sexta-feira, 11 setembro, 2026

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Ministério Público denuncia três PM’s por mortes de jovem e adolescente em Salvador

Da Redação

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) denunciou, nesta quinta-feira (10), os policiais militares Jamile Maiara Reis dos Santos, Arailton Climerio Ferreira Junior e Tiago Costa Oliveira pelas mortes de Mateus Daniel Chagas da Silva e do adolescente Kaique Reis Santos, de 16 anos à época dos fatos. Os dois foram mortos em 28 de setembro de 2025, no bairro de São Marcos, em Salvador.

Os três PMs foram denunciados por homicídio qualificado por motivo torpe, sem chance de defesa às vítimas e com utilização de arma de uso restrito. O MPBA também pediu a conversão da prisão temporária dos policiais em prisão preventiva e que eles sejam levados a julgamento pelo Tribunal do Júri.

A denúncia foi apresentada por promotores de Justiça do Grupo de Atuação Especial Operacional de Segurança Pública (Geosp). Segundo o documento, as investigações apontam para uma execução sumária, sem possibilidade de reação por parte das vítimas durante a abordagem policial.

Os exames periciais e os depoimentos colhidos durante a investigação indicam que não houve troca de tiros antes das mortes, contrariando a versão apresentada pelos policiais militares. De acordo com o MPBA, as vítimas não realizaram disparos e não foram identificados sinais de confronto armado no local.

Vítima teria sido atingida após ser rendida

As investigações apontam que os policiais teriam ordenado que o adolescente, que estava rendido, corresse e, logo depois, efetuado disparos contra ele.

Testemunhas relataram que Kaique Reis Santos havia saído para comprar pão quando encontrou os policiais, que estariam à procura de supostos traficantes armados nas proximidades de um campo onde ocorria uma partida de futebol naquele dia.

Ao se deparar com os PMs com armas em punho, Kaique teria levantado imediatamente as mãos e se virado de costas, em posição de rendição. Mesmo assim, segundo a denúncia, ele foi atingido por três tiros.

Um dos disparos atingiu a perna do adolescente quando ele começou a correr. Os outros dois foram efetuados em um beco, quando ele já estava ferido.

Segundo a denúncia do MPBA, as duas vítimas já estavam mortas quando foram retiradas do local e chegaram sem vida ao hospital.

Ainda conforme o documento, Kaique teria sido carregado com um pano sobre o rosto, enquanto sua cabeça batia nas escadas, antes de ser colocado dentro da viatura policial.

Pedido de prisão preventiva

Diante das conclusões da investigação, o Ministério Público pediu que a prisão temporária dos três policiais seja convertida em prisão preventiva.

O órgão também requereu que os PMs sejam submetidos a julgamento popular pelos homicídios qualificados atribuídos a eles.

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