Da Redação
O depoimento do senador Jaques Wagner (PT-BA) à Polícia Federal (PF), que estava previsto para esta sexta-feira (7), foi desmarcado no âmbito da Operação Compliance Zero, investigação que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Até o momento, não foi divulgada uma nova data para a oitiva. A informação é do Bahia.ba.
Esta é a segunda oitiva cancelada nesta semana dentro da investigação. Na última segunda-feira (3), a PF também adiou o depoimento do empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e apontado pelos investigadores como uma das principais ligações entre o senador baiano e o caso.
Até a publicação desta reportagem, não havia sido informada a razão do cancelamento da audiência de Wagner. Também não havia confirmação sobre uma nova data para o depoimento.
Segundo informações divulgadas pelo G1 e reproduzidas por veículos que acompanham o caso, a defesa e a assessoria do senador foram procuradas para esclarecer se o adiamento foi solicitado por Wagner, qual seria a justificativa e se haverá uma nova data, mas não haviam se manifestado até então.
Suspeitas da investigação
Jaques Wagner passou a ser investigado na 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de junho, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). Na ocasião, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao senador na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal.
A investigação busca esclarecer se o senador teria atuado em defesa de interesses do Banco Master no Congresso Nacional. Entre as frentes analisadas estão propostas relacionadas à ampliação do crédito consignado e outras medidas de interesse da instituição, incluindo a chamada “Emenda Master”.
As suspeitas surgiram, entre outros elementos, a partir da análise de mensagens e informações extraídas de dispositivos ligados a Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. A PF investiga a relação entre o empresário e Wagner e eventual atuação em favor dos interesses do banco.
Entre os pontos sob apuração estão ainda possíveis vantagens indevidas que teriam sido destinadas ao senador. A investigação cita um apartamento em Salvador avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões, além de outros benefícios que, segundo os investigadores, alcançariam valores milionários.
A Polícia Federal informou, ao anunciar a 9ª fase da operação, que os fatos investigados poderiam caracterizar, em tese, os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. As suspeitas ainda são objeto de investigação.
Defesa
Jaques Wagner já negou ter cometido irregularidades relacionadas ao caso. Em julho, ao comentar a investigação, o senador afirmou estar tranquilo e disse que provaria sua inocência.

