Da Redação
O caso de estupro coletivo de crianças envolvendo duas vítimas de 7 e 10 anos veio à tona após a irmã de uma delas identificar imagens do crime circulando nas redes sociais e procurar a polícia. A denúncia foi registrada no dia 24 de abril, três dias após o crime, ocorrido em 21 de abril.
De acordo o g1, a investigação da Polícia Civil, em cinco dias, identificou os suspeitos. Ao todo, quatro são adolescentes – três já apreendidos e um foragido – e um é adulto, preso na cidade de Brejões, no interior da Bahia. Ele deve ser transferido para São Paulo nesta segunda-feira (4).
Os envolvidos serão indiciados por estupro de vulnerável, divulgação de imagem de menor de idade e corrupção de menores.
Pressão e medo atrasaram denúncia
Segundo a delegada Janaína da Silva Dziadowczyk, a família das vítimas sofreu pressão para não registrar ocorrência.
“As vítimas estavam sendo pressionadas para não registrarem boletim de ocorrência na delegacia. Embora estivesse circulando na internet, a família não havia registrado queixa”, afirmou.
Ela também destacou as dificuldades iniciais da investigação.
“[A irmã] Soube através das redes sociais. Ela é uma irmã que não mora mais com a mãe. Quando ela viu o vídeo identificou o irmão e veio e registrou o boletim de ocorrência. Mas ela não tinha detalhes e não sabia o local. A família saiu com medo lá [da comunidade]. Teve gente que saiu com a roupa do corpo. Então, foi uma dificuldade encontrar essas vítimas.”
As crianças foram localizadas, ouvidas e submetidas a exames periciais.
Crime foi premeditado
As investigações apontam que os suspeitos conheciam as vítimas e usaram uma falsa promessa para atraí-las.
“Eles eram vizinhos e as crianças tinham confiança neles. Chamaram pra soltar pipa. Eles foram atraídos para esse imóvel porque falaram: ‘vamos soltar pipa, aqui tem uma linha’”, explicou a delegada.
Ainda segundo ela, o adulto teria iniciado as ações e feito as gravações.
“Um dos adolescentes disse que era uma brincadeira que acabou escalando, mas a iniciativa de gravar foi do maior. Foi ele quem começou as brincadeiras.”
Imagens circularam nas redes sociais
A polícia agora investiga quem divulgou os vídeos do crime na internet. Segundo o delegado Júlio Geraldo, o material teria sido compartilhado inicialmente por WhatsApp.
“No primeiro momento a gente tinha a prioridade de identificar os agressores. No 2° momento vamos atrás para saber quem divulgou essas imagens”, disse.
Ele também ressaltou a complexidade do caso.
“Quando a ocorrência chegou, foi por uma irmã da vítima que não disse sequer onde tinha ocorrido os fatos. Então, foi necessário reconstruir toda a situação.”
Prisão na Bahia
O suspeito adulto, de 21 anos, foi localizado pela Guarda Civil Municipal (GCM) de Brejões, após denúncia de tentativa de furto.
Segundo o comandante Cláudio Sérgio Silva Souza, ele foi identificado por características semelhantes às divulgadas. Questionado, confessou participação no crime e afirmou ter fugido de São Paulo por medo de morrer.
O homem foi encaminhado à Delegacia Territorial de Jequié, onde permanece preso temporariamente.
Acolhimento das vítimas
A Prefeitura de São Paulo informou que as crianças e suas famílias foram acolhidas por serviços sociais e recebem acompanhamento psicológico. O local onde estão é mantido em sigilo, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
O Conselho Tutelar acompanha o caso, e as vítimas receberam atendimento de saúde em hospital de referência.
Investigação continua
A Polícia Civil segue investigando ameaças feitas à família e tenta localizar o adolescente ainda foragido. Também busca identificar todos os responsáveis pela divulgação das imagens.
O secretário de Segurança Pública, Oswaldo Nico Gonçalves, comentou a gravidade do caso.
“Eu com 45 anos de polícia não consegui ver a cena até o fim.”
