Da Redação
Fazendeiros teriam ameaçado invadir uma terra indígena na Amazônia caso Flávio Bolsonaro (PL) vença a eleição presidencial de 2026, segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada nesta segunda-feira (12). O jornal reuniu oito áudios com relatos de possíveis invasões à Terra Indígena Apyterewa, no Pará, previstas para o dia 25 de outubro, data do segundo turno.
De acordo com a publicação, as mensagens foram enviadas por WhatsApp a indígenas da região nos últimos dias. Por razões de segurança, a Folha informou que não divulgou a transcrição dos áudios nem a identidade dos envolvidos.
Nos registros, os supostos fazendeiros afirmam que aguardariam o resultado da eleição para entrar no território e construir propriedades rurais. Segundo os relatos, eles apostariam que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro e a atuação do governador eleito do Pará, Dr. Daniel (Podemos), favoreceriam a retirada da área dos indígenas para destiná-la a pecuaristas.
Os indícios chegaram às autoridades federais e foram discutidos em reunião do Comitê de Desintrusão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizada na última quinta-feira (8).
Terra indígena Apyterewa tem histórico de conflitos
O caso envolve a Terra Indígena Apyterewa, localizada em São Félix do Xingu, no Pará, nas proximidades do rio Xingu. O território é tradicionalmente ocupado pelo povo indígena parakanã e tem histórico de invasões, violência e desmatamento.
A região registrou um pico de desmatamento durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Pecuaristas chegaram a estabelecer uma ocupação conhecida como Vila Renascer dentro da área protegida.
Além das ameaças de invasão, o governo federal apura se incêndios florestais registrados no território foram provocados deliberadamente por fazendeiros. A suspeita amplia a preocupação com a segurança dos indígenas e a preservação ambiental da região.
Polícia Federal e órgãos ambientais monitoram a situação
A situação é acompanhada pela Polícia Federal (PF), pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e pelo Ministério dos Povos Indígenas.
O monitoramento busca acompanhar as ameaças relatadas e os possíveis riscos de novas ocupações ilegais. Até o momento, as informações divulgadas pela reportagem se baseiam nos áudios e relatos reunidos pelo jornal, sem identificação pública dos supostos autores das ameaças.

