quarta-feira, 26 agosto, 2026

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Jaques Wagner e ACM Neto são citados em delação de executivo da Reag

Da Redação

O ex-dono da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, apresentou à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma proposta de acordo de delação premiada que está em fase de ajustes finais antes da assinatura. A proposta, divulgada pelo portal UOL, traz menções ao senador e candidato à reeleição Jaques Wagner (PT-BA) e ao ex-prefeito de Salvador e candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil).

A delação tem como foco principal as operações suspeitas do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Contudo, reúne também informações sobre políticos baianos e movimentações financeiras realizadas por meio de fundos administrados pela Reag.

O caso de Jaques Wagner: ingressos para Taylor Swift

Segundo a proposta de acordo, Mansur teria providenciado ingressos para o show da cantora Taylor Swift realizado no Allianz Parque, em São Paulo, em 2023. Os ingressos, avaliados em R$ 63,3 mil, teriam sido solicitados a Mansur por Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, com o objetivo de presentear o senador baiano.

Wagner respondeu às acusações afirmando que a aquisição ocorreu a partir de um pedido pessoal de Lima a um amigo para ajudá-lo a conseguir os ingressos. “O senador também declarou que não conhece Mansur e que nunca teve relação com a Reag”, informou em nota.

ACM Neto como cliente da Reag

ACM Neto aparece no material por ser proprietário exclusivo do fundo de investimento Seattle 95, que foi administrado pela Reag até 2025. Por intermédio do fundo, o ex-prefeito realizou aplicações no Structure, um fundo formado por operações de empréstimos consignados originados pelo Banco Master.

Em nota, ACM Neto afirmou que o Seattle 95 foi criado no fim de 2021 com recursos próprios, de origem declarada e lícita. Segundo ele, a contratação da Reag ocorreu para atender às regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). “O fundo, portanto, era cliente da Reag, à época uma das principais administradoras de fundos do país”, declarou.

Investimentos e rentabilidade

O Seattle 95 aplicou aproximadamente R$ 4,8 milhões no Structure em quatro operações realizadas entre novembro de 2021 e julho de 2025. Em fevereiro de 2023, a aplicação chegou a representar 98,6% do patrimônio do fundo.

ACM Neto realizou dez aportes que somaram R$ 7,92 milhões no Seattle 95. O patrimônio do fundo chegou a R$ 11,94 milhões em outubro do ano passado, o que representava um ganho de R$ 4,01 milhões e rentabilidade média de 17% ao ano. Neto afirmou que todos os impostos foram recolhidos e que as operações ocorreram de forma transparente e regulada pela CVM.

Daniel Vorcaro: principal alvo da colaboração

O principal alvo da proposta é o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Mansur chegou a tentar negociar uma delação conjunta com Vorcaro quando ambos eram representados pelo criminalista José Luís de Oliveira, mas a iniciativa não avançou. Após a saída do advogado, Mansur passou a ser defendido pelo criminalista Aloísio Medeiros.

Na proposta negociada com a PGR e a Polícia Federal, Mansur afirma que a Reag prestava serviços ao Banco Master e a Vorcaro desde 2019, quando o empresário assumiu o controle da instituição. De acordo com o executivo, a empresa estruturava operações por meio de fundos de investimento.

Estruturas suspeitas e desvios de recursos

Segundo o relato, fundos administrados pela Reag teriam sido usados para desviar recursos do banco, com participação de supostos “laranjas” e estruturas mantidas no exterior. Mansur teria entregado à PGR documentação sobre as transações e negociações realizadas diretamente com Vorcaro.

A Reag também administrava outros fundos ligados a pessoas relacionadas às investigações envolvendo o Banco Master, entre eles o Astralo 95, o Haena 808 (de Augusto Ferreira Lima) e o Whynot (de Valério Marega Júnior, gestor investigado no caso envolvendo Jaques Wagner).

Próximos passos

A colaboração ainda não foi formalmente assinada. Após concluída, a proposta deverá ser encaminhada ao gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, responsável pelo caso. Caberá ao magistrado analisar a eventual homologação do acordo, caso sejam atendidos os requisitos legais.

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