Da Redação
O debate sobre a gestão da saúde em Salvador ganhou novo capítulo após o deputado estadual Niltinho (PSD) rebater declarações do prefeito Bruno Reis (União Brasil). O parlamentar afirmou que não é a Prefeitura que assume funções do Governo do Estado, mas o contrário, ao comentar a atuação das redes de saúde na capital.
“Não é a Prefeitura que faz o papel do Governo do Estado. É o Governo do Estado que cobre a ausência do município, ao contrário do dito por Bruno Reis”, declarou.
Segundo Niltinho, Salvador possui gestão plena do Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2006, o que atribui à Prefeitura a responsabilidade por toda a rede, da atenção básica à alta complexidade. “Isso significa que a responsabilidade por toda a rede — da atenção básica à alta complexidade — é da Prefeitura. Ao alegar que cumpre papel do Estado, o prefeito contradiz a legislação que rege o sistema”, afirmou.
Rede estadual na capital
O deputado destacou que o Governo da Bahia mantém atualmente 39 unidades de saúde em Salvador, incluindo hospitais, maternidades, UPAs e centros de referência. Para ele, essa estrutura atua para suprir lacunas da rede municipal.
“Estruturas que seguem funcionando para suprir demandas que deveriam ser absorvidas pela rede municipal”, disse.
Desde 2023, os investimentos estaduais na capital ultrapassam R$ 600 milhões, com entregas como o Hospital 2 de Julho, o Hospital Ortopédico do Estado e ampliações no Hospital da Mulher e no Hospital Geral do Estado.
Além disso, o parlamentar afirmou que o governo estadual destina cerca de R$ 1 bilhão por ano para contratos com hospitais privados e filantrópicos que atendem a população de Salvador. “É essa estrutura que sustenta boa parte das internações, cirurgias e atendimentos de maior complexidade”, pontuou.
Recursos e atendimento
De acordo com Niltinho, a Prefeitura recebe aproximadamente R$ 709 milhões anuais do SUS para média e alta complexidade, mas não estruturou uma rede equivalente.
“A consequência é visível: 80% das transferências das UPAs municipais acabam direcionadas para unidades estaduais”, afirmou.
Para o deputado, a fala do prefeito não se sustenta diante dos dados apresentados. “Quando diz que faz o papel do governo estadual, ele ignora que o Governo só está onde está porque a Prefeitura não fez o que a lei determina”, declarou.
O parlamentar ainda avaliou que, apesar de avanços pontuais, como a nova maternidade inaugurada na cidade, o cenário geral da saúde na capital mantém forte dependência da rede estadual.

