Da Redação
Cumprindo a agenda em Salvador, de entrega do Novo PAC na área de mobilidade urbana e visitação das obras de implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concedeu entrevista ao programa Bahia no Ar, da TV Record Itapoan, na manhã desta quinta-feira (2), e afirmou que o governo federal vai intensificar investimentos na Bahia e manter o estado entre as prioridades da sua gestão.
Ao longo da conversa, ele articulou uma série de ações que envolvem infraestrutura, habitação, energia, segurança pública, educação e saúde, destacando obras como o VLT de Salvador, a ponte Salvador-Itaparica a, possível recompra da refinaria baiana pela Petrobras e da importância de olhar para a Região Nordeste.
Mobilidade urbana e obras na Bahia
Ao tratar do VLT de Salvador e da expansão da mobilidade urbana na capital, Lula afirmou que a obra representa uma das maiores intervenções do setor no estado e que o objetivo é beneficiar, sobretudo, a população mais necessitada. “Vai ser bom porque vai atender a parte mais necessitada da sociedade, sobretudo no VLT”, disse. O presidente também destacou que o governo passou a ouvir governadores e prefeitos na definição das obras prioritárias do PAC. Segundo ele, “nunca na história do Brasil alguém estabeleceu uma política de investimento nos estados ouvindo os governadores e os prefeitos”.
Lula afirmou ainda que o programa está alcançando quase 90% dos municípios brasileiros e defendeu que os projetos apresentados pelas prefeituras estão sendo atendidos. Na avaliação dele, o modelo adotado pelo governo representa um avanço na relação federativa e no atendimento às demandas locais.
Inclusão social e combate à fome
Questionado sobre o que mais o orgulha na comparação entre a Bahia de 2003 e a de agora, Lula afirmou que o maior avanço está na política de inclusão social. “Nós temos que cuidar de ponte, temos que cuidar de estrada, de ferrovia, de rodovia, nós temos que cuidar de tudo. Mas tem uma coisa que, para nós, é imprescindível cuidar, que são as camadas mais necessitadas da sociedade”, afirmou.
O presidente disse que os governos petistas promoveram a maior política de inclusão social da história do país e lembrou os números da fome no Brasil. Segundo ele, o governo já havia retirado milhões de brasileiros da insegurança alimentar e voltou a enfrentar o problema ao assumir o novo mandato. “Nós acabamos com a fome duas vezes nesse país”.
Lula também citou indicadores econômicos para reforçar o argumento de que o país vive um momento de recuperação social. Disse que o Brasil registra a menor inflação acumulada em quatro anos, a maior massa salarial da história e reajustes do salário mínimo acima da inflação. Para ele, programas como Minha Casa Minha Vida, gás para todos e luz para todos ajudam a criar uma rede de proteção à população mais pobre.
Minha Casa Minha Vida e acesso à moradia
Ao falar da expansão habitacional, Lula afirmou que o governo está executando “o maior programa habitacional de toda a história do Brasil”. Na área de habitação, o presidente disse que o programa Minha Casa, Minha Vida vive sua fase mais robusta. “Nós prometemos fazer 2 milhões de casas nesse mandato. Nós vamos contratar 3 milhões de casas do Minha Casa, Minha Vida, com melhorias”, afirmou, citando ainda a modalidade de compra assistida e o investimento de R$ 40 bilhões em reformas habitacionais.
Questionado sobre a interiorização do programa, o presidente disse que a quantidade de casas é definida conforme os recursos disponíveis, mas reforçou que o governo tem adotado novas estratégias para acelerar soluções. Entre elas, citou a chamada compra assistida, mecanismo estudado após a experiência do Rio Grande do Sul. “Mais rápido do que fazer a casa é a gente saber se na cidade tem casa para comprar ao preço que a gente pode pagar”, explicou.
Lula completou dizendo que, mesmo com novas modalidades, o Minha Casa Minha Vida seguirá sendo prioridade. “Não tem nada mais agradável do que você pegar a chave da sua casa e saber que você tem um ninho para você criar a sua família”, disse.
Combustíveis, refinaria e impacto da guerra no bolso do povo
Ao ser questionado sobre combustíveis, Lula afirmou que o governo estuda recomprar a refinaria de Mataripe para a Petrobras. Segundo ele, “não é justo” que a unidade produza menos da metade do que poderia produzir. O presidente também explicou que o Brasil ainda depende de parte do diesel importado, o que pressiona os preços internos.
Foi nesse trecho que Lula fez uma das falas mais duras da entrevista. Ao tratar dos impactos da guerra no Oriente Médio, ele disse: “Nós irei permitir que a guerra irresponsável do Irã chegue ao bolso do povo que vai comprar seu alface, que vai comprar seu feijão, vai comprar seu arroz, vai comprar seu milho, vai comprar a comida do seu filho”. Em seguida, reforçou: “Não irei deixar que o preço internacional chegue ao bolso do caminhoneiro, chegue ao bolso da dona de casa”.
