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“Hospital Mater Dei vai gerar 2 mil empregos diretos” diz Henrique Salvador, presidente da rede


Publicado em: 01/05/2022 21:58
Por: Redação Bahia Municipios com Jornal CORREIO Foto: Divulgação


Com a aquisição do Empreendimentos Médico Cirúrgicos Ltda (EMEC), em Feira de Santana, no início deste ano, e a construção de um hospital, que levará o nome de Mater Dei, a rede mineira de serviços de saúde está desembarcando na Bahia com um investimento combinado de R$ 700 milhões, sendo R$ 200 milhões em Feira e R$ 500 milhões em Salvador. Para o presidente da Rede Mater Dei, o médico Henrique Salvador, a inauguração da unidade, prevista para o próximo domingo (1º), colocará a capital baiana entre as poucas cidades do país com um equipamento hospitalar do tipo.

“(Salvador) É uma das quatro cidades mais populosas do país, é a porta de entrada do Nordeste. Tem uma área de influência que vai muito além dela própria, porque a Bahia é um estado grande e Salvador é um polo de influência”, explica. Isso e uma razão afetiva, que ele faz questão de frisar: a mãe é baiana, de Feira. Salvador acredita que o Mater Dei deverá funcionar como um hub de desenvolvimento para a região. De cara, o início da operação resultará em 800 empregos diretos, mas o número vai chegar a 2 mil, quando todos os 370 leitos estiverem em funcionamento.

Quem é 
Henrique Salvador é o presidente da Rede Mater Dei, fundada por José Salvador Silva, pai de Henrique Salvador, em 1980, em Belo Horizonte. Antes de assumir papel importante na Rede Mater Dei, Henrique Salvador integrou os grupos do Hospital Sírio-Libanês e Hospital Albert Einstein. Henrique Salvador é  graduado em medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais. No Mater Dei, foi diretor comercial e diretor clínico. Também foi presidente da Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP). Depois disso, assumiu o cargo de diretor do serviço de mastologia e presidente do Hospital, que conta com três unidades em Belo Horizonte. O médico é também Membro Titular da Academia Mineira de Medicina e professor livre docente de ginecologia da Fundação Dom André Arcoverde, no Rio de Janeiro.

A rede Mater Dei é bastante consolidada em Minas Gerais, desde a década de 80. Por que esse movimento de expansão agora?
Esse é um movimento que se explica por um fenômeno que tem acontecido no mundo inteiro e agora, mais recentemente estamos verificando no Brasil. Existia uma lei no país que impedia que empresas prestadoras de serviços hospitalares tivessem acesso a capital estrangeiro, que pudessem abrir o capital na bolsa, ou se capitalizar de alguma maneira para crescer. Há uns cinco anos, essa lei mudou, permitindo que essas empresas pudessem acessar esses recursos. Isso coincidiu com um momento em que algumas organizações hospitalares chegaram à conclusão de que precisavam crescer até para se posicionarem melhor. E o que este crescimento nos permite? O Brasil tem aproximadamente 4,5 mil hospitais privados, muitos são pequenos. Estes estabelecimentos tem poucas condições de negociar com fornecedores de equipamentos e até com as operadoras de planos de saúde. Quando você consolida mais unidades debaixo de uma mesma bandeira, passa a ter possibilidade de negociar melhor os insumos. Crescer nos dá a oportunidade de nos relacionar de maneira mais relevante com os diversos públicos. Podemos atrair médicos mais talentosos, ser mais relevantes para alguns operadores de planos de saúde, consegue investir mais em segurança e qualidade hospitalar.

Como foi o começo de vocês?
Nós nascemos em Belo Horizonte como um hospital pequeno, que é o atual bloco 1 do Mater Dei Santo Agostinho. Depois, em 2000, fizemos a primeira expansão com o bloco 2 do mesmo hospital, que hoje tem 350 leitos. Em 2014, inauguramos o Mater Dei Contorno, que é um hospital de 63 mil metros quadrados de área, 370 leitos, e em 2019, fundamos o Mater Dei Betin Contagem, que é o terceiro hospital da rede. Sempre construindo hospitais, nunca comprando. E a conclusão que chegamos há 3 anos, porque a gente vinha sendo muito assediado por outras redes, era de que a gente sabia operar hospitais, temos pessoas em quem investimos bastante no desenvolvimento. Nossos hospitais sempre tiveram as melhores certificações do mundo em qualidade e em segurança assistencial. Hoje, os hospitais de Belo Horizonte são todos certificados pela JCI, que é a Joint Commission Internacional, a principal certificadora do mundo na área. Avançamos bastante em governança também, temos um conselho de administração que tem cinco membros independentes. Nós nos preparamos bastante para fazer o grupo crescer. Investimos numa área financeira mais robusta, fizemos uma reorganização societária. Enfim, nos preparamos. No final, fizemos uma capitalização pública, com a abertura de capital.

Vocês já enxergavam uma demanda de mercado, faltavam apenas as condições para viabilizar o processo? 
Faltavam as condições de capital, dinheiro mesmo para conseguir expandir.

