Da Redação
Entre aves, mamíferos e répteis, 710 animais silvestres foram resgatados em Salvador em 2026. No ano passado, o número chegou a 4.838 animais encontrados ou apreendidos no município. Os dados são do Grupamento Especial de Proteção Ambiental da Prefeitura de Salvador (Gepa), unidade especializada da Guarda Civil Municipal (GCM).
Desde a criação do Gepa, em 2014, as equipes já resgataram mais de 260 espécies de animais silvestres. Entre os animais encontrados com maior frequência estão jiboias, sariguês, saguis, corujas, iguanas, jararacas e carcarás.
As solicitações de resgate partem principalmente dos bairros da Barra, Pituba, Itaigara, Piatã e Brotas, além de regiões próximas à Avenida Paralela.
Contato com animais pode configurar crime ambiental
O coordenador do Gepa, Robson Pires, explica que o simples ato de apanhar um animal silvestre já pode configurar crime ambiental, sujeito a multa e detenção, conforme a Lei de Crimes Ambientais.
“A população não deve entrar em contato com o animal de maneira nenhuma, pois aquele animal está fora de seu habitat, estressado e pode vir a machucar aquela pessoa; ou a pessoa machucar o animal”, alerta.
Segundo o coordenador, o manejo deve ser realizado exclusivamente por equipes especializadas, que utilizam equipamentos adequados para a captura e o transporte dos animais.
Os agentes do Gepa acumulam mais de 400 horas de treinamento, com capacitações em Gestão Ambiental e Sustentabilidade, Fiscalização Federal Ambiental e Manejo e Captura de Animais Silvestres, entre outros cursos.
Ao avistar um animal fora de seu habitat natural, a orientação é acionar a Guarda Civil Municipal pelos telefones (71) 3202-5323 ou final 5343.
“A Guarda Municipal de Salvador possui uma central de operações que recebe todas as solicitações e repassa para as unidades responsáveis. No caso de resgate de animais silvestres, as informações são passadas para a equipe que estiver de plantão no Gepa. Agentes são imediatamente enviados até o local e realizam o serviço de maneira rápida, prática e segura”, aponta Robson Pires.
Animais são encaminhados para triagem
Após o resgate, os animais são encaminhados para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama/Inema, localizado no Parque de Pituaçu.
No local, biólogos e veterinários realizam procedimentos de triagem, observação, avaliação e tratamento. Após a recuperação, os animais são destinados à soltura em seu habitat natural, quando as condições permitem.
Períodos de chuva e calor aumentam ocorrências
A quantidade de animais silvestres encontrados em áreas urbanas tende a aumentar durante períodos de altas temperaturas ou de excesso de chuvas. Nessas condições, muitos animais deixam os locais naturais onde vivem e podem procurar abrigo em casas, estabelecimentos comerciais, indústrias e até veículos.
Para o coordenador do Gepa, a percepção de que esses animais estão aparecendo com mais frequência nas cidades também está relacionada à ampliação da atuação das equipes de resgate e à maior visibilidade dos casos.
“Esses animais sempre estiveram nos centros urbanos, nas áreas ainda preservadas, e devem permanecer lá, pois são importantíssimos para o equilíbrio ambiental das áreas urbanizadas”, pontua.
