Da Redação
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em um inquérito que apura o financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A investigação foi autorizada em julho pelo ministro André Mendonça e envolve suspeitas relacionadas a repasses feitos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A informação é do UOL.
Segundo o site, além de Flávio, também são citados nas investigações o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mario Frias (PL-SP). A Polícia Federal apura suspeitas que incluem lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.
Segundo informações da investigação, Flávio Bolsonaro não aparece apenas em relatos de terceiros. Os investigadores apontam que o senador teria feito cobranças diretamente a Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, relacionadas ao financiamento da produção.
O inquérito que trata especificamente do filme permanece sob sigilo, por estar em fase de investigação. A abertura da apuração ocorreu após pedido da Polícia Federal e manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Mendonça retira sigilo de procedimentos do caso Master
A investigação veio a público no contexto da decisão de André Mendonça de retirar o sigilo de procedimentos relacionados ao caso Banco Master. A medida foi tomada na noite de quarta-feira (10), após solicitação do presidente do STF, ministro Edson Fachin.
Ao todo, Mendonça levantou o sigilo de 15 procedimentos relacionados ao caso. Entre eles estão processos envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, o contrato entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa de Moraes, além de investigações relacionadas ao BRB-Master e ao vazamento de informações sigilosas do Banco Central.
Também foram tornadas públicas investigações sobre os grupos identificados como “A Turma” e “Os Meninos”.
Segundo as investigações, “A Turma” seria uma estrutura voltada a ameaças contra pessoas consideradas adversárias ou relacionadas às apurações sobre o Banco Master, além da tentativa de obtenção clandestina de informações de Estado.
Já “Os Meninos” seria um suposto núcleo tecnológico responsável por ataques cibernéticos e derrubada de perfis em redes sociais.
Influenciadores também são investigados
Outro procedimento tornado público trata da contratação de influenciadores para disseminar uma narrativa favorável a Daniel Vorcaro e ao Banco Master e contrária ao Banco Central.
A Polícia Federal apura quem participou da estrutura, quem a financiou e se a atuação pode configurar organização criminosa ou outros delitos.
Apesar da retirada do sigilo de parte dos procedimentos, o caso relacionado ao filme “Dark Horse” permaneceu sob segredo de Justiça. Também não foram divulgadas outras frentes das investigações envolvendo políticos, entre elas as que citam os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Jaques Wagner (PT-BA).
Financiamento de “Dark Horse”
O contrato de financiamento do filme localizado no celular de Daniel Vorcaro previa US$ 24 milhões, divididos em 14 parcelas. Na época, o valor correspondia a aproximadamente R$ 134 milhões.
Os recursos sairiam da empresa Entre Investimentos e Participações e seriam destinados ao Havengate Development Fund, fundo criado nos Estados Unidos.
Segundo informações divulgadas sobre a investigação, o Banco Master aplicou cerca de R$ 614 milhões em empresas do grupo. Nesta semana, André Mendonça homologou a delação premiada do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, apontado como operador financeiro de Vorcaro.
Freixo é apontado como responsável por operações financeiras que incluíram remessas ao exterior. Uma delas teve como destino o fundo Havengate, que teria sido utilizado para financiar o filme “Dark Horse”.
O fundo foi criado em 2020 para um empreendimento imobiliário no Texas que prometia green cards a investidores brasileiros. O projeto, contudo, não chegou a ser iniciado.
A primeira remessa de recursos ao Havengate ocorreu em fevereiro de 2025, no valor de US$ 2 milhões, segundo as informações apresentadas na investigação.
Por que Mendonça retirou parte do sigilo
A decisão de retirada do sigilo foi assinada na noite de quarta-feira (10) e atendeu a uma solicitação de Edson Fachin.
Mendonça retirou o segredo de Justiça da Petição 15.556, que resultou na prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e de outros 14 procedimentos relacionados ao caso.
Entre os processos liberados estão os inquéritos de número 5.026 e 5.035. A pedido de Fachin, o ministro também determinou o envio do material, em HD próprio, ao gabinete do presidente do STF e aos demais ministros.
Na decisão, Mendonça afirmou:
“Em harmonia à solicitação formulada pelo eminente Presidente, Ministro Edson Fachin, promovo o levantamento do sigilo dos autos da PET nº 15.556 e dos procedimentos contidos ou relacionados”
A decisão, contudo, preservou o sigilo de diligências consideradas imprescindíveis para o andamento das investigações.
Investigação sobre o filme continua sob sigilo
O inquérito envolvendo Flávio Bolsonaro e o financiamento de “Dark Horse” continua protegido por sigilo. A investigação foi aberta para apurar os repasses relacionados à produção do filme e a possível origem dos recursos.
Flávio Bolsonaro afirma que procurou Vorcaro para obter patrocínio para o filme e nega irregularidades. Segundo informações divulgadas à época da abertura do inquérito, o senador sustentou que os recursos tinham finalidade de financiar a produção.