Por que a escolha de Salvador?

Existem alguns motivos. É uma das quatro cidades mais populosas do país, é a porta de entrada do Nordeste. Tem uma área de influência que vai muito além dela própria, porque a Bahia é um estado grande e Salvador é um polo de influência. Por isso, achamos que era um movimento natural. Mas tem também uma questão afetiva, minha mãe é de Feira de Santana e nós fomos criados visitando bastante a Bahia, onde temos muitos amigos, inclusive na área médica. A gente identificou que há muitos anos não se construía um hospital com as características dos hospitais da rede Mater Dei. Era uma oportunidade porque em todas as outras capitais do mesmo porte já existiam equipamentos parecidos com os nossos. Além disso tudo, fizemos uma pesquisa de terrenos e encontramos um terreno único, que é onde construímos, na antiga fábrica de refrigerantes, com 8 mil metros quadrados, na esquina de duas das principais avenidas da cidade, no Rio Vermelho. Foi uma conjunção de fatores.

Qual o impacto que o senhor imagina que esta estrutura poderá trazer para Salvador?
Um equipamento hospitalar desta complexidade se constitui num hub para o fomento de outros negócios. É tanto que quando se constrói um hospital num lugar distante, em pouco tempo ele começa a ser habitado. Começam a se desenvolver clínicas de atendimento, médicos estabelecem consultórios próximos, pequenos comércios são abertos, pessoas se mudam para morar perto do trabalho. Na realidade, é um equipamento que valoriza muito a região. Traz muito desenvolvimento, além dos empregos diretos. Nós estamos empregando já na partida 800 pessoas e vamos chegar a 2 mil empregos diretos. Vamos inaugurar de maneira faseada, à medida em que a demanda for chegando, vamos abrindo mais espaços, até chegarmos à ocupação dos 370 leitos, que é o total que ele terá.

Pensando nos empregos, estamos falando de um volume grande de profissionais com um nível elevado de especialização, não é?
Sim e eu aproveito para falar um pouco sobre a nossa cultura de investimento no desenvolvimento de pessoas. Para este hospital, montamos um centro de simulação realística, onde a gente colocou manequins para treinar alguns profissionais que irão trabalhar no hospital. Já estão há mais de um ano trabalho. E aí, ensina-se como auferir pressão, pegar veia, fazer procedimentos de enfermagem. Isso ajuda a integrar as equipes assistenciais. Outra coisa, é que desenvolvemos junto com a Prefeitura de Salvador um programa para o primeiro emprego, onde captamos vários jovens e trouxemos para dentro da rede e vamos desenvolve-los. Temos, por exemplo, um centro de formação profissional onde fazemos convênios com escolas de enfermagem e nos dois últimos semestres trazemos os estudantes para dentro do hospital para uma capacitação técnica e comportamental. Temos mais de 110 médicos fazendo residências nos nossos hospitais. Temos um programa, em conjunto com a Fundação Dom Cabral, para desenvolver líderes em três estágios diferentes de formação. Para a enfermagem de nível superior, temos um curso de especialização de um ano. Hoje, 63% de nossas lideranças foram desenvolvidas internamente. É isso tudo o que estamos levando para Salvador. Na verdade, a obra é só a casca deste projeto. Quando a obra começa, a gente inicia também o desenvolvimento de pessoas.

Trabalhar a equipe é tão importante quanto cuidar da estrutura?
A obra é o corpo, o espírito, a alma do hospital, são as pessoas. Não adianta ter um prédio bonitinho e ordinário. Tem que ser moderno, que tenha uma estrutura diferenciada, mas a capacidade de acolher bem e atender com qualidade é o que sempre fez a diferença para nós. E não basta que nós estejamos dizendo isso, são as normas certificadoras que apontam isso.

Como vocês chegaram a esse modo de atender?
Isso vem da nossa origem. O nosso fundador, que é o presidente do conselho e que hoje está com 90 anos, o meu pai, doutor Salvador, é um médico que fez mais de 20 mil partos ao longo de sua vida. Ele exerceu a medicina de maneira muito diferenciada, assim como eu, minha mãe e minhas irmãs. Minha mãe saiu de Feira de Santana para estudar medicina em Belo Horizonte. Chegando lá, casou com meu pai e ficou. A família se desenvolveu em Minas, mas sempre com um vínculo muito grande em relação à Bahia. Nós sempre tivemos um atendimento personalizado, nosso telefone celular fica à disposição dos pacientes. Muita gente nos acessa em momentos de aflição. E os colaboradores vão vendo através do exemplo como a gente atua. Isso cria um círculo virtuoso de colocar a equipe à disposição das pessoas. Os residentes aprendem isso, funcionários que trabalham, muitos há 30 anos, já assimilaram essa cultura e isso vai se disseminando. As pessoas percebem rápido que para trabalhar conosco precisam ter algumas características. É uma seleção quase natural.

