“Poderíamos praticar o hábito de elogiar as mulheres, ao invés de querermos sempre achar algum tipo de defeito”. O comentário vem de quem passou por poucas e boas depois que se descobriu com vitiligo, uma doença crônica caracterizada por perda de coloração da pele. Maika Celi, 40 anos, está por trás do perfil Vitiligo – Meu Lugar ao Sol no Instagram, onde convida às mulheres a se amarem e se respeitarem como são. “Por mais clichê que possa parecer, creio que as nossas próprias feridas estão servindo de inspiração para outras pessoas. Ao invés de se perguntar ‘por que’ está passando por esta situação? ‘Por que’ aconteceu isso comigo? Comece a se perguntar ‘para que’, qual o propósito, como ajudar?”
Dia da Mulher: Perfil no Instagram empodera mulheres com vitiligo
Por Juliana Gola
“Poderíamos praticar o hábito de elogiar as mulheres, ao invés de querermos sempre achar algum tipo de defeito”. O comentário vem de quem passou por poucas e boas depois que se descobriu com vitiligo, uma doença crônica caracterizada por perda de coloração da pele. Maika Celi, 40 anos, está por trás do perfil Vitiligo – Meu Lugar ao Sol no Instagram, onde convida às mulheres a se amarem e se respeitarem como são. “Por mais clichê que possa parecer, creio que as nossas próprias feridas estão servindo de inspiração para outras pessoas. Ao invés de se perguntar ‘por que’ está passando por esta situação? ‘Por que’ aconteceu isso comigo? Comece a se perguntar ‘para que’, qual o propósito, como ajudar?”
A primeira manifestação que a levou à dermatologista foi nos pulsos, após um acidente em que a pele não voltou a ter pigmentação com a cicatrização das lesões. Segundo a médica Dra. Juliana Marmiroli, especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, “a doença é de origem autoimune e tem predisposição genética, e ocorre devido à ausência de melanócitos, que são as células responsáveis pela formação da melanina, o pigmento que dá cor à pele”. O bisavô de Maika também tinha a doença.
Quando soube do diagnóstico, 18 anos atrás, ouviu da médica a seguinte frase: “Ai, que dó, meu bem, isso é vitiligo”. E desde então, passou por preconceitos impensáveis, como de uma pessoa do trabalho que declarou que acabaria com a própria vida se tivesse a mesma doença. Mas ao contrário, absurdos como esses deram força para que ela encontrasse grande sentido ao ajudar outras pessoas na mesma situação. “Nesses anos todos passei por muita frustração e vergonha. Perdi oportunidades por medo de julgamentos e nos últimos dois anos, quando comecei a trabalhar nesse perfil no Instagram, percebi que podia aliviar a dor de muita gente”, conta.
“Quando somos diagnosticados com vitiligo, o primeiro sentimento que nos vem é de rejeição, fazendo com que, inconscientemente, nos escondamos da sociedade e passamos a viver no escuro e isolados. O projeto veio para que as pessoas com vitiligo saiam do escuro e conquistem o ‘seu lugar ao sol’”, explica Maika.
O vitiligo se manifesta por manchas brancas, de tamanho e número variáveis, assintomáticas e que surgem geralmente em áreas de trauma como mãos, pés, joelhos, cotovelos, face e região genital. Maika conta que as primeiras manchas deram sinais nas mãos, local difícil de maquiar.
“As pessoas viam e me perguntavam se eu tinha a doença do Michael Jackson e eu me entristecia profundamente. Me perguntavam ainda se era contagioso, com tom de preocupação, além de abordagens extremamente inconvenientes, querendo me ensinar receitas milagrosas de cura”, lembra.

