quarta-feira, 8 abril, 2026

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Lula diz que vai enviar projeto ao Congresso para acabar com escala 6×1: “Vai aprovar”

Da Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (8) que o governo federal pretende acabar com a escala 6×1 e que enviará, nos próximos dias, um Projeto de Lei ao Congresso Nacional. A declaração foi feita durante entrevista concedida no Palácio do Planalto aos jornalistas Eduardo Moreira e Leandro Demori, do ICL Notícias.

“A gente vai conseguir. Inclusive estou mandando o Projeto de Lei esta semana para o Congresso Nacional. Então, nós vamos votar e vamos aprovar. Eu tenho certeza de que vai aprovar”, afirmou.

Lula ressaltou que a proposta não prevê redução salarial. Segundo ele, a medida busca reduzir a jornada de trabalho mantendo os rendimentos, com base no aumento da produtividade impulsionado pelos avanços tecnológicos.

“A ideia é a redução da jornada sem redução do salário. O que significa um pequeno aumento de ganho de produtividade. Ao invés de ter prejuízo, ele vai continuar com o mesmo salário, porque a diferença é produtividade. A tecnologia permitiu que produzisse mais, portanto o trabalhador ganha um pouco mais”, explicou.

Benefícios para o trabalhador

Para o presidente, o fim da escala 6×1 representa um avanço nas condições de trabalho, com impacto direto na qualidade de vida da população.

“Todo mundo quer ter uma coisinha a mais. Eu quero trabalhar, eu quero ter uma jornada de trabalho menor do que a que eu tenho hoje. Ou seja, eu não quero mais trabalhar 48 horas, 40 horas. Eu quero colocar o fim da escala 6 por 1 porque a juventude quer mais tempo para estudar, as pessoas querem mais tempo para ficar em casa”, afirmou.

Avanços tecnológicos e jornada

Lula também destacou que o governo não é contrário à tecnologia, mas defendeu que seus benefícios sejam compartilhados com os trabalhadores.

“Às vezes eu fico preocupado quando a gente fala, porque dá a impressão de que a gente está contra os avanços tecnológicos. Então a minha pergunta é a seguinte: os avanços tecnológicos não deveriam ser acompanhados de aumento de salário, de ganho de produtividade? Não deveriam ser acompanhados de redução da jornada de trabalho? O dado concreto é esse: nós precisamos avançar em muitas coisas para melhorar a vida do povo, porque os avanços tecnológicos são absurdos”, disse.

Categorias diferenciadas

O presidente afirmou ainda que a proposta não será rígida e poderá ser ajustada conforme a realidade de cada setor, permitindo negociações coletivas.

“É importante que a gente saiba o seguinte: nós temos que deixar uma brecha para, se precisar ter contrato coletivo em função de categorias diferenciadas, você ter uma brecha de negociação. Não pode ter uma coisa rígida para todas as categorias. Você tem que permitir que haja uma negociação. Mas nós temos que ter a redução. As pessoas precisam de mais descanso, mais lazer”, pontuou.

Modelo de desenvolvimento

Lula também relacionou a proposta à necessidade de um projeto mais amplo de desenvolvimento econômico para o país.

“A questão está na criação de um modelo de desenvolvimento econômico que leve em conta a necessidade desse país virar uma economia definitivamente desenvolvida. Nós temos todas as condições. Nós temos material humano para isso. Nós temos universidade para isso. Nós temos pesquisadores para isso. Nós temos trabalhadores para isso. O que que falta? É tomar a decisão na hora correta. E no Brasil muitas vezes a gente não consegue tomar a decisão na hora correta porque nem sempre você consegue aprovar”, afirmou.

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