Da Redação
O que muitas vezes é descartado após o beneficiamento dos grãos pode ganhar uma nova função no campo. A casca do café, também conhecida como palha, está sendo estudada como alternativa de baixo custo para a produção de mudas em uma pesquisa realizada na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), no campus de Vitória da Conquista.
A proposta é avaliar o potencial do resíduo da cafeicultura como substrato alternativo, aliando sustentabilidade, redução de custos e melhoria no desenvolvimento das plantas.


O substrato é um material utilizado para sustentar o crescimento dos vegetais, especialmente durante a produção de mudas. Além de oferecer suporte às raízes, ele contribui para a retenção de água e para a disponibilização de nutrientes necessários ao desenvolvimento das plantas.
A pesquisa partiu da possibilidade de aproveitar a casca do café, produzida em grande quantidade durante o beneficiamento dos grãos e obtida sem custos adicionais de produção. A ideia foi verificar se o resíduo poderia ser utilizado para melhorar as condições de cultivo.
“Conhecendo os indícios do favorecimento nutricional da palha do café, buscamos testar essa ação e seu potencial para sustentar a umidade das plantas”, explica a professora Rayka Santos, pesquisadora e orientadora do estudo.
Resultados apontam benefícios
Os resultados observados pelos pesquisadores reforçam a hipótese inicial sobre o potencial de utilização da casca do café como substrato.
Entre os benefícios identificados estão a redução da infestação por plantas daninhas, o aumento da coloração verde das folhas — indicador relacionado ao estado nutricional — e maior vigor no desenvolvimento das plantas cultivadas com o uso do resíduo.
O estudo também aponta que o subproduto pode contribuir para melhorar a estrutura física do solo, favorecendo a retenção de umidade, a porosidade e o fornecimento de nutrientes às plantas.
Alternativa para agricultura de baixo impacto
Além dos possíveis ganhos para o desenvolvimento vegetal, o aproveitamento da casca do café pode representar uma alternativa econômica para produtores rurais.
Como o material já é gerado durante o processo de produção, sua utilização pode reduzir desperdícios e agregar valor a um resíduo que normalmente seria descartado.
Para Rayka Santos, os resultados reforçam a possibilidade de adotar práticas agrícolas mais sustentáveis sem comprometer a eficiência da produção.
“A agricultura sustentável e de baixo impacto é viável e necessária. Estudar alternativas de produção de baixo custo, que favoreçam o equilíbrio do sistema de produção, melhorem a microbiota do solo e tragam resultados reais é fundamental, principalmente para os pequenos produtores”, ressalta a pesquisadora.
A pesquisa também contou com a participação dos estudantes Ariel Ribeiro, Ruth Stefanny Santos, Mayra Rocha, Ana Cláudia Cerqueira, Pedro Vitor Teixeira e Elane Araújo.
Fonte: Ciência na Uesb