O exemplo arrasta. 
Sim e eu vou na frente puxando. Tem que ter isso, mas não adianta ter só a intenção, a gente construiu sistemas de controle, de gestão. Temos indicadores muito claros que medem a satisfação do usuário, estamos sempre monitorando o que nossos colaboradores precisam desenvolver. Aí acaba acontecendo quase que uma depuração, porque pessoas que apresentam desvios em relação ao propósito não conseguem ficar. É algo que requer muito trabalho e foco e nem todos conseguem fazer isso.

O que o senhor considera que mais vai chamar a atenção dos primeiros pacientes?

É um projeto muito moderno, não apenas enquanto prédio, mas em fluxos hospitalares. Veja, não há cruzamentos de públicos que não precisam se cuidar. Temos elevadores que permitirão às pessoas se resguardarem, não ser expostas. Temos uma estrutura para esterilização de materiais que está entre as mais modernas do Brasil, que foi algo em que investimos muito. Os apartamentos têm vista para o mar. O acesso vertical é bastante facilitado. Temos um teto verde no 15º andar, com palmeiras, para humanizar. Nós temos no nosso centro cirúrgico um equipamento de tomografia que nos permite fazer cirurgias radio-guiadas, que é algo raro no Brasil. O robô que foi comprado para as cirurgias é o mais moderno do mundo.

Durante a construção surgiram algumas polêmicas em relação ao prédio. Essas críticas foram justas?
Olha, nem Jesus Cristo agradou a todos. Mas nós tivemos um cuidado muito grande de levar para Salvador um prédio moderno, sustentável, respeitando o meio ambiente, a vizinhança durante a construção, mas tem pessoas que criticam mesmo e por várias razões. A gente nem entra neste mérito porque seguimos toda  a legislação, o projeto foi aprovado em diversas instâncias. Obviamente as pessoas olham, por vários motivos que não vou entrar no mérito, e criticam. Mas a grande maioria das pessoas tem identificado neste hospital um grande avanço na assistência médico-hospitalar na Bahia. Salvador tem um corpo clínico muito diferenciado. Tivemos uma interação com quase mil médicos nestes dois anos  em Salvador e existia quase que uma demanda por parte deles para que houvesse um hospital com essas características, então estamos atraindo os principais talentos da cidade na área médica. Vamos responder, conversar, mostrar as vantagens do empreendimento, mas críticas vão haver sempre.

As empresas que atuam na área de saúde estão entre as que conseguiram crescer nestes dois últimos anos, que foram difíceis para a economia como um todo. O senhor espera a manutenção deste cenário, mesmo com o arrefecimento da pandemia?
Saúde privada depende muito do crescimento econômico. Existem estudos mostrando que ela está entre os principais desejos dos brasileiros, junto com educação e habitação. Tanto que durante a pandemia 1 milhão de novos usuários ingressaram no sistema privado de saúde brasileiro. Isso mostra que à medida em que o país for ficando economicamente mais forte, vai haver também a possibilidade da entrada de mais pessoas no sistema privado. Apenas 25% da população brasileira tem acesso ao sistema privado hoje, um pouco menos até. Então, eu vejo a possibilidade de expansão deste sistema. Em paralelo, está havendo uma consolidação de operações de planos, de hospitais e tem um movimento também que faz a economia girar, com a abertura de capitais das organizações. Num país com uma inflação mais baixa – ultimamente não, mas normalmente sim – há um interesse em investir na renda variável. À medida em que o país crescer, a inflação for controlada e os indicadores melhorarem, acho que em paralelo o sistema privado vai se fortalecer muito.

A gente tem um contingente grande de pessoas que precisam de atendimento, mas não tem condições de bancar isso. Por outro lado, temos o Sistema Único de Saúde (SUS) que muitas vezes atende aquém das expectativas. Como resolver essa encruzilhada? 
Achoq eu as parcerias público-privadas são um caminho. Acredito que o fortalecimento do sistema privado alivia a pressão em cima do SUS. Nós temos um dos sistemas de saúde pública melhor desenhados no mundo. A questão realmente é o acesso, ter equipamentos de saúde com capilaridade para atender as demandas geradas. Na pandemia, o SUS foi muito bem. A pandemia inclusive mostrou que projetos que reúnem a iniciativa privada e o setor público podem dar certo. Olha a quantidade de hospitais de campanha que foram criados e sustentados pela iniciativa privada. Nós mesmo nos envolvemos no hospital de Betim em um projeto a três mãos: o Mater Dei, um grupo de empresários e o governo estadual, para fornecer 180 leitos de UTI. Não foram usados porque não houve necessidade, mas depois as UTIs foram doadas para pequenos municípios que não tinham essas estruturas. Montamos também 20 leitos no Pará, no projeto Carajás. Participamos do desenvolvimento de respiradores junto com a indústria. Tem iniciativas em que o privado pode se aproximar da saúde pública para melhorar a saúde do brasileiro. Esse é um legado que a pandemia deixou que não pode ser menosprezado em hipótese alguma.

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