quinta-feira, 9 julho, 2026

EXPEDIENTE | CONTATO

Estudantes baianos criam tecnologia para monitorar qualidade do ar

Da Redação

A preocupação com a qualidade do ar dentro das salas de aula levou estudantes de uma escola pública de Uauá, no sertão da Bahia, a desenvolverem uma solução tecnológica para monitorar, em tempo real, as condições ambientais que podem afetar a saúde de colegas com problemas respiratórios. Batizado de Clima Tech, o projeto utiliza sensores para medir temperatura e umidade, emitindo alertas quando os índices representam risco à saúde.

A iniciativa foi criada na Escola Municipal Nossa Senhora do Perpétuo Socorro pelos estudantes Josias, de 14 anos, Artur, de 14, e Vitor Ramon, de 15, quando cursavam o 9º ano. Atualmente, o projeto é aperfeiçoado por Henrique Ribeiro Leal, de 13 anos, e Ana Cllara Ribeiro dos Santos, de 15, ambos estudantes do 8º ano A.

Foto: Divulgação

O equipamento utiliza sensores conectados à plataforma Arduino para medir temperatura e umidade do ambiente. As informações são exibidas em um display LCD, permitindo que alunos e professores acompanhem as condições da sala de aula em tempo real.

O diferencial do Clima Tech está em um sistema de alerta visual. Sempre que a umidade do ar fica abaixo de 30% ou ultrapassa 70%, um LED é acionado para indicar condições que podem agravar problemas respiratórios, como asma, alergias e crises gripais. Com o aviso, a comunidade escolar pode adotar medidas preventivas, como o uso de máscaras ou o afastamento temporário do ambiente.

Tecnologia a serviço da saúde

A ideia surgiu após os estudantes observarem que alguns colegas apresentavam dificuldades respiratórias em períodos de clima mais seco.

“Percebemos que alguns alunos passavam mal ou apresentavam mais desconforto em dias muito secos. A partir disso, começamos a pesquisar formas de identificar essas condições e pensamos em criar uma ferramenta simples que pudesse ajudar toda a escola”, explica o estudante Henrique Ribeiro Leal.

Para Ana Cllara Ribeiro dos Santos, a experiência mostrou como a tecnologia pode contribuir para resolver problemas do cotidiano.

“Foi muito interessante participar de algo que pode ajudar outras pessoas. Aprendemos sobre programação, sensores e eletrônica, mas também entendemos a importância de usar esse conhecimento para cuidar da saúde e do bem-estar dos colegas”, afirma.

Projeto estimula inovação e protagonismo

A construção do equipamento envolveu pesquisas, observação da rotina escolar e testes com componentes eletrônicos, como Arduino, sensores de temperatura e umidade, cabos jumpers, display LCD e LED.

Além de monitorar a qualidade do ar, o projeto incentiva a conscientização sobre os impactos das condições ambientais na saúde e reforça o papel da escola como espaço de inovação e desenvolvimento científico.

Segundo a equipe pedagógica, a iniciativa fortalece o protagonismo estudantil ao mostrar que os próprios alunos podem identificar desafios da comunidade escolar e criar soluções acessíveis para enfrentá-los.

“O Clima Tech nasceu da observação dos próprios estudantes sobre uma situação que afetava o cotidiano escolar. Eles conseguiram transformar essa preocupação em uma solução tecnológica simples, acessível e extremamente relevante para a promoção da saúde. É um exemplo de como a educação pode estimular inovação com propósito social”, destaca a orientadora educacional do Laboratório 7.0 do Sistema de Ensino Dulino, Thayza Vieira.

Mais do que um equipamento tecnológico, o Clima Tech tornou-se uma ferramenta de prevenção, contribuindo para um ambiente escolar mais seguro e despertando o interesse dos estudantes pela ciência, tecnologia e inovação.

Publicidade

Arquivos