Da Redação
O Ministério Público da Bahia (MP-BA) denunciou, nesta segunda-feira (14), 13 pessoas por suposta participação em uma organização criminosa classificada como ultraviolenta e que, segundo as investigações, atuava em Trancoso, Arraial d’Ajuda, Porto Seguro e localidades vizinhas. A denúncia foi apresentada pela unidade Sul do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e Investigações Criminais (Gaeco Sul), como desdobramento da Operação Costa Limpa.
Conforme o MPBA, os denunciados responderão, de acordo com a participação atribuída a cada um, por crimes como organização criminosa ultraviolenta, tráfico de drogas, lavagem de capitais e favorecimento ao domínio social estruturado.
As investigações foram conduzidas em conjunto pelo Gaeco Sul e pela 23ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (23ª Coorpin), sediada em Eunápolis. Segundo a apuração, o grupo era liderado por José Venâncio Farias dos Santos, conhecido como “Cadu” ou “Du Love”, e possuía uma estrutura hierarquizada dividida em núcleos de comando, operacional, financeiro e de apoio.
Ainda de acordo com a denúncia, a organização mantinha um sistema próprio de arrecadação financeira, uma rede de distribuição de drogas por delivery, operadores responsáveis pela lavagem de dinheiro e uma estrutura logística destinada ao armazenamento de entorpecentes e à circulação de armamentos.
A denúncia apresentada pelo MPBA sustenta que a facção se enquadra no conceito legal de organização criminosa ultraviolenta por exercer controle territorial, utilizar mecanismos de intimidação, manter aparato armado e impor disciplina interna por meio do chamado “tribunal do crime”.
As apurações também teriam identificado negociações para a aquisição de armas, incluindo fuzis e outros armamentos de alto poder ofensivo. Os investigadores apontam ainda o transporte de armas e drogas por integrantes do grupo.
Segundo o MPBA, a violência atribuída à organização não seria episódica, mas faria parte do modo de funcionamento da estrutura. A investigação aponta ainda recrutamento de integrantes, aplicação de punições internas, intimidação de grupos rivais e manutenção de uma estrutura logística permanente para assegurar a continuidade das atividades criminosas e dificultar a atuação do Estado.
Estrutura dividida em núcleos
As provas reunidas durante a investigação incluem relatórios de inteligência, análises financeiras, dados extraídos de aparelhos celulares, movimentações bancárias, registros relacionados ao tráfico de drogas, negociações envolvendo armas e comunicações entre os investigados.
Conforme a denúncia, os integrantes desempenhavam funções específicas dentro da estrutura, que iam da coordenação do tráfico e distribuição de drogas à lavagem de capitais, arrecadação de recursos, transporte de armamentos e armazenamento de entorpecentes.
José Venâncio Farias dos Santos, conhecido como “Cadu” ou “Du Love”, é apontado como líder da organização criminosa.
O núcleo operacional, segundo o MPBA, era formado por Thierry Santos Sena, Ivanildo Sousa Rocha Neto, Felipe Silva do Nascimento, Everton Valiense Xavier e Almir Gabriel Santos Cabral. Eles são apontados como responsáveis por atividades como distribuição de drogas, entregas, arrecadação de valores, logística e transporte de armamentos.
Já o núcleo financeiro era integrado por Francelino Juneo Pereira Ramos, Sérgio Tadeu Félix Lombardo, Rafaela de Jesus dos Santos, Ana Rodrigues dos Santos Neta e Bruno Santos Costa. De acordo com a denúncia, eles atuavam na arrecadação, movimentação, ocultação e circulação de recursos supostamente provenientes do tráfico de drogas.
O núcleo de apoio e suporte operacional, por sua vez, contava com Maiane da Conceição Profeta e Caliane Silva Santos. As duas são acusadas de atuar na distribuição de entorpecentes, armazenamento de drogas e manutenção da infraestrutura logística atribuída ao grupo.
Operação Costa Limpa
A denúncia apresentada pelo Gaeco Sul é um desdobramento da Operação Costa Limpa, que investigou a atuação da organização criminosa em municípios e localidades do extremo sul da Bahia.
As informações apresentadas pelo MPBA descrevem uma estrutura com divisão de funções, mecanismos de arrecadação, distribuição de drogas, lavagem de capitais e circulação de armamentos. As acusações, contudo, ainda deverão ser analisadas pela Justiça no curso do processo.

