Da Redação
A campanha do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu a prisão preventiva e um mandado de busca e apreensão contra George Marques, coordenador-geral de Estratégia e Informação da Presidência. A defesa acusa o servidor de difundir e incentivar a circulação de desinformação relacionada ao caso envolvendo Nossa Senhora Aparecida. A informação é do site UOL.
A notícia-crime foi apresentada ao Ministério Público Eleitoral e menciona repostagens feitas por Marques no X, antigo Twitter. Segundo os advogados, uma das publicações compartilhadas pelo servidor orientava usuários a interromper a divulgação de uma retratação e continuar disseminando a informação falsa.
“Repostar é divulgar”, afirmam os advogados da campanha.
De acordo com o documento, Marques republicou às 8h31 de sexta-feira (25) uma mensagem de outro usuário. O conteúdo dizia: “Parem de divulgar a retratação. Deixem o assunto rolar. […] Continuem compartilhando que nossa senhora foi atacada, precisa chegar no interior do Nordeste, no interior do Norte”.
A publicação foi posteriormente apagada do perfil de Marques. Para a defesa de Flávio, o servidor teria utilizado sua audiência nas redes sociais para estimular a continuidade da circulação da informação.
“Sabendo que uma mentira eleitoral havia sido desmentida em rede nacional e declarada inverídica pelo Tribunal Superior Eleitoral, difundiu a seus 211.800 seguidores nas redes sociais, com todas as letras, a ordem para que a retratação deixasse de circular para que a mentira continuasse sendo propagada”, apontou a defesa.
Planalto contesta acusação
Em nota, o Palácio do Planalto afirmou que as alegações apresentadas por Flávio Bolsonaro não procedem. A Secretaria de Comunicação da Presidência da República classificou o pedido de prisão como injusto e arbitrário.
“Causa especial estranheza e indignação o pedido injusto e arbitrário de prisão de um cidadão brasileiro”, afirmou a Secretaria de Comunicação da Presidência da República.
A Secom também afirmou que Flávio Bolsonaro distorce os fatos ao atribuir ao governo federal a responsabilidade pela publicação feita por Marques. Segundo a secretaria, a manifestação ocorreu em caráter pessoal, em perfil particular, fora do horário de expediente e com equipamento próprio.
“É importante esclarecer que, ao atribuir ao Governo Federal a responsabilidade por uma republicação realizada pelo senhor George Marques, o candidato distorce os fatos e ignora deliberadamente que a manifestação ocorreu em caráter estritamente pessoal, por meio de perfil particular, fora do horário de expediente e com a utilização de equipamento próprio.”
A secretaria declarou ainda que o governo tem “compromisso com a liberdade de expressão e de religião de todos os brasileiros”. A Secom também manifestou “repúdio e profunda preocupação com o patrulhamento e a censura impostos à população nesse episódio, a pedido do candidato Flávio Bolsonaro”.
Entenda o caso envolvendo Nossa Senhora Aparecida
A controvérsia sobre Nossa Senhora Aparecida ganhou força nas redes sociais na quinta-feira (24), após circular a informação de que Flávio Bolsonaro apoiaria uma proposta para retirar da santa o título de padroeira do Brasil.
O candidato negou a informação e recorreu às redes sociais para desmentir o conteúdo. Na sexta-feira (25), o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que plataformas como X, Facebook, Instagram, TikTok e YouTube removessem publicações que apresentassem como verdadeira a informação de que Flávio ou integrantes de sua família pretendiam retirar o título de Nossa Senhora Aparecida.
A decisão do TSE classificou a afirmação como “notoriamente inverídica” e determinou que as plataformas também atuassem preventivamente contra conteúdos equivalentes. A medida previa multa diária de R$ 50 mil por provedor em caso de descumprimento.
Na noite de quinta-feira (24), o assunto ganhou ainda mais repercussão após um comentário na GloboNews. Trechos retirados de contexto passaram a circular nas redes sociais, e o canal posteriormente pediu desculpas e corrigiu a informação.
Pedidos da defesa
Segundo a defesa de Flávio, a publicação de Marques não teria sido um episódio isolado. O documento afirma que o servidor “continuou repostando manifestações com o mesmo teor”.
Uma das publicações mencionadas pela campanha dizia que “a igreja católica está sendo perseguida no Brasil por Flavio Bolsonaro”.
A notícia-crime pede a abertura de procedimento investigatório ou inquérito policial para apurar possíveis crimes previstos no Código Eleitoral e no Código Penal, entre eles divulgação de fatos sabidamente inverídicos durante a propaganda ou campanha eleitoral, incitação ao crime e associação criminosa.
A defesa também solicita “a expedição de mandado de busca e apreensão” contra Marques. O objetivo seria “apreender o seu computador e o seu aparelho celular, bem como quaisquer outros instrumentos eletrônicos que possam conter provas de materialidade do delito”.
A campanha pede ainda, em caráter liminar, a prisão preventiva de George Marques. Como alternativa, solicita que a Justiça Eleitoral determine medidas cautelares, como a suspensão do exercício da função pública e a proibição de utilização das redes sociais.
Outro pedido é para que Marques seja proibido de divulgar o assunto por qualquer meio.
“Quando a mentira atinge o Governo, a Secom desmente. Quando atinge o adversário, seu coordenador de estratégia não somente recomenda não propagar a retratação, mas incita os seus seguidores a compartilharem ainda mais a mentira”, afirma a campanha.
A campanha de Flávio Bolsonaro também argumenta que, a nove dias do primeiro turno, a permanência da informação em circulação representaria prejuízo ao processo eleitoral.
“A 9 dias do primeiro turno, cada hora em que a mentira segue circulando com a chancela de um servidor da Presidência da República é uma hora de dano irreparável à liberdade do voto e à higidez do pleito”, afirma a campanha.
Manifestação do servidor
Após a repercussão do caso, George Marques afirmou ao Poder360 que seu perfil no X é pessoal, voltado a política e humor, e disse não concordar com o conteúdo da publicação. Ele declarou que, caso tenha feito o repost, isso teria ocorrido por engano, durante uma sequência de compartilhamentos.
O caso ocorre no contexto da disputa eleitoral de 2026 e depois de o TSE determinar a retirada de publicações que vinculavam Flávio Bolsonaro ou sua família à suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

