sexta-feira, 8 maio, 2026

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Anvisa relaciona suspensão de produtos da Ypê a caso de contaminação em 2025

Da Redação

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu a fabricação e determinou o recolhimento de produtos da Ypê após identificar falhas sanitárias durante inspeção realizada na unidade da Química Amparo, no interior de São Paulo. Segundo a agência, a medida foi motivada por um “histórico de contaminação microbiológica” registrado na empresa em novembro de 2025.

A informação foi confirmada ao  site g1 nesta última quinta-feira (7). A decisão abrange todos os lotes com numeração final 1 de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes fabricados na planta industrial localizada em Amparo (SP).

Em novembro do ano passado, a fabricante já havia realizado um recolhimento voluntário cautelar de lotes específicos de lava-roupas líquidos após identificar a bactéria Pseudomonas aeruginosa nos produtos.

“A inspeção recente foi realizada justamente em razão do histórico de contaminação microbiológica e de novos elementos que indicavam necessidade de reavaliar as condições de fabricação”, afirmou a Anvisa.

A fiscalização mais recente ocorreu entre os dias 27 e 30 de abril de 2026, em ação conjunta com o Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo (CVS-SP), o Grupo de Vigilância Sanitária de Campinas e a Vigilância Sanitária municipal de Amparo.

Segundo a agência, os fiscais concentraram a análise principalmente nas linhas de produtos líquidos, incluindo lava-louças, lava-roupas e desinfetantes produzidos na unidade.

Durante a inspeção, a Anvisa identificou descumprimentos relevantes das chamadas Boas Práticas de Fabricação (BPF), com fragilidades em sistemas de garantia da qualidade, controle de qualidade, limpeza, sanitização, validação e controle microbiológico.

De acordo com a agência, esses pontos estão diretamente relacionados à prevenção de desvios microbiológicos, ou seja, falhas que permitem a contaminação dos produtos por microrganismos.

As Boas Práticas de Fabricação são normas técnicas obrigatórias que garantem a segurança, qualidade e eficácia de produtos como medicamentos, alimentos, cosméticos e saneantes, atuando preventivamente para evitar riscos à saúde do consumidor.

Apesar da relação técnica entre os episódios, a Anvisa esclareceu que a decisão atual foi baseada nos achados da inspeção realizada em abril deste ano, e não diretamente no caso registrado em novembro de 2025.

A agência informou ainda que identificou risco sanitário associado à possibilidade de contaminação microbiológica nos produtos atingidos pela medida. Por isso, o recolhimento, a suspensão da fabricação, da comercialização, da distribuição e do uso foram classificados como preventivos e proporcionais.

Após o episódio de novembro, a Anvisa acompanhou o recolhimento voluntário realizado pela empresa e manteve o caso sob monitoramento sanitário para verificar se as medidas corretivas adotadas estavam sendo efetivas.

O que diz a Ypê

Em nota divulgada na última quinta-feira, a Ypê afirmou ter recebido a decisão com “indignação”, classificando a medida como “arbitrária e desproporcional”. A empresa informou ainda que irá recorrer.

“A Ypê esclarece que possui fundamentação científica robusta, baseada em testes e laudos técnicos independentes, atestando que seus produtos das categorias lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquido, e desinfetante são seguros e não representam qualquer risco ao consumidor”, informou a fabricante.

A empresa também descartou problemas atuais relacionados à bactéria encontrada em novembro.

Entenda a bactéria identificada

A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria comum no ambiente e pode ser encontrada no ar, na água, no solo e até na pele de pessoas saudáveis.

Segundo a literatura médica, trata-se de uma bactéria oportunista, que raramente provoca infecções em pessoas saudáveis, mas pode causar complicações em indivíduos imunossuprimidos ou com o sistema imunológico comprometido.

Entre os grupos de maior risco estão pacientes em tratamento contra câncer, transplantados, pessoas com HIV/aids sem controle adequado, além de pacientes que utilizam imunossupressores ou corticoides por longos períodos.

No comunicado divulgado em novembro, a Ypê afirmou que o uso normal dos produtos diluídos na água reduz drasticamente qualquer carga bacteriana e destacou que não há registros de infecções causadas por roupas lavadas com detergentes domésticos contaminados.

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