Os diversos estudantes quilombolas que precisavam se deslocar ainda de madrugada da Ilha de Maré para as Universidade Federal da Bahia (Ufba) e da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), comemoraram a inauguração da segunda Casa do Estudante Quilombola do Canela, que foi entregue nesta terça-feira (18).
O prefeito de Salvador, Bruno Reis, ressaltou a importância da casa para os estudantes que estão buscando um futuro melhor. Para o gestor, a inauguração da segunda casa, que tem capacidade de acolher 40 universitários, é essencial para que “esses estudantes possam, através do estudo, ter condições de realizarem os seus sonhos”.
A estudante Haiala Carvalho, de 25 anos, foi uma das primeiras jovens que conseguiu entrar para a primeira casa, inaugurada em 2018, no bairro de Brotas, que hoje abriga 25 estudantes. A futura enfermeira, que está no 8º semestre, ainda reside no imóvel. Para ela, foi uma luta poder conseguir esse reconhecimento, já que saía da Ilha de Maré às 3h e só conseguia chegar na Uneb por volta das 7h40.
“Eu morei um tempo de aluguel em Periperi com minha irmã e gastava muito tempo. Essa casa deu uma oportunidade para que outros estudantes possam vir. Não é para desistir, porque os outros já estavam lá [na Ilha] e precisavam da nossa perseverança. A conquista da primeira casa deu abertura para que a luta continuasse, para que outros estudantes viessem após o nosso ingresso. Isso que importa”, comemora.
Haiala virou motivo de orgulho para outros estudantes que residem na Ilha de Maré, como William Morais, 21, que faz administração também na Uneb. Ele ressaltou a importância da casa para os jovens que estão prestes a entrar nas universidades. “Nós temos dois polos quilombola na Ilha, é uma porta que está aberta. A galera que já está fazendo o ensino médio, a partir do primeiro ano e já está frequentando o curso. Vão testando, vão fazendo Enem, vão fazendo vestibulares para UNEB e, quem sabe, quando passar, já tem um lugar para ficar em Salvador”.
A casa tem capacidade para abrigar até 40 alunos. A estrutura é composta por dois pavimentos, cinco quartos, quatro suítes, seis banheiros, área de serviço, cozinha ampla, salas de TV e de estudos, garagem e depósito.
O espaço terá investimento anual de aproximadamente R$200 mil para manutenção. Para ter acesso à casa, o jovem precisa comprovar, através de certificado, que é um quilombola, nascido e residente nesse território, além de estar matriculando e cursando o ensino superior em Salvador.

