Da Redação
Aliados da família Bolsonaro afirmam que o senador Flávio Bolsonaro (PL) teria deixado o Brasil com destino aos Estados Unidos e que o governo do presidente Donald Trump estaria ciente da viagem e concederia asilo político ao parlamentar. A informação é jornal Folha de São Paulo.
Segundo relatos de pessoas próximas à família com relações no país norte-americano, o senador teria viajado acompanhado da mulher, Fernanda, e das duas filhas, com destino a Miami ou Dallas. Um dos aliados afirmou que ele já teria desembarcado nos Estados Unidos.
De acordo com um americano próximo ao governo dos Estados Unidos, a gestão Trump teria participado ativamente do plano para retirar Flávio do Brasil. Os relatos também negam que o senador tenha passado pela Argentina. Até o momento, as informações apresentadas no relato original são atribuídas a aliados e interlocutores, sem confirmação independente da suposta concessão de asilo.
Conforme informações publicadas pela Folha de S.Paulo, aliados de Flávio afirmaram que ele teria deixado o país dois dias depois de perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No início do dia, pessoas próximas ao senador disseram desconhecer seu paradeiro e ironizaram a possibilidade de uma fuga para os Estados Unidos. “Só se ele estiver louco” e “está vindo de foguete do Elon Musk” foram algumas das respostas dadas, segundo a publicação.
O blogueiro bolsonarista Allan dos Santos também comentou a possibilidade de Flávio ter deixado o Brasil. Ele afirmou não ter informações detalhadas sobre o caso, mas defendeu que o senador deveria proteger a família.
“Então eu espero, sim, que ele tenha saído do país. Eu não tenho nenhuma informação com certeza, mas eu espero que o Flávio possa ter saído do Brasil.”
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL) também se manifestou nas redes sociais. “Se um candidato a presidente que recebe 60 milhões de votos precisa (supostamente) sair do país, que segurança tem um cidadão comum que se opõe ao atual regime?”, escreveu.
Decisão de Moraes e passaportes
Segundo os relatos reproduzidos na reportagem original, a decisão de viajar aos Estados Unidos teria sido tomada na segunda-feira (26), depois que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou o recolhimento dos passaportes brasileiro e italiano de Flávio Bolsonaro. O senador possui cidadania italiana.
A Polícia Federal cancelou o passaporte brasileiro do parlamentar após o descumprimento da determinação judicial, conforme informações publicadas pela Folha. O documento italiano, porém, continuaria válido.
A PF também teria emitido um alerta para monitorar as fronteiras e verificar se o senador havia deixado o território brasileiro. A publicação levantou a possibilidade de que a medida tenha sido adotada tarde demais, diante dos relatos de que ele já estaria nos Estados Unidos.
Investigações contra Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro é investigado em dois procedimentos criminais relacionados a suspeitas envolvendo o Banco Master e possíveis desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), segundo a reportagem original.
Caso tivesse sido eleito presidente, o senador teria uma proteção temporária contra processos criminais por fatos anteriores ao mandato que não tivessem relação com as funções presidenciais. A regra, entretanto, não representa imunidade geral para qualquer conduta.
Além disso, Flávio perderia o foro especial com o término de seu mandato de senador, previsto para fevereiro. Segundo a publicação, seria a primeira vez desde sua eleição para deputado estadual, em 2002, que ele ficaria sem ocupar um cargo eletivo.
Uma das investigações apura um pedido de recursos a Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, para financiar o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai do senador.
Flávio e Vorcaro são investigados sob suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O parlamentar negou irregularidades e afirmou que a produção cinematográfica conta apenas com recursos privados.
De acordo com informações publicadas pelo site The Intercept Brasil e reproduzidas pela Folha, Flávio negociou diretamente com Vorcaro o repasse de pelo menos US$ 24 milhões, valor equivalente, na conversão informada pela publicação, a aproximadamente R$ 122,7 milhões, para a produção do longa-metragem.
A segunda investigação mencionada na reportagem envolve a relação entre Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz, apontado como amigo do senador. O procedimento apura suspeitas de lavagem de dinheiro.
O celular de Tomaz foi apreendido durante a Operação Sem Desconto, que investiga fraudes relacionadas ao INSS. A análise do aparelho teria identificado movimentações financeiras consideradas suspeitas.