O presidente afirmou que o governo está reforçando a fiscalização sobre distribuidoras e combustíveis para evitar aumentos sem justificativa. Mais adiante, voltou ao tema com tom mais duro: “O povo pobre não pagará, em hipótese alguma, o preço dessa guerra”. Lula também disse que o governo não aceitará reajustes no diesel, na gasolina, no etanol e no gás que recaiam sobre a população..
Segurança pública e combate ao crime organizado
Na segurança pública, Lula defendeu a aprovação da PEC que redefine o papel da União no setor. Segundo ele, a proposta permitirá a criação de um Ministério da Segurança Pública e a definição clara das atribuições da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e de uma eventual Guarda Nacional. “A gente vai estabelecer qual é o papel da União na segurança pública”, disse.
O presidente afirmou ainda que o governo já aprovou a Lei Antifacção e que está em guerra contra o crime organizado. Disse que a prioridade é atingir as lideranças e o “andar de cima” da corrupção, e não apenas os criminosos de rua. Lula também afirmou ter pedido ao ex-presidente norte-americano Donald Trump a entrega de brasileiros foragidos nos Estados Unidos.
Educação, alfabetização e pé-de-meia
Ao tratar da educação, Lula disse que o governo obteve “um sucesso extraordinário” ao avançar na meta de alfabetização de crianças até o segundo ano do ensino fundamental. Segundo ele, o pacto firmado com prefeitos e governadores previa 80% de alfabetização até 2030, mas o índice já teria alcançado 66% em um ano e meio. “O objetivo é chegar a 100% de crianças alfabetizadas até o segundo ano escolar”, afirmou.
Lula também defendeu a valorização dos professores, lembrou a criação de incentivos para atrair estudantes de alto desempenho para a carreira docente e disse que o governo tem investido em ensino integral, institutos federais e políticas de permanência escolar. “Nós temos o melhor momento de escola integral do tempo no Brasil”, declarou.
O presidente citou ainda o programa Pé-de-Meia como instrumento para evitar a evasão escolar entre jovens que precisam ajudar a família. Segundo ele, o benefício já alcança milhares de estudantes na Bahia e funciona como estímulo para que os adolescentes permaneçam na escola. “Nós criamos um fundo, criamos um pagamento, é uma bolsa depositada no nome dele na Caixa Econômica Federal”, explicou.
Ponte Salvador-Itaparica
Ao comentar a ponte Salvador-Itaparica, Lula disse que a obra é uma “obsessão” do governador Jerônimo Rodrigues, do ex-governador Rui Costa e do povo baiano. Para o presidente, a construção representa a chegada da infraestrutura às periferias e a superação de um modelo desigual de mobilidade. “Não é possível que o povo veja passar um transporte moderno no centro da cidade e não passar transporte na periferia”, afirmou.
Lula estimou que a ponte deve custar quase R$ 14 bilhões e afirmou que a obra será uma das maiores da América Latina. Disse também que o empreendimento beneficiará cerca de 250 municípios e que a fundação já foi estudada, com início previsto para junho. O presidente destacou ainda a parceria com a China e disse que o país asiático tem demonstrado maior disposição de cooperação com o Brasil.
Em tom descontraído, Lula brincou com a apresentadora ao dizer que quer atravessar a ponte “a pé” com ela. “Como eu vou viver até 120 anos, eu quero atravessar essa ponte com você a pé”, afirmou, arrancando risos durante a entrevista.
Bolsa Família, preço dos alimentos e fiscalização
Ao falar do Bolsa Família, Lula afirmou que a meta do governo é que o programa se torne desnecessário no futuro. “O sonho que eu tenho é que um dia o povo esteja tão bem de vida que não precise mais do Bolsa Família”, disse. Para ele, o benefício deve permanecer enquanto houver necessidade, mas será naturalmente superado com crescimento econômico, emprego e renda.
O presidente ressaltou que a inflação dos alimentos recuou e disse esperar novas quedas nos preços. Segundo ele, a política do governo será manter fiscalização rigorosa para evitar fraudes e uso indevido de recursos públicos. “Nós vamos cuidar disso com muito carinho, mas manteremos toda a política de inclusão social”, declarou.
Energia renovável e soberania dos dados
Na pauta da energia, Lula afirmou que o Brasil tem mais de R$ 200 bilhões previstos em investimentos no setor e destacou o potencial das fontes renováveis, como solar, eólica e hidrogênio verde. Para ele, o país deve aproveitar essa vantagem para atrair investimentos e gerar empregos no interior da Bahia e em outras regiões.
O presidente também defendeu a criação de data centers nacionais para proteger os dados brasileiros. “Nós temos que ter um data center nosso para que todos os dados do povo brasileiro estejam todos cuidados do Estado brasileiro”, disse. Lula afirmou ainda que o Brasil já é referência internacional em energia renovável e que o país se tornou modelo para o mundo.
Relação diferenciada com a Bahia

