Da Redação
Mais de 40% da água tratada distribuída na Bahia foi desperdiçada antes de chegar aos consumidores em 2024. O índice de perdas no estado alcançou 41,14%, ficando acima da média nacional de 39,53%, segundo estudo divulgado nesta segunda-feira (15) pelo Instituto Trata Brasil, com base em dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa).
O levantamento revela que, em todo o país, grande parte da água tratada é perdida antes de chegar às residências. Segundo o estudo, quase quatro em cada dez litros distribuídos no Brasil são desperdiçados ao longo do sistema de abastecimento em razão de vazamentos, falhas de medição e consumos não autorizados.
O volume perdido em 2024 chama a atenção pela dimensão. De acordo com o Instituto Trata Brasil, a quantidade desperdiçada equivale a aproximadamente 4,8 mil piscinas olímpicas por dia ou a 4,5 vezes o volume total do Sistema Cantareira ao longo de um ano.
O estudo aponta ainda que os maiores índices de perdas estão concentrados principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Entre os estados com os piores resultados estão Alagoas, com 66,90%, Roraima (65,97%), Pará (57,33%), Maranhão (56,68%), Acre (56,48%) e Sergipe (55,10%), todos acima da média nacional.
Na outra extremidade do ranking, o Piauí aparece como destaque nacional ao registrar perdas de 24,61%, tornando-se o único estado brasileiro a cumprir a meta prevista pela Portaria nº 788/2024. Goiás ocupa a segunda posição, com índice de 27,13%, próximo do percentual estabelecido pela regulamentação.
A redução das perdas é considerada uma das principais medidas para aumentar a eficiência dos sistemas de abastecimento, diminuir custos operacionais e preservar os recursos hídricos. A Portaria nº 788/2024 determina que os sistemas de distribuição de água alcancem perdas máximas de 25% até o ano de 2033.
Para o Instituto Trata Brasil, o cumprimento dessa meta dependerá do fortalecimento dos investimentos em infraestrutura, monitoramento e modernização das redes de abastecimento. A entidade também defende que o combate ao desperdício seja tratado como prioridade nas políticas públicas de saneamento básico.
Como forma de ampliar o debate sobre o tema, o Instituto lançou a plataforma Voto no Saneamento. A iniciativa reúne informações, estudos e materiais de apoio voltados para eleitores e candidatos, com o objetivo de estimular a inclusão do saneamento básico nas discussões e propostas relacionadas ao desenvolvimento das cidades brasileiras.
A diminuição das perdas de água é apontada por especialistas como uma das alternativas mais eficazes para ampliar a oferta do recurso sem a necessidade imediata de novos sistemas de captação, contribuindo para a sustentabilidade e para a segurança hídrica da população.
