terça-feira, 14 abril, 2026

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Paciente em estado grave aguarda cirurgia cardíaca e família denuncia demora na regulação

Morgana Montalvão

Desde o mês de fevereiro de 2026, a família da dona de casa Maria do Socorro Conceição Rodrigues, de 60 anos, vive uma rotina de aflição no Hospital Regional de Juazeiro (HRJ), no norte da Bahia.

A mulher, que está internada na unidade com um problema cardíaco grave, aguarda uma cirurgia considerada essencial para a sobrevivência, no entanto, segundo familiares, a regulação para a unidade responsável pelo procedimento em Salvador, tem demorado além do normal.

A cirurgia que pode melhorar a vida da dona de casa, consiste na implantação de uma válvula no coração e deveria ser realizada no Hospital Ana Nery (HAN), localizado no bairro da Caixa D’Água, na capital baiana. O procedimento chegou a ser marcado para o dia 9 de fevereiro, por meio do atendimento ambulatorial da unidade. No entanto, cinco dias antes da data, a paciente sofreu uma arritmia cardíaca e precisou ser internada às pressas no HRJ.

Unidade hospitalar atende pacientes de toda a Bahia Foto: Amanda Ercília/GOVBA

Agora, a família luta para que o Hospital Ana Nery receba Maria do Socorro, através de uma transferência direta em UTI móvel, já que, segundo a equipe médica do Hospital Regional de Juazeiro, a paciente não tem condições de receber alta e esperar a cirurgia em casa.

“Ela já foi colocada seis vezes em tela de regulação e o Ana Nery nega. Temos a ambulância, os exames que indicam a necessidade da cirurgia e a possibilidade de fazer neste momento. Eu fui lá em Salvador na semana passada, tirar minhas dúvidas, saber por que o Ana Nery não aceita a regulação dela e disseram que tem que esperar ela ficar boa, mas não tem como ela ficar boa sem a cirurgia. O médico aqui em Juazeiro já deixou bem claro que não tem como ela ter alta para fazer a cirurgia pelo ambulatório”,explica o filho da paciente, Vagner Rodrigues.

De acordo com Rodrigues, a dona de casa já foi inserida ao menos seis vezes na Central Estadual de Regulação, mas teve todos os pedidos recusados pelo Hospital Ana Nery.Ele relata que chegou a buscar explicações presencialmente na unidade, em Salvador.

“Disseram que ela precisa melhorar para fazer pelo ambulatório. Mas não tem como ela melhorar sem a cirurgia. É um ciclo sem saída”, enfatiza.

Em fevereiro, o Governo do Estado, através da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), entregou uma moderna Unidade de Terapia Intensiva Cardiovascular (UCV) no HAN e autorizou a reforma de 10 leitos de UCV do hospital.

A ação integra R$ 3,7 milhões em investimentos voltados ao fortalecimento da assistência cardiovascular de alta complexidade na rede estadual.

Com sete leitos e investimento de R$ 2,2 milhões, a UTI  é especializada em cuidados cardiovasculares foi equipada com equipamentos modernos, como desfibriladores, ventiladores pulmonares de transporte e ventilometria.  A unidade dispõe de área de isolamento com antecâmara, posto de enfermagem, farmácia satélite e espaços de apoio, como copa, sala para acompanhantes de UTI pediátrica, quarto de plantão e vestiários.

O Hospital Ana Nery é referência em cardiologia, nefrologia e transplantes no Nordeste, realizando procedimentos de alta complexidade, como cateterismo, angioplastia, arteriografia e arritmologia