sexta-feira, 19 junho, 2026

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Caso Geovane: após 12 anos de espera, dois PMs são condenados a mais de 20 anos de prisão

Da Redação

Dois dos sete policiais militares acusados pela morte do jovem Geovane Mascarenhas de Santana foram condenados a penas superiores a 20 anos de prisão. O resultado do julgamento foi divulgado nesta sexta-feira (19), cerca de 12 anos após o crime que teve grande repercussão na Bahia. A informação é do g1.

O julgamento ocorreu no Fórum Ruy Barbosa e teve início na quarta-feira (17). Ao final da sessão, apenas dois dos sete réus foram condenados pelos crimes relacionados ao caso.

Jesimiel da Silva Resende foi condenado a 25 anos, 3 meses e 15 dias de reclusão, em regime inicial fechado, além do pagamento de multa. Ele foi considerado culpado pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, roubo e ocultação de cadáver.

Já Cláudio Bonfim Borges recebeu pena de 20 anos e 7 meses de prisão, também em regime inicial fechado, além de multa. O policial foi condenado por homicídio duplamente qualificado e roubo, sendo absolvido da acusação de ocultação de cadáver.

O sétimo réu, Jailson Gomes Oliveira, foi absolvido da acusação de homicídio, mas condenado a 6 anos e 4 meses de prisão pelo crime de roubo. A pena deverá ser cumprida em regime inicial semiaberto.

Os demais acusados — Daniel Pereira de Sousa Santos, Alan Morais Galiza dos Santos, Alex Santos Caetano e Roberto dos Santos Oliveira — foram absolvidos das acusações de homicídio, roubo e ocultação de cadáver por negativa de autoria.

De acordo com a Justiça, os mandados de prisão contra Jesimiel da Silva Resende e Cláudio Bonfim Borges foram cumpridos imediatamente após a sentença.

Relembre o caso

O crime ocorreu em 2 de agosto de 2014. Naquele dia, Geovane Mascarenhas de Santana conduzia sua motocicleta quando foi abordado por uma guarnição da Polícia Militar. Segundo as investigações, o jovem foi colocado em uma viatura e levado inicialmente para a Rua Luiz Maria, no bairro da Calçada, antes de ser assassinado.

À época, os policiais afirmaram que Geovane havia sido abordado por apresentar características semelhantes às de um suspeito de assalto na região. Eles sustentaram que a vítima foi levada até uma mulher que teria sido roubada, mas que ela não o reconheceu. Segundo a versão apresentada pelos agentes, o jovem teria sido liberado em seguida.

Entretanto, a denúncia apresentada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) apontou que os policiais militares “sequestraram e mataram quem por eles foi eleito para morrer”. O órgão também afirmou que os denunciados agiram de forma a impedir qualquer possibilidade de defesa da vítima, que teria sido presa sem justificativa legal e mantida sob custódia dos agentes antes de ser morta.

Ainda em 2014, os policiais Cláudio Bonfim Borges, Jailson Gomes Oliveira e Jesimiel da Silva Resende chegaram a ser presos, mas foram liberados após cumprirem 60 dias de prisão provisória.

GPS foi fundamental para investigação

As investigações conduzidas pela Polícia Civil identificaram os suspeitos a partir dos registros de GPS das viaturas envolvidas na ocorrência. O delegado Jorge Figueiredo solicitou os dados de rastreamento dos veículos utilizados nos dias 2 e 3 de agosto de 2014, além da relação dos policiais que atuaram nas escalas de serviço.

Uma perícia realizada pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT) constatou que a fiação do GPS da viatura comandada pelo subtenente Cláudio Bonfim Borges havia sido danificada. Apesar disso, os investigadores conseguiram reconstituir os deslocamentos por meio das coordenadas registradas pelo sistema de rádio utilizado na comunicação entre as viaturas e a Central de Polícia.

Inicialmente, os policiais negaram contato entre as duas guarnições envolvidas. Posteriormente, em novo depoimento, admitiram um encontro rápido para comunicar a liberação antecipada de um dos agentes.

A análise dos registros também indicou que as duas viaturas retornaram à base da Rondesp com apenas sete minutos de diferença. Os dados apontaram ainda que os veículos estiveram nos locais onde os restos mortais de Geovane foram abandonados na mesma noite em que ele desapareceu.

As investigações também identificaram divergências entre os trajetos registrados pelos sistemas de localização e as informações descritas nos relatórios de serviço assinados pelos policiais envolvidos.

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