domingo, 19 abril, 2026

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Condenados, envolvidos no assassinato de Mãe Bernadete têm pena de até 40 anos

Da Redação

O Tribunal do Júri realizado nesta terça-feira (13), no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, condenou dois homens pelo assassinato da ialorixá e líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira, conhecida como Mãe Bernadete.

Foram condenados o executor do crime, Arielson da Conceição Santos, a 40 anos, 5 meses e 22 dias de prisão, e o mandante, Marílio dos Santos, a 29 anos e 9 meses. Ambos foram responsabilizados por homicídio qualificado, cometido por motivo torpe, com uso de meio cruel, recurso que impossibilitou a defesa da vítima e emprego de arma de uso restrito.

A acusação foi sustentada pelos promotores de Justiça Raimundo Moinhos e Felipe Pazzola. Na sentença, a juíza Gelzi Maria Almeida Souza Matos manteve a prisão preventiva de Arielson. Em relação a Marílio, foi expedido mandado de prisão, ainda pendente de cumprimento.

Durante o julgamento, o Ministério Público destacou a articulação criminosa e apontou que o assassinato está ligado à atuação de Mãe Bernadete contra a expansão do tráfico de drogas no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador.

“Desde a etapa de produção da prova até a chegada no julgamento, que iniciou no dia de ontem, o Ministério Público sempre esteve confiante pelo trabalho de investigação de excelência feita pela Polícia Civil do Estado da Bahia e pela atuação dos promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), que também participaram de toda a instrução desse processo. E uma sensação de dever cumprido, de ter o Ministério Público atuado efetivamente pela defesa da vida e de termos conseguido a justiça que Mãe Bernadette e a família merece”, destacou o promotor de Justiça Raimundo Moinhos.

Ele acrescentou que “todos os crimes impostos aos acusados foram reconhecidos pelo Conselho de Sentença e, portanto, houve a realização de justiça de forma completa. As penas, efetivamente, são condizentes e proporcionais à responsabilidade de cada um e, portanto, o Ministério Público sente-se com a sensação de que realmente tudo transcorreu dentro do devido processo legal”.

Para o filho da vítima, Jurandir Pacifico, o julgamento trouxe alívio após dias de tensão. “foram dois dias cansativos, mas o que fica e a sensação da justiça sendo feita. Foi doloroso, um crime tão brutal que abalou não só a Bahia, mas o Brasil e o mundo. A defesa, como sempre, tentando defender o indefensável. Mas a gente tem que ter discernimento para ouvir e não absorver tudo isso. No final deu tudo certo. Se fez justiça”, afirmou.

Mãe Bernadete foi executada no dia 17 de agosto de 2023, dentro de sua residência, na sede da associação quilombola. Segundo as investigações da Operação Pacific, realizadas pela Polícia Civil com apoio do Gaeco e da 7ª Promotoria de Justiça de Simões Filho, a líder foi atingida por 25 disparos de arma de fogo em várias partes do corpo, na presença de três netos, de 12, 13 e 18 anos.

De acordo com as apurações, o crime foi motivado pela oposição firme da vítima às atividades ilícitas na comunidade, especialmente à instalação de pontos de venda de drogas e à ocupação irregular de áreas, o que gerou conflitos com integrantes de organização criminosa atuante na região.

Outros três denunciados – Sérgio Ferreira de Jesus, Josevan Dionísio dos Santos e Ydney Carlos dos Santos de Jesus – ainda serão submetidos a julgamento.

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