Da Redação
A Ordem dos Franciscanos iniciou uma campanha de arrecadação de recursos para ajudar na restauração da Igreja de São Francisco, conhecida como “Igreja de Ouro”, no Centro Histórico de Salvador. A iniciativa ocorre após o desabamento de parte do teto do templo, em fevereiro de 2025, tragédia que provocou a morte de uma turista de 26 anos e deixou outras cinco pessoas feridas. A informação é do g1.
As obras emergenciais já foram concluídas e, segundo os responsáveis pelo templo, o imóvel não apresenta mais risco de novos desabamentos. Apesar disso, a igreja permanece fechada enquanto aguarda o início da restauração definitiva.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) confirmou um investimento de aproximadamente R$ 20 milhões, por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), destinado à primeira etapa das obras.
No entanto, o custo estimado dessa fase da recuperação chega a R$ 61 milhões. Diante da diferença entre os recursos disponíveis e o orçamento necessário, a Ordem dos Franciscanos, proprietária do imóvel, lançou a campanha “Abrace São Francisco”, com o objetivo de mobilizar doações para viabilizar a restauração.


Em fevereiro deste ano, quando o desabamento completou um ano, o vigário do Convento São Francisco, frei Lorrane Clementino, informou que apenas a área destinada à visitação turística está avaliada em mais de R$ 30 milhões.
Segundo ele, todo o complexo formado pela igreja e pelo Convento São Francisco possui valor estimado em quase R$ 90 milhões. Na ocasião, o religioso reforçou o apelo pela participação da sociedade no projeto de recuperação. “Precisamos da união de todos”, destacou.
Os interessados em contribuir com a campanha podem obter informações e realizar doações por meio do site oficial da Ordem dos Franciscanos.
Desabamento matou uma mulher de 26 anos
O acidente ocorreu na tarde de 5 de fevereiro de 2025, quando diversos turistas visitavam a igreja, localizada no Largo do Cruzeiro de São Francisco, no Pelourinho.
A turista Giulia Panchoni Righetto, de 26 anos, morreu após ser atingida pelo desabamento. Natural de Ribeirão Preto (SP), ela passeava pelo local ao lado do namorado e de um casal de amigos. Outras cinco pessoas ficaram feridas.

Dois dias antes do acidente, o guardião-diretor da igreja, frei Pedro Júnior Freitas da Silva, havia comunicado ao Iphan a existência de uma “dilatação” no forro do teto e solicitado uma vistoria técnica. A inspeção estava agendada para 6 de fevereiro, um dia após o desabamento.
Na época, o presidente do Iphan, Leandro Grass, afirmou que o pedido havia sido protocolado pelos canais convencionais do órgão, procedimento que, segundo ele, não seria o mais adequado para situações consideradas emergenciais.
Também após o acidente, o então diretor da Defesa Civil de Salvador (Codesal), Sósthenes Macedo, informou que o poder público tinha conhecimento de pontos comprometidos na estrutura do imóvel, mas que, até então, não havia indicação de risco iminente de desabamento que justificasse a interdição do espaço.
Patrimônio histórico já apresentava deterioração
Reconhecida como uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo, a Igreja de São Francisco enfrentava problemas estruturais há vários anos.
Fundado no início do século XVIII e conhecido pelo rico revestimento interno em ouro, o templo é tombado como patrimônio histórico nacional. Ainda assim, o edifício apresentava sinais visíveis de deterioração antes do acidente.
Em visita realizada em 2023, foram observados problemas como pinturas desgastadas, infiltrações, teto deteriorado, fiação exposta, pilastras sem reboco, escoramentos em áreas internas e pisos desnivelados, comprometendo inclusive a acessibilidade de visitantes.
Naquele período, o Iphan informou que havia incluído em seu planejamento a contratação de empresa especializada para elaborar os projetos executivos de arquitetura, engenharia e restauração do monumento. A previsão era que, após a conclusão dessa etapa, fosse aberta a licitação para execução das obras, estimadas em um prazo entre dois e três anos.
Ainda em 2023, parte de um dos pátios do complexo religioso precisou ser interditada devido ao risco de queda do pináculo direito da igreja. A estrutura metálica, com cerca de uma tonelada e meia, acabou sendo removida pelo Iphan.

