Da Redação
O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), criticou nesta quinta-feira (1º) as reportagens sobre um relatório sigiloso da Polícia Federal que cita o ex-prefeito e candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto , no âmbito da Operação Overclean. O documento, segundo reportagem dos veículos CNN Brasil e ICL Notícias, aponta o político como liderança de uma organização investigada por suspeitas de fraudes e superfaturamento em contratos públicos.
Durante entrevista coletiva na entrega da Escola Municipal Joselita Alves Capinam, no Calabetão, Bruno Reis classificou as informações como “invenção” e “fake news”. Segundo ele, veículos que publicarem o conteúdo sem dados oficiais poderão ser alvo de processos judiciais.
“Tudo invenção, gente. Fake news, véspera de eleição. Vazamentos que quem está fazendo vai ser processado. Inclusive vocês, se continuarem dando essas matérias, porque não tem nenhum fundamento legal”, disse o gestor municipal. A informação é do site Bahia.ba.
“Vocês tiraram isso da onde? De que inquérito? De que processo? Vocês têm que ter responsabilidade com o que falam em relação a todos”, acrescentou.
Bruno Reis questiona informações divulgadas
Quando uma jornalista afirmou que as informações haviam sido publicadas pela CNN Brasil, Bruno Reis manteve as críticas e afirmou que veículos que reproduzissem o conteúdo também poderiam ser acionados judicialmente.
“Vocês, publicação, que estão publicando e quem publicou essas matérias que não tem nenhum dado oficial concreto, serão todos processados”, declarou.
Ainda durante a coletiva, o prefeito afirmou que informações sobre investigações deveriam ser divulgadas somente quando existissem dados oficiais.
“Também será processado, porque isso não existe! Onde é que você viu isso? Quem viu? Aonde? Você viu isso onde? Você pegou isso onde? Vamos trabalhar com informação concreta, gente! Quando vocês tiverem dados oficiais, vocês publicam”, afirmou.
O que aponta a investigação da Overclean
As declarações de Bruno Reis ocorreram um dia após a CNN Brasil publicar reportagem sobre um relatório sigiloso da Polícia Federal produzido no âmbito da Operação Overclean. A publicação, de 30 de setembro, afirma que ACM Neto foi apontado pela PF como liderança de uma organização investigada por suspeitas envolvendo contratos públicos.
Segundo a reportagem, as investigações envolvem suspeitas de direcionamento de licitações, fraudes e contratos públicos em Minas Gerais. O relatório citado pela CNN também aponta que o grupo teria movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão em contratos considerados fraudulentos pelos investigadores.
O documento mencionado pela reportagem cita ainda contratos da Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte e a atuação de integrantes ligados ao empresário José Marcos Moura.
Pedido de busca contra ACM Neto foi negado
Em setembro, o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou um pedido da Polícia Federal para realizar busca e apreensão contra ACM Neto no âmbito da Operação Overclean. A decisão contrariou parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). A CNN informou que a decisão foi tomada em 16 de setembro.
A investigação envolve suspeitas de direcionamento de licitações e fraudes em contratos públicos relacionados ao grupo de Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, e Alex Parente, conforme a reportagem da CNN.
ACM Neto nega envolvimento nos fatos investigados e já afirmou que as acusações representam uma tentativa de interferência no processo eleitoral.
Até o momento, as informações sobre a suposta participação de ACM Neto são apresentadas no âmbito de uma investigação da Polícia Federal. As alegações mencionadas nos relatórios não equivalem, por si só, a uma condenação ou decisão judicial definitiva.

