sexta-feira, 24 julho, 2026

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Morte de trabalhador durante operação da PM gera revolta em São Cristóvão

Da Redação

A morte de um trabalhador durante uma ação da 49ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) provocou protestos na noite desta quinta-feira (23), no bairro de São Cristóvão, em Salvador. A ocorrência foi registrada na localidade da Lessa Ribeiro e mobilizou moradores, que bloquearam ruas, incendiaram pneus e atearam fogo em um ônibus em protesto contra a morte.

A vítima foi identificada como Leonardo Gil Lima, conhecido na comunidade como “Léo do Lanche”. Segundo familiares e moradores, ele não possuía envolvimento com atividades criminosas e era reconhecido pelo trabalho como comerciante na região.

De acordo com relatos da comunidade, Leonardo iniciou a trajetória vendendo lanches em uma bicicleta, posteriormente adquiriu uma motocicleta e, mais recentemente, inaugurou o estabelecimento Leo Lanches. Casado e pai de dois filhos, ele chegou a ser socorrido para o Hospital Menandro de Faria, mas não resistiu aos ferimentos.

Como ocorreu a ação policial

Moradores afirmam que o bairro estava sem energia elétrica quando equipes da Polícia Militar entraram na região para realizar uma operação. Durante a ação, Leonardo foi baleado. As circunstâncias da ocorrência ainda serão esclarecidas pelas autoridades.

Moradores contestam versão de confronto

Durante a manifestação, familiares e moradores contestaram qualquer possibilidade de a ocorrência ser caracterizada como confronto armado.

Uma mulher que se apresentou como irmã da vítima afirmou ter presenciado parte da ação e cobrou responsabilização dos policiais envolvidos.

“Não houve nenhuma troca de tiro! Eu sou vizinha do meu irmão. Meu irmão chegou do trabalho. Deu um tiro no ouvido do meu irmão. No momento que eu abordei, ela foi se retirando junto com o soldado, eu disse: ‘Volte, que vocês vão assumir! Olha a farda! Vocês mataram um pai de família! Olha a farda!’. Quando eles se deram conta da besteira… ‘Aqui não dá socorro? Aqui não dá socorro? Agora vocês vão dar socorro!’. Eu ouvi ela [a policial] abordando o meu irmão. Procurando saber quem é Leonardo? Infelizmente, muitos vestem a farda por vestir”, desabafou.

Outra moradora, que também não teve a identidade divulgada, reforçou que não houve troca de tiros e afirmou que o disparo teria sido efetuado por uma policial militar identificada apenas como Marta.

“Não quero que saia na mídia que foi troca de tiros ou que foi bandido. Isso não pode existir. Isso aqui é uma comunidade. A esposa dele está lá na delegacia. Ela [a policial] encostou o revólver aqui [na cabeça] em Leo. Leo virou e perguntou e ela deu um tiro. A gente não quer que saia que Leo reagiu, que Leo é vagabundo.”

Protesto bloqueou ruas e incendiou ônibus

Após a confirmação da morte, moradores interditaram a principal via de acesso ao bairro com pneus incendiados. Um ônibus também foi queimado durante o protesto e um caminhão da Empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb) foi atravessado na pista para impedir a circulação de veículos.

Imagens compartilhadas nas redes sociais registraram o bloqueio das vias e a concentração de moradores durante a manifestação.

Manifestantes seguiram até a sede da 49ª CIPM

Depois dos protestos no bairro, manifestantes se dirigiram até a sede da 49ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM), onde realizaram um ato cobrando esclarecimentos sobre a morte de Leonardo Gil Lima e pedindo justiça.

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