sábado, 8 agosto, 2026

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Câncer de pulmão deve atingir 1.590 baianos em 2026; agosto branco alerta para os riscos do tabagismo

Da Redação

O câncer de pulmão pode evoluir durante anos sem provocar sintomas claros, o que torna a prevenção, o rastreamento de pessoas de maior risco e o diagnóstico precoce fundamentais para aumentar as possibilidades de tratamento. A doença é o foco do Agosto Branco, campanha que mobiliza profissionais de saúde e a população em torno desses cuidados.

Quando aparecem sinais como tosse persistente, falta de ar, dor no peito, rouquidão ou sangue no escarro, o tumor pode já estar em estágio avançado. Por isso, especialistas reforçam que pessoas com fatores de risco devem passar por avaliação médica mesmo quando não apresentam sintomas.

O câncer de pulmão é o tipo de câncer mais diagnosticado e o que mais mata no mundo. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 35.380 novos casos anuais de câncer de traqueia, brônquios e pulmão entre 2026 e 2028.

Do total projetado, são 18.730 casos entre homens e 16.650 entre mulheres. Em 2023, a doença provocou 31.237 mortes no país.

Na Bahia, a estimativa para 2026 é de 1.590 novos diagnósticos, sendo 840 entre homens e 750 entre mulheres. Em Salvador, são esperados 380 casos.

Em 2022, foram registrados quase 2,5 milhões de novos casos e mais de 1,8 milhão de mortes por câncer de pulmão no mundo, segundo a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS).

Naquele ano, o tumor representou 12,4% dos diagnósticos e 18,7% das mortes por câncer. O tabagismo permanece associado a aproximadamente 85% dos casos.

Rastreamento pode identificar tumor antes dos sintomas

Parar de fumar reduz progressivamente o risco de desenvolver câncer de pulmão, mas pessoas que abandonaram o cigarro também podem continuar sob risco. Histórico de tabagismo, idade, tempo desde o último cigarro e exposição profissional ou ambiental devem ser considerados na avaliação individual.

Fumo passivo, poluição do ar, amianto, sílica, gases de motores a diesel e algumas doenças pulmonares crônicas também estão entre os fatores associados ao desenvolvimento do tumor.

Segundo a pneumologista Fernanda Aguiar, coordenadora da medicina respiratória do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS), a radiografia convencional não substitui o exame indicado para o rastreamento de pessoas com alto risco.

“A principal ferramenta é a tomografia computadorizada de tórax com baixa dose de radiação. Ela consegue identificar nódulos pequenos, antes do surgimento de sintomas e em uma fase na qual as possibilidades de tratamento curativo são maiores”, explica.

Estudos apontam benefícios do rastreamento principalmente para pessoas de 50 a 80 anos com histórico intenso de tabagismo, equivalente a pelo menos 20 anos-maço – por exemplo, um maço por dia durante 20 anos – que ainda fumam ou deixaram o cigarro há menos de 15 anos.

Cirurgia pode ser opção quando tumor está localizado

Quando o tumor está restrito ao pulmão e o paciente apresenta condições clínicas para o procedimento, a cirurgia pode representar a principal possibilidade de cura.

A operação busca retirar a lesão com margem de segurança e avaliar os linfonodos, estruturas importantes para determinar se houve disseminação da doença. A extensão da cirurgia depende do tamanho e da localização do tumor, além da reserva respiratória do paciente.

Entre as técnicas minimamente invasivas está a cirurgia robótica. Segundo Pedro Leite, cirurgião torácico do HMDS e diretor do Núcleo de Cirurgia Torácica do Instituto Brasileiro de Cirurgia Robótica (IBCR), a tecnologia pode ampliar a precisão em áreas delicadas do tórax.

“A plataforma oferece visão tridimensional ampliada, filtra tremores e permite movimentos muito precisos dos instrumentos. Isso facilita a dissecção ao redor de vasos, brônquios e linfonodos, mantendo os mesmos princípios oncológicos da cirurgia convencional”, afirma.

O especialista ressalta, porém, que a tecnologia não é indicada indistintamente para todos os pacientes.

“A escolha depende do estágio, da localização do tumor, das condições clínicas e da avaliação de uma equipe multidisciplinar. Quando bem indicada, a abordagem robótica pode reduzir o trauma cirúrgico, a dor e o tempo de recuperação, favorecendo o retorno mais rápido às atividades e, quando necessário, a continuidade do tratamento oncológico”, acrescenta Leite.

Prevenção continua sendo principal estratégia

Os tratamentos contra o câncer de pulmão avançaram nos últimos anos e incluem cirurgia, radioterapia, quimioterapia, imunoterapia e terapias-alvo. Ainda assim, a prevenção permanece como a estratégia de maior alcance.

Isso inclui atenção aos dispositivos eletrônicos para fumar. Vapes e cigarros eletrônicos não são considerados alternativas inofensivas, pois podem conter nicotina, substâncias tóxicas e compostos potencialmente cancerígenos, além de favorecer a dependência, especialmente entre jovens.

O Agosto Branco também reforça a importância de não ignorar alterações persistentes no organismo. Tosse que não passa ou muda de padrão, escarro com sangue, falta de ar, dor no peito, rouquidão, cansaço e perda de peso sem explicação devem ser avaliados por um profissional de saúde.

“A ausência de sintomas não significa ausência de doença nas pessoas de alto risco. Essa é justamente a razão pela qual o rastreamento adequado pode fazer diferença”, reforça Fernanda Aguiar.

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