sexta-feira, 19 junho, 2026

EXPEDIENTE | CONTATO

Nordeste registra alta de 51% nas exportações de carne bovina

Da Redação

O Nordeste apresentou o maior avanço nas exportações de carne bovina do país no primeiro trimestre de 2026. Entre janeiro e março, os embarques da região cresceram 51,38% em comparação com o mesmo período do ano passado, alcançando 9,4 mil toneladas exportadas.

O resultado supera com folga o desempenho nacional, que registrou crescimento de 17% no mesmo intervalo. Nos três primeiros meses do ano, as exportações brasileiras estimadas ultrapassaram 4,28 milhões de toneladas, volume equivalente a 34,6% da produção nacional.

Além do aumento das exportações, o abate de bovinos no Nordeste avançou 2,96% em relação a 2025. O crescimento é atribuído à expansão dos sistemas semi-intensivos e intensivos de produção, ao uso crescente de tecnologias no campo e à integração da pecuária com regiões produtoras de grãos.

Os dados foram analisados pelo Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), vinculado ao Banco do Nordeste (BNB). O levantamento aponta que o desempenho regional foi impulsionado tanto pelo aumento do volume exportado quanto pelo crescimento do faturamento, aliado à ampliação dos mercados compradores.

Entre os destaques estão Pernambuco, que registrou crescimento de 124% nas exportações, Bahia, com avanço de 65%, Maranhão, com alta de 30%, e Ceará, que apresentou expansão de 42%. Segundo o estudo, a habilitação de plantas frigoríficas e as melhorias sanitárias contribuíram diretamente para esse resultado.

Setor passa por fase de transição

De acordo com estudo recente do Etene, elaborado pela pesquisadora Kamilla Ribas Soares, a cadeia da carne bovina brasileira atravessa, desde 2025, uma fase de transição associada à reversão do ciclo pecuário.

O cenário é marcado pela retenção de fêmeas nos rebanhos, redução gradual da oferta de animais para abate e valorização dos preços do boi gordo e da reposição.

A pesquisadora avalia que, apesar do desempenho positivo das exportações, o mercado internacional ainda apresenta desafios relevantes. Entre eles estão os conflitos geopolíticos, instabilidades logísticas e a adoção de tarifas e cotas por países importadores.

Diante desse contexto, o estudo destaca a importância da diversificação dos mercados compradores e da agregação de valor aos produtos brasileiros para ampliar a competitividade do setor.

Perspectivas para os próximos anos

As projeções do Etene indicam que o Brasil deverá permanecer como o maior produtor mundial de carne bovina. A expectativa é de que o país responda por 20% da produção global e alcance 12,4 milhões de toneladas em 2026.

Apesar da liderança mundial, a estimativa representa uma retração próxima de 2% em relação a 2025. A redução é atribuída à queda no abate de bovinos, reflexo da reversão do ciclo pecuário observada nos últimos anos.

O Banco do Nordeste tem desempenhado papel estratégico no financiamento da atividade pecuária na região. Entre 2020 e março de 2026, a instituição destinou quase R$ 26 bilhões para a bovinocultura de corte, utilizando recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE).

Somente em 2025, os investimentos alcançaram cerca de R$ 6 bilhões. Desse total, 61% foram direcionados a empreendimentos localizados no Semiárido, fortalecendo a produção e impulsionando o desenvolvimento regional.

O crescimento das exportações reforça a importância da cadeia produtiva da carne bovina para a economia nordestina, gerando renda, empregos e ampliando a participação da região no comércio internacional do agronegócio.

Publicidade

Arquivos