Da Redação
Doze pessoas denunciadas pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) foram condenadas à prisão por participação em um esquema criminoso que facilitava a entrada de materiais ilícitos no Conjunto Penal de Feira de Santana. Entre os condenados estão dez policiais penais, que também tiveram decretada pela Justiça a perda dos cargos públicos. A sentença foi proferida no domingo (6).
A denúncia foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e Investigações Criminais (Gaeco). Todos os condenados foram alvos da Operação Sísifo, deflagrada pelo MP em parceria com a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) e a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), em fases realizadas ao longo de 2023 e 2024.
Os réus responderam pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, facilitação da entrada de aparelhos telefônicos e outros objetos ilícitos em estabelecimento prisional, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção ativa, de acordo com a participação individual de cada um.
Segundo a decisão, o policial penal Valmir Pereira de Jesus, apontado como líder do grupo criminoso, foi condenado a mais de 28 anos de prisão. Também foram condenados os policiais penais Vitor Cerqueira de Oliveira, Ednilson Santana Mota, Isaías Gregório de Miranda Filho, Yure Pinheiro Costa, Gildo de Lima Almeida, Valter Ferreira de Almeida, Leandro Calazans Amaral, Rosana Souza de Oliveira e Luana Priscilla de Jesus Moitinho.
Além dos servidores, Emerson Carmo dos Santos foi condenado pelos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa, enquanto Genivaldo Reis dos Santos recebeu condenação por corrupção ativa.
Esquema investigado
De acordo com a denúncia do MPBA, os integrantes da organização utilizavam os cargos ocupados no Conjunto Penal de Feira de Santana para facilitar a entrada de celulares, drogas e outros materiais ilícitos na unidade prisional em troca de vantagens indevidas.
As investigações apontaram ainda que o grupo possuía divisão de tarefas, atuação coordenada e mecanismos destinados à ocultação e dissimulação dos recursos obtidos com as atividades criminosas, inclusive por meio de movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada pelos envolvidos.
Operação Sísifo
As apurações tiveram início após o Ministério Público identificar a “recorrente apreensão de diversos materiais ilícitos com os presos”, especialmente celulares, entorpecentes e armas perfurocortantes. Segundo o órgão, as evidências indicavam “a participação ativa de detentos e de policiais penais” no esquema criminoso.
A Operação Sísifo foi deflagrada em conjunto pelo MPBA, Seap e SSP-BA para desarticular a organização e responsabilizar os envolvidos por crimes praticados dentro da unidade prisional.
