sábado, 13 junho, 2026

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Gripes, resfriados, alergias e acúmulo de água estão entre as causas da otite

Da Redação

Gripes, resfriados e alergias estão entre os principais fatores que podem desencadear a otite média aguda, uma inflamação ou infecção que afeta a região localizada atrás do tímpano e provoca dor intensa no ouvido. A condição ocorre devido à ligação entre ouvido, nariz e garganta por meio da tuba auditiva. Quando secreções se acumulam, o canal pode ser bloqueado, gerando pressão e desconforto.

Segundo a otorrinolaringologista Dra. Bárbara Salgueiro, do HOPE – Hospital de Olhos de Pernambuco, o problema é especialmente comum entre bebês e crianças pequenas.

“Essa é uma complicação bastante comum em bebês e crianças, principalmente porque nos primeiros anos de vida a tuba auditiva é mais curta e horizontal, o que facilita o acúmulo de secreções. Além disso, o fato de terem o sistema imunológico ainda em desenvolvimento torna as crianças mais suscetíveis que os adultos a infecções de ouvido”, explica.

Otite externa também exige atenção

Outro tipo frequente da doença é a otite externa, conhecida popularmente como “ouvido de nadador”. Nesse caso, a infecção atinge a pele do canal auditivo externo e costuma estar associada ao excesso de umidade.

“Ela costuma ser causada pela retenção da água após nadar ou tomar banho de forma prolongada, sendo que essa umidade cria um ambiente propício para fungos e infecções. Outro fator de risco é a manipulação do ouvido com os dedos ou objetos, como hastes flexíveis”, complementa a médica.

Sinais de alerta em crianças e adultos

Nas crianças, os sintomas podem ser mais difíceis de identificar. Febre acompanhada de congestão nasal e coriza, irritabilidade, choro frequente, dificuldade para dormir, recusa alimentar e o hábito de levar constantemente as mãos às orelhas podem indicar a presença de uma infecção.

Nos casos mais avançados, pode ocorrer saída de secreção pelo ouvido. Já nos adultos, embora a dor seja um dos principais sintomas, a origem do problema nem sempre está diretamente no ouvido.

Dor pode ter origem em outras regiões do corpo

A especialista alerta para a chamada otalgia referida, condição em que a dor sentida no ouvido tem origem em outras estruturas do organismo.

“Este fenômeno é chamado de otalgia referida e pode indicar problemas na garganta, dentes, articulação temporomandibular (que liga a mandíbula ao crânio), musculatura cervical e até alterações na coluna. Isso ocorre porque o ouvido compartilha vias nervosas com estruturas próximas. A pessoa sente uma dor secundária, que tem sua origem em outra parte do corpo. Nesses casos é preciso tratar a causa. Por exemplo, indicar antibióticos, se a pessoa estiver com uma infecção de garganta”, esclarece a otorrinolaringologista.

Diagnóstico deve ser feito por especialista

O diagnóstico correto da otite é realizado por meio da otoscopia, exame específico feito pelo médico otorrinolaringologista. A avaliação permite identificar o tipo de inflamação e indicar o tratamento adequado para cada caso.

A especialista também faz um alerta sobre práticas caseiras frequentemente utilizadas para aliviar a dor de ouvido.

“Em caso de dor de ouvido, é essencial nunca adotar soluções caseiras, como introduzir azeite, alho, leite materno ou vinagre no canal auditivo. Além do risco de agravar a infecção, podem ocorrer reações alérgicas, queimaduras e até perda auditiva permanente, especialmente se houver perfuração do tímpano”, destaca.

Cuidados recomendados

De acordo com a médica, medidas simples podem ajudar a aliviar o desconforto até a avaliação especializada. O uso de analgésicos comuns, desde que não exista alergia aos componentes da medicação, e a realização de compressas mornas na região podem ser alternativas seguras.

Caso a dor persista ou apresente agravamento, a recomendação é procurar atendimento médico e seguir rigorosamente o tratamento prescrito para evitar complicações.

A prevenção também inclui evitar a introdução de objetos no ouvido, manter a higiene adequada da região e buscar tratamento para gripes, resfriados e alergias que possam favorecer o surgimento da doença.

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