Da Redação
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou deflação de 0,40% em agosto, após alta de 0,06% em julho. O resultado representa uma queda de 0,46 ponto percentual (p.p.) em relação ao mês anterior.
No acumulado do ano, o índice registra alta de 3,09%. Em 12 meses, a inflação acumulada é de 4,24%, abaixo dos 4,52% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em agosto de 2025, o IPCA-15 havia recuado 0,14%.
O resultado foi influenciado principalmente pelas quedas nos grupos Habitação (-1,41%), Transportes (-1,00%) e Alimentação e bebidas (-0,57%). Os demais grupos apresentaram variações entre -0,20% em Vestuário e 0,66% em Despesas pessoais.
Energia elétrica puxa queda da inflação
O grupo Habitação registrou queda de 1,41%, principalmente devido à energia elétrica residencial, que recuou 6,25% e teve impacto de -0,26 p.p. no índice geral.
Segundo o levantamento, o resultado foi influenciado pela incorporação do Bônus de Itaipu, creditado nas faturas emitidas em agosto.
A bandeira tarifária amarela continua em vigor neste mês, acrescentando R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.
Também foram incorporados reajustes tarifários de 19,55% em Curitiba, 14,89% em uma das concessionárias de Porto Alegre e 8,85% em uma das concessionárias de São Paulo.
Na tarifa de água e esgoto, que subiu 0,34%, foi considerado o reajuste de 3,55% em Salvador, vigente desde 20 de julho. Em Porto Alegre, houve aumento de 5,77%, com vigência desde 1º de julho.
O gás encanado teve alta de 0,81%, considerando reajustes aplicados em Curitiba e no Rio de Janeiro desde 1º de agosto.
Passagens aéreas e combustíveis ficam mais baratos
O grupo Transportes passou de uma alta de 0,11% em julho para queda de 1,00% em agosto.
A principal contribuição veio da redução de 13,30% nas passagens aéreas e de 1,43% nos combustíveis. O etanol caiu 3,63%, a gasolina recuou 1,23% e o óleo diesel teve redução de 0,71%.
Na contramão, o gás veicular aumentou 1,42%. As tarifas de táxi também subiram em Belo Horizonte, com reajuste de 8,42% aplicado a partir de 8 de agosto.
Tomate e batata têm fortes quedas
O grupo Alimentação e bebidas apresentou queda de 0,57% em agosto. A alimentação no domicílio recuou 0,97%, com destaque para o tomate (-27,38%), a batata-inglesa (-25,14%), a cenoura (-17,05%) e o café moído (-2,31%).
Entre as altas, destacaram-se o leite longa vida (3,41%) e as frutas (3,11%).
A alimentação fora do domicílio desacelerou de 0,55% em julho para 0,42% em agosto. O lanche subiu 0,75%, enquanto a refeição teve alta de 0,25%.
Cigarros e educação pressionam índice
O grupo Despesas pessoais teve alta de 0,66%, influenciada principalmente pelo aumento de 5,56% no preço do cigarro, aplicado a partir de 1º de agosto.
Já o grupo Educação avançou 0,46%, com reajustes nos cursos regulares, que subiram 0,52%. O ensino fundamental teve alta de 0,58%, enquanto o ensino superior aumentou 0,49%.
Nos cursos diversos, a alta foi de 0,36%, influenciada principalmente pelos cursos de idiomas, que ficaram 0,92% mais caros.
Saúde e cuidados pessoais
O grupo Saúde e cuidados pessoais apresentou alta de 0,40%. Os artigos de higiene pessoal subiram 0,47%, enquanto os planos de saúde tiveram alta de 0,42%.
Segundo o levantamento, a variação dos planos de saúde reflete a incorporação do reajuste autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Para os planos contratados após a Lei nº 9.656/98, o percentual é de até 5,11%, com vigência a partir de maio de 2026 e ciclo encerrado em abril de 2027.
Nos planos contratados antes da legislação, os percentuais autorizados foram de 5,52% e 6,20%, dependendo do plano.
Todas as regiões pesquisadas registram queda
As 11 áreas pesquisadas registraram variações negativas em agosto. A menor foi observada em Curitiba, com -0,82%, influenciada principalmente pelas quedas das passagens aéreas (-15,34%) e da energia elétrica residencial (-4,83%).
Em São Paulo, a variação foi de -0,06%. O resultado foi influenciado, entre outros fatores, pelas altas do leite longa vida (4,66%) e do conserto de automóvel (2,97%).
Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados entre 16 de julho e 14 de agosto de 2026 e comparados com os valores registrados entre 17 de junho e 15 de julho.
O indicador considera famílias com rendimento de 1 a 40 salários-mínimos e abrange regiões metropolitanas, incluindo Salvador, além de Brasília e do município de Goiânia. A metodologia é a mesma do IPCA, com diferença no período de coleta e na abrangência geográfica.

