quarta-feira, 11 março, 2026

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MJ cobra explicações ao TikTok sobre trend que incentiva violência contra mulheres

Da Redação

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) solicitou esclarecimentos ao TikTok Brasil sobre as medidas adotadas pela plataforma diante da circulação massiva de conteúdos misóginos associados à trend “caso ela diga não”. Os vídeos viralizaram nos últimos dias em torno do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março.

A solicitação foi enviada por meio de ofício assinado por áreas do ministério responsáveis por direitos digitais, segurança pública e defesa do consumidor. Participaram da ação a Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi), a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon).

Os vídeos exibiam jovens simulando agressões físicas – como chutes, socos e esfaqueamentos – contra manequins que representavam mulheres. As publicações eram acompanhadas de mensagens que associavam explicitamente a violência à rejeição afetiva.

A repercussão levou à abertura de um inquérito pela Polícia Federal (PF). A investigação foi instaurada após notícia-crime apresentada pela Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia (PNDD), órgão vinculado à Advocacia-Geral da União (AGU).

 

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Plataforma terá cinco dias para responder

No documento enviado à empresa, o Ministério da Justiça destaca que a responsabilidade da plataforma não se limita apenas à remoção dos conteúdos já identificados pela Polícia Federal.

O ofício cita decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que reconheceu a inconstitucionalidade parcial do artigo 19 do Marco Civil da Internet. Segundo o entendimento do tribunal, provedores de aplicações podem ser responsabilizados civilmente caso não removam de forma imediata conteúdos que configurem crimes contra a mulher.

De acordo com o ministério, a disseminação da trend representa risco de falha sistêmica na moderação de conteúdos.

O TikTok Brasil terá prazo de cinco dias corridos para apresentar à Sedigi informações detalhadas sobre as medidas adotadas para detectar e remover conteúdos misóginos.

Medidas exigidas pelo governo

Entre os pontos solicitados pelo governo estão informações sobre o funcionamento dos sistemas de moderação da plataforma.

O ministério quer saber detalhes sobre:

  • funcionamento dos sistemas automatizados de moderação;

  • mecanismos de revisão humana;

  • monitoramento de tendências emergentes;

  • controles sobre o algoritmo de recomendação.

A plataforma também deverá informar se realizou avaliação de risco sobre a recorrência desse tipo de conteúdo e se os perfis responsáveis pela disseminação receberam monetização ou qualquer forma de compensação financeira pelo alcance das publicações.

Apoio às investigações

Paralelamente, o Ministério da Justiça determinou o envio de registros técnicos e metadados ao Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab).

A estrutura integra a Diretoria de Operações Integradas e Inteligência (Diopi), ligada à Senasp, e deverá auxiliar na identificação da autoria e da materialidade dos possíveis crimes investigados pela Polícia Federal.

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