Foi nesse inquérito que Alexandre de Moraes determinou, na segunda-feira (26), a apreensão dos passaportes de Flávio e proibiu o contato entre o senador e o advogado.
O fluxo financeiro investigado incluiria plataformas de apostas, empresas controladoras no exterior e outras companhias vinculadas formalmente ou por meio de supostos sócios de fachada ao advogado.
Segundo a reportagem original, a Polícia Federal afirmou ter encontrado “diversos elementos que evidenciam uma relação de proximidade entre Willer e Flávio Bolsonaro”.
As suspeitas descritas nas investigações não equivalem a uma condenação. Flávio Bolsonaro negou irregularidades relacionadas ao financiamento do filme, e as informações sobre sua suposta viagem e eventual pedido de asilo precisam ser tratadas conforme o grau de confirmação disponível.
Visto
O governo do presidente Donald Trump está ciente da chegada de Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos e concederá vistos ao senador e aos familiares que o acompanham, autorizando a permanência deles no país. A informação foi confirmada por uma autoridade da Casa Branca à Folha de S.Paulo, após aliados da família Bolsonaro afirmarem anteriormente que o parlamentar receberia asilo.
Duas pessoas ligadas à família Bolsonaro disseram que Flávio chegou aos Estados Unidos nesta terça-feira (27), por volta das 16h20. Ele teria viajado acompanhado da mulher, Fernanda, e das duas filhas.
Segundo um americano ligado ao governo Trump e uma pessoa próxima do senador que acompanhou sua movimentação, a operação para retirá-lo do Brasil teria contado com a participação ativa do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio.
A possibilidade de Flávio deixar o país caso perdesse a eleição presidencial havia sido mencionada pelo irmão, Eduardo Bolsonaro, na semana passada. Em entrevista ao podcast Louder with Crowder, Eduardo justificou essa possibilidade citando uma declaração de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante um debate presidencial na Band, em 18 de outubro. Na ocasião, segundo o relato original, Lula afirmou que Flávio perderia a imunidade caso não fosse eleito.
Aliados comentam chegada aos Estados Unidos
Flávio teria deixado o Brasil dois dias após perder a eleição presidencial para Lula. O empresário Paulo Generoso, que mora em Dallas e é amigo da família Bolsonaro, publicou uma mensagem no Instagram agradecendo a Marco Rubio pelo “apoio ao patriota Flávio Bolsonaro. Chupa Xandão”.
Segundo um aliado, o senador não teria passado pela Argentina, hipótese inicialmente levantada por autoridades brasileiras na manhã desta terça-feira (27).
No início do dia, pessoas próximas a Flávio afirmaram desconhecer o paradeiro do parlamentar e ironizaram a possibilidade de uma viagem aos Estados Unidos. “Só se ele estiver louco” e “está vindo de foguete do Elon Musk” foram algumas das respostas relatadas pela publicação.
O blogueiro bolsonarista Allan dos Santos também comentou a possibilidade de o senador ter deixado o Brasil. Embora tenha afirmado que não possuía informações detalhadas, defendeu que Flávio deveria proteger a família.
“Então eu espero, sim, que ele tenha saído do país. Eu não tenho nenhuma informação com certeza, mas eu espero que o Flávio possa ter saído do Brasil.”
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL) também se manifestou nas redes sociais. “Se um candidato a presidente que recebe 60 milhões de votos precisa (supostamente) sair do país, que segurança tem um cidadão comum que se opõe ao atual regime?”, escreveu.
Decisão de Moraes e passaportes
A decisão de viajar aos Estados Unidos teria sido tomada na segunda-feira (26), depois que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou o recolhimento dos passaportes brasileiro e italiano de Flávio Bolsonaro. O senador possui cidadania italiana.
A Polícia Federal cancelou o passaporte brasileiro do parlamentar após o descumprimento da determinação judicial. O documento italiano, entretanto, continuaria válido, segundo o relato original.
A PF também emitiu um alerta para monitorar as fronteiras e verificar se Flávio havia deixado o território brasileiro. A medida, conforme a publicação, poderia ter sido adotada tarde demais diante dos relatos de que o senador já estaria nos Estados Unidos.

