terça-feira, 3 novembro, 2026

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IBGE: Quase metade da população de Salvador vive em favelas

Da Redação

A Bahia tinha 1,37 milhão de pessoas vivendo em favelas e comunidades urbanas em 2022, o equivalente a 9,7% da população do estado. Em Salvador, a realidade era ainda mais expressiva: 1.033.258 moradores residiam nesses territórios, o que representava 42,7% da população da capital.

Os dados são do Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que também identificou desigualdades na infraestrutura e diferenças no perfil dos moradores dessas localidades.

Em todo o estado, o levantamento identificou 572 favelas, o oitavo maior número entre as unidades da Federação. Os territórios reuniam 1.370.202 moradores, correspondentes a 9,7% da população baiana. Na prática, aproximadamente uma em cada dez pessoas vivia nessas áreas.

Com esse contingente, a Bahia tinha a quarta maior população residente em favelas do país e a sétima maior proporção de moradores nesses territórios.

Salvador concentrava 262 das favelas identificadas no estado, o equivalente a 45,8% do total. A capital baiana ocupava a quinta posição entre os municípios brasileiros com maior número dessas áreas. Ao todo, 28 dos 417 municípios baianos registravam favelas em 2022.

Infraestrutura revela desigualdades

O Censo 2022 também apontou diferenças significativas no acesso à infraestrutura urbana entre moradores de favelas e pessoas que vivem fora desses territórios.

Na Bahia, apenas 40,1% dos moradores de favelas residiam em ruas com calçadas ou passeios. Nas demais localidades, o percentual chegava a 78,8%.

A arborização também apresentava diferenças. Nas favelas baianas, 74,5% da população vivia em vias sem árvores. Fora desses territórios, a proporção era de 51,8%.

Na área de acessibilidade, o cenário era ainda mais desigual. Somente 1,5% dos moradores de favelas no estado viviam em ruas com rampas para cadeirantes. Nas demais áreas, o índice alcançava 10,9%.

Os indicadores evidenciam disparidades nas condições de urbanização e acessibilidade, além de dimensionarem os desafios enfrentados pela população que reside nesses territórios.

Mulheres e população negra são maioria nas favelas

O levantamento do IBGE também identificou diferenças na composição demográfica das favelas em comparação com o conjunto da população baiana.

As mulheres correspondiam a 53,4% dos moradores desses territórios, totalizando 732.068 pessoas. Na população estadual como um todo, a participação feminina era de 51,7%.

Já a presença de pessoas com 60 anos ou mais era menor nas favelas. Esse grupo representava 12,7% dos moradores, o equivalente a 174.399 pessoas. No conjunto da Bahia, a proporção chegava a 15,3%.

Outro dado que chama a atenção é a composição racial. As pessoas que se declararam pretas correspondiam a 39,2% da população residente em favelas no estado, quase o dobro da proporção registrada no conjunto da população baiana, de 22,4%.

O que o IBGE considera favela

No Censo Demográfico 2022, o IBGE voltou a utilizar a nomenclatura “favelas e comunidades urbanas”, após consultas a especialistas e movimentos sociais.

A classificação considera a predominância de domicílios com insegurança jurídica da posse e a presença de pelo menos uma característica adicional. Entre elas estão a oferta precária de serviços públicos, a infraestrutura autoproduzida e a localização em áreas onde a ocupação não é permitida por lei.

O levantamento reúne informações sobre a população, a distribuição geográfica e as condições urbanas desses territórios, oferecendo um retrato da realidade das favelas brasileiras em 2022.

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