quarta-feira, 5 agosto, 2026

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Haja xixi! Bexiga hiperativa afeta milhões e exige diagnóstico precoce

Da Redação

A vontade repentina e incontrolável de urinar, a necessidade frequente de ir ao banheiro durante o dia ou acordar diversas vezes à noite para esvaziar a bexiga não fazem parte do envelhecimento natural. Esses sintomas podem indicar a Síndrome da Bexiga Hiperativa (SBH), condição que afeta milhões de pessoas e, muitas vezes, permanece sem diagnóstico devido ao constrangimento e à falta de informação.

De acordo com diretrizes da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a síndrome acomete cerca de 17% da população adulta, percentual que aumenta com o avanço da idade. Estudos também apontam que mais de 20% dos adultos apresentam sintomas compatíveis com a doença. Com base nas estimativas populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), isso representa dezenas de milhões de brasileiros convivendo diariamente com o problema.

Embora seja mais conhecida entre as mulheres, a bexiga hiperativa também pode afetar homens e surgir em qualquer fase da vida. O principal sintoma é a urgência urinária – sensação súbita de que não é possível adiar a ida ao banheiro. O quadro pode ser acompanhado por aumento da frequência urinária, necessidade de levantar durante a noite (noctúria) e perda involuntária de urina.

Segundo a fisioterapeuta pélvica Patrícia Lordêlo, pós-doutora em Ginecologia, um dos maiores desafios é combater o preconceito que impede muitas pessoas de procurar atendimento.

“Muitas pessoas deixam de viajar, trabalhar, frequentar eventos ou até dormir bem porque vivem procurando um banheiro. É uma condição que compromete profundamente a qualidade de vida, mas continua sendo escondida por vergonha. Quanto mais cedo o paciente procura atendimento, maiores são as chances de controlar os sintomas e recuperar sua autonomia.”

Possíveis causas

Na maioria dos casos, a síndrome não possui uma causa única. Ela está relacionada à contração involuntária do músculo da bexiga, mesmo quando o órgão ainda não está cheio.

Segundo Patrícia Lordêlo, entre os fatores de risco estão o envelhecimento, obesidade, diabetes, doenças neurológicas – como Parkinson, Acidente Vascular Cerebral (AVC) e esclerose múltipla -, alterações hormonais, hiperplasia benigna da próstata nos homens, consumo excessivo de cafeína, álcool e outras substâncias irritantes para a bexiga, além do enfraquecimento da musculatura do assoalho pélvico.

A especialista acrescenta que estresse, ansiedade e fatores emocionais também podem agravar os sintomas, tornando o acompanhamento multidisciplinar ainda mais importante.

Como prevenir

Embora nem todos os casos possam ser evitados, hábitos saudáveis ajudam a reduzir o risco e controlar os sintomas. Entre as principais recomendações estão manter o peso adequado, fortalecer a musculatura do assoalho pélvico, controlar doenças crônicas, evitar o consumo excessivo de café, refrigerantes, bebidas alcoólicas e energéticos, manter boa hidratação sem exageros, não prender a urina por longos períodos e procurar avaliação médica aos primeiros sinais.

Tratamento

O tratamento da bexiga hiperativa é individualizado e pode incluir reeducação da bexiga, fisioterapia pélvica, treinamento comportamental, mudanças na alimentação, uso de medicamentos e, em situações específicas, terapias mais avançadas.

De acordo com Patrícia Lordêlo, muitos pacientes apresentam melhora significativa apenas com a adoção de hábitos saudáveis e o fortalecimento da musculatura pélvica.

“A pessoa não precisa conviver com esse sofrimento. Existem tratamentos seguros, eficazes e baseados em evidências científicas. O mais importante é abandonar a ideia de que perder urina ou viver correndo para o banheiro é algo normal.”

Atendimento pelo SUS

Moradores de Salvador que apresentam sintomas de bexiga hiperativa podem buscar atendimento especializado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Instituto Patrícia Lordêlo. A instituição também abriga o Centro de Atenção ao Assoalho Pélvico (CAAP), grupo de pesquisa dedicado ao diagnóstico, tratamento e reabilitação de doenças que afetam homens e mulheres e que, muitas vezes, permanecem invisibilizadas pelo preconceito e pela falta de informação.

Diagnóstico precoce ajuda na qualidade de vida

A bexiga hiperativa é considerada uma síndrome crônica, mas, quando diagnosticada precocemente, pode ser controlada com tratamentos conservadores e mudanças de hábitos, reduzindo o impacto sobre a qualidade de vida.

Especialistas reforçam que sintomas urinários persistentes não devem ser tratados como consequência natural da idade e merecem avaliação por profissionais de saúde para definição do tratamento mais adequado.

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