segunda-feira, 27 abril, 2026

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Diretor-adjunto é exonerado do Conjunto Penal de Eunápolis

Da Redação

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), exonerou Sergio Vinicius Tanure dos Santos do cargo de diretor-adjunto do Conjunto Penal de Eunápolis, no extremo sul do estado. A decisão foi publicada no Diário Oficial desta sexta-feira (24) e ocorre em meio à repercussão da delação da ex-diretora da unidade, Joneuma Silva Neres. A informação é do site g1.

Para o lugar, foi nomeado Ernani Pereira Silva. A mudança acontece após a divulgação, no último sábado (18), de detalhes da colaboração premiada de Joneuma, realizada em janeiro deste ano, que trata da fuga de detentos registrada em dezembro de 2024.

Segundo o g1,  de acordo com a delação, 16 presos escaparam do presídio no dia 12 de dezembro de 2024, com facilitação interna. Joneuma afirmou ter atuado para viabilizar a fuga a pedido do ex-deputado federal Uldurico Júnior (PSDB), com quem mantinha um relacionamento. Ela declarou ainda que houve negociação de R$ 2 milhões pelo apoio, com pagamento inicial de R$ 200 mil. O ex-parlamentar nega as acusações.

Detalhes da delação

De acordo com o depoimento ao Ministério Público da Bahia (MP-BA), Uldurico teria realizado ao menos três encontros com traficantes dentro do presídio. Em uma das ocasiões, teria solicitado a retirada das algemas dos detentos durante reunião.

Segundo a reportagem, a ex-diretora também afirmou que o então deputado mencionava cobranças de um “chefe”, em referência ao ex-ministro Geddel Vieira Lima. Segundo ela, mensagens atribuídas ao político eram repassadas por Uldurico. “‘Uldurico, eu pensei que ia fugir dois presos, quatro, mas me foge 16, aí você me lasca, cara!’ Tipo assim, o Geddel dando uma bronca nele”, relatou.

Geddel, que não é investigado no caso, negou qualquer envolvimento. “Ela diz coisas não sobre mim, mas que ele disse para ela. No fundo, ele estava vendendo meu nome descaradamente para acalmar ela, como se eu fosse protegê-lo”, afirmou em entrevista ao g1.

Plano de fuga e investigação

Ainda conforme a delação, o plano inicial previa a fuga de dois detentos, entre eles Ednaldo Pereira Souza, conhecido como “Dada”, apontado como líder de facção criminosa. No entanto, a ação resultou na fuga de 16 presos após mudanças no planejamento.

A execução teria sido antecipada após informações sobre uma possível fiscalização no presídio durante o Réveillon, quando Joneuma estaria de férias. Segundo o relato, a alteração no plano gerou questionamentos do ex-deputado após a repercussão do caso.

Mais de um ano após a fuga, apenas um foragido foi recapturado e dois morreram em confronto com a polícia. Outros 13 seguem sendo procurados.

Operação no Rio de Janeiro

Na última segunda-feira (20), a Polícia Civil do Rio de Janeiro realizou uma operação na comunidade do Vidigal para localizar Dada e outros fugitivos. A ação contou com apoio do MP-BA, que monitorava o suspeito.

Segundo as investigações, o criminoso havia alugado uma mansão na região, mas conseguiu fugir por uma passagem secreta. A operação resultou na prisão de três pessoas, incluindo suspeitos de envolvimento com organização criminosa.

Posicionamento das defesas

A Defensoria Pública da Bahia informou que o acordo de colaboração premiada de Joneuma foi homologado pela Justiça e que ela cumpre prisão domiciliar.

Já a defesa de Uldurico Júnior afirmou que as acusações são falsas. “Uldurico jamais teve conhecimento de plano algum de fuga, nem recebeu dinheiro nenhum por tal fato, o que pode ser facilmente comprovado”, declarou.

Geddel Vieira Lima também negou envolvimento e criticou as declarações. “Trata-se de uma conversa entre dois criminosos. Ele certamente vendendo meu nome para tentar acalmar a cúmplice dele nesse crime horrível que cometeram”, disse.

A Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) informou que tem colaborado com as investigações desde a fuga.

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