e aí surgiu essa ideia de começar a empreender”, explica.
“Comecei a usar o Instagram para divulgar o meu trabalho de atendimento e comecei a ensinar outros profissionais a fazer indicação farmacêutica, acompanhamento e atendimentos. Pretendo abrir no final deste ano a minha farmácia e um consultório farmacêutico dentro”, conta Carina.
Para Carina, ter em mente os próprios propósitos é fundamental para continuar motivada: “Sempre gostei de ter autonomia financeira, isso me ajudou e eu sou uma pessoa que gosta muito de me dedicar ao trabalho. É importante lembrar que nossos filhos também têm outras atividades, como a escola, então é conciliar os horários para quando estivermos juntos ser um momento só nosso”.
Com o objetivo de ajudar essas mulheres, a psicóloga organizacional de trabalho, Luana Lídio, criou a Escola de Empreendedorismo Digital para Mães. “Em 2020 eu criei a escola porque foi no pico da pandemia, quando as mães começaram a perder emprego em grande massa e sem ter uma recolocação no mercado de trabalho, sendo demitidas após a maternidade. E aí ampliamos o foco para ensinar essas mães a empreenderem e criarem negócios digitais para que pudessem viver disso”, comenta.
Dentre os pontos de atenção que ela destaca estão o de traçar um planejamento de trabalho, além de uma estratégia de gestão de tempo “para administrar a maternidade e a empresa. Contar também com o apoio da família é muito importante, principalmente o emocional. Precisa mostrar que seu negócio é sério, não é um bico ou um freelancer, tem que ver como uma empresa”, orienta Luana.
A fundadora do IRME, Ana Fontes, destaca também a importância dessas mães entrarem no mercado de trabalho sendo donas de suas próprias empresas: “Quando elas empreendem, elas investem os recursos do negócio em melhorar as condições de educação dos filhos, melhorar o bem-estar da família, melhorar as condições do entorno”, conta.
Dados do IRME apontaram que o negócio é a principal renda familiar para 38% das mulheres. Além disso, quando as mães empreendem, a fundadora do instituto sinaliza que há mudanças importantes no próprio mercado: “Quando elas têm funcionários e colaboradores, elas contratam outras mulheres, criando um círculo de prosperidade”, conta Ana.
*Sob supervisão da editora Cassandra Barteló

