Da Redação
O deputado estadual Hilton Coelho (PSOL) apresentou, na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), uma moção de pesar pelos 57 anos do assassinato de Carlos Marighella, dirigente revolucionário e militante comunista baiano que se tornou uma das principais referências da resistência à ditadura militar no Brasil. Marighella foi morto em 4 de novembro de 1969, em São Paulo, por agentes do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), durante uma operação do aparato repressivo do regime.
Na manifestação, Hilton destacou a importância de preservar a memória do militante e de reconhecer sua trajetória de enfrentamento à opressão, à exploração e ao autoritarismo.
Nascido em Salvador, em 5 de dezembro de 1911, Marighella dedicou a vida à atuação política. Foi deputado federal constituinte pela Bahia, mas teve o mandato cassado após a ilegalização do Partido Comunista. Antes mesmo do golpe de 1964, enfrentou prisões, perseguições e torturas.

Foto: Wikimedia Commons
Com a instalação da ditadura, passou à clandestinidade e participou da fundação da Ação Libertadora Nacional (ALN), tornando-se um dos principais alvos da repressão política. Para Hilton Coelho, seu assassinato, aos 57 anos, integrou uma política de Estado marcada pela perseguição, tortura, execução e desaparecimento de opositores.
“Marighella foi um baiano que enfrentou de cabeça erguida a violência de um regime que queria destruir qualquer possibilidade de organização popular e contestação política”, afirmou o deputado, no documento.
“Foi perseguido, preso, torturado e assassinado, mas não conseguiram eliminar sua história nem apagar as ideias pelas quais lutou. A ditadura queria impor o silêncio pelo medo. A memória de Marighella é uma resposta permanente a essa tentativa de silenciamento”, acrescentou.
Memória, democracia e justiça
O parlamentar ressaltou que a homenagem não deve ser tratada apenas como uma formalidade institucional ou uma lembrança distante. Marighella, homem negro, filho de uma trabalhadora negra e de um imigrante italiano, representa uma trajetória de enfrentamento às estruturas de dominação e desigualdade.
Segundo Hilton, sua memória permanece presente nas lutas de trabalhadores, estudantes, mulheres e movimentos populares, além de todos aqueles que contestam as injustiças sociais.
“Não existe democracia verdadeira sem memória, verdade e justiça. Os crimes da ditadura não podem ser relativizados, os torturadores não podem ser celebrados e a violência de Estado não pode ser naturalizada. É preciso conhecer a história para impedir que o autoritarismo volte a avançar”, destacou o deputado.
Para Hilton Coelho, recordar os 57 anos do assassinato de Marighella também significa analisar criticamente o cenário atual e enfrentar manifestações de autoritarismo, racismo, exploração e repressão.
“Marighella não pertence apenas aos livros de história. Sua memória está nas ruas, nas organizações populares e em cada pessoa que luta por uma sociedade sem fome, exploração, racismo e opressão. Não basta homenagear quem resistiu à ditadura: é preciso continuar a luta por liberdade, justiça social e igualdade. Carlos Marighella, presente!”, concluiu.

