Da Redação
O tradicional cortejo cívico do 2 de Julho, que celebra a Independência da Bahia, foi marcado nesta quinta-feira (2), em Salvador, por forte polarização política, vaias, protestos e troca de críticas entre integrantes da base governista e da oposição. Ao longo do trajeto entre o bairro da Lapinha e o Campo Grande, lideranças políticas enfrentaram manifestações do público, enquanto apoiadores de diferentes grupos protagonizaram momentos de tensão.
Logo no início do desfile, o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), foi alvo de vaias de parte dos presentes. O episódio antecipou o clima de disputa política que predominou durante toda a caminhada cívica.
O governador Jerônimo Rodrigues (PT) também enfrentou manifestações contrárias. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram o petista sendo vaiado em diferentes trechos do percurso, enquanto manifestantes exibiam cartazes com críticas ao governador, ao senador Jaques Wagner (PT) e ao ex-governador e ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT). Algumas faixas traziam referências à investigação envolvendo o Banco Master e ao caso da compra de respiradores durante a pandemia.
Em um dos momentos registrados, uma mulher se aproximou de Jerônimo, abraçou seu pescoço e afirmou: “Seu sorriso vai acabar”. Nas imagens, o governador retira o braço da manifestante e segura o braço dela, enquanto a mulher reage dizendo: “Vai me machucar, é?”. veja os vídeos abaixo veiculado pelo site Política Livre.
Em outro episódio, um jovem se aproximou para aparentar tirar uma foto com o governador, mas aproveitou para cobrar melhorias na educação. “Ô Jero, a educação está sofrendo”, afirmou o estudante. Na sequência do vídeo, é possível ouvir a palavra “vaza”, embora não seja possível identificar se a expressão foi dita pelo próprio governador ou fazia parte da continuação da fala do manifestante.
Outro alvo das manifestações foi o senador Jaques Wagner (PT), pré-candidato à reeleição. O parlamentar foi recebido com vaias ao chegar ao cortejo, em meio ao desgaste político provocado pela repercussão de uma investigação da Polícia Federal que apura uma suposta atuação em defesa de interesses do Banco Master e do empresário Daniel Vorcaro no Congresso Nacional. Após o avanço das investigações, Wagner deixou a liderança do governo no Senado.
Durante o desfile, diversos manifestantes exibiram cartazes com a expressão “Jaques Master”, em referência ao caso. Apesar do cenário, o senador adotou postura discreta ao longo da caminhada e evitou maior exposição.
Em meio ao ambiente de tensão, Jerônimo Rodrigues reagiu às críticas da oposição, especialmente após declarações de ACM Neto. O governador afirmou que pretende tratar os adversários “da altura que a pessoa for”, em resposta ao uso do termo “humilhar” pelo ex-prefeito, e reiterou que há entendimento com o PSD sobre a composição da chapa majoritária, citando a participação do senador Jaques Wagner nas negociações.
Já ACM Neto manteve o tom crítico durante o cortejo e voltou a questionar o projeto da Ponte Salvador-Itaparica, classificando a iniciativa como uma “piada”. Em resposta, a presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), Ivana Bastos (PSD), afirmou que o ex-prefeito estaria “torcendo contra a Bahia” ao criticar uma obra considerada estratégica para o desenvolvimento do estado.
Ao longo do percurso, apoiadores de grupos políticos rivais trocaram provocações, palavras de ordem e gritos, reforçando o ambiente de polarização que marcou a celebração da Independência da Bahia. Entre homenagens históricas e manifestações populares, o cortejo do 2 de Julho voltou a servir como palco da disputa política que antecede as eleições de 2026.

