Da Redação
O acordo de delação premiada firmado pelo fundador da Reag, João Carlos Mansur, com a Procuradoria-Geral da República (PGR) trouxe novos elementos sobre relações envolvendo o candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), e o caso Banco Master.
Conforme informações divulgadas pelo UOL, o nome do ex-prefeito de Salvador aparece nos documentos apresentados por Mansur à PGR. As relações citadas envolvem três frentes: um contrato firmado durante a gestão de ACM Neto na Prefeitura, um fundo de investimento do qual ele se tornou cotista e pagamentos recebidos por uma empresa de consultoria.
A sequência dos fatos coloca ACM Neto no contexto das relações comerciais e financeiras que envolvem o Banco Master, instituição comandada por Daniel Vorcaro.
Contrato durante gestão na Prefeitura
Enquanto era prefeito de Salvador, ACM Neto assinou um aditivo ao Contrato nº 036/2019 com a Consiglog Tecnologia e Soluções.
A medida garantiu o licenciamento do LogConsig, sistema utilizado para controlar a margem e os descontos consignados na folha de pagamento dos servidores municipais.
A Consiglog integra o conjunto de empresas que posteriormente se concentrou ao Banco Master e tinha João Carlos Mansur como sócio. Em 2021, a relação foi mantida durante a gestão de Bruno Reis, sucessor de ACM Neto.
Fundo de investimento
A segunda frente envolve as relações financeiras pessoais do ex-prefeito. Após deixar a Prefeitura, ACM Neto criou a empresa Seattle 95, que investiu R$ 4,8 milhões no fundo Structure FIDC.
Em 2023, segundo o texto-base, 98% dos recursos do fundo de ACM Neto estavam aplicados no Structure, cuja carteira era composta por empréstimos consignados originados pelo Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Após a liquidação do banco, uma empresa de análise de risco rebaixou as cotas do Structure e colocou as classificações em observação negativa.
Consultoria recebeu R$ 5,45 milhões
A terceira frente surgiu após a eleição de 2022, quando ACM Neto e sua esposa constituíram a A&M Consultoria.
Segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a empresa recebeu R$ 5,45 milhões do Banco Master e da Reag entre 2023 e 2025.
Em um dos períodos analisados, ACM Neto aparece entre os principais beneficiários de transferências realizadas pela própria consultoria, com R$ 4,2 milhões recebidos da empresa.
O texto-base não detalha quais serviços específicos teriam sido prestados pela A&M Consultoria para justificar os pagamentos mencionados.
Encontro com Daniel Vorcaro
Também há registro de um encontro pessoal entre ACM Neto e Daniel Vorcaro no período em que as relações comerciais estavam em andamento.
Em uma mensagem enviada ao ex-ministro Fábio Faria, em 2024, Vorcaro afirmou que ACM Neto havia ido à sua casa e que recebeu “apoio total” do ex-prefeito.
A conversa tornada pública, no entanto, não informa o conteúdo do encontro.
O que ainda precisa ser esclarecido
Um dos principais pontos ainda sem resposta é quais serviços concretos teriam sido prestados pela A&M Consultoria ao Banco Master e à Reag em troca dos pagamentos milionários citados no relatório do Coaf.
Também permanece sem esclarecimento, a partir das informações apresentadas no texto-base, quais documentos e produtos teriam sido entregues pela empresa e o que exatamente João Carlos Mansur relatou à PGR sobre ACM Neto.
As informações citadas fazem parte de documentos e relatos relacionados às investigações sobre o Banco Master e não significam, por si só, que ACM Neto tenha cometido irregularidade ou crime. Eventuais responsabilidades dependem da apuração das autoridades competentes.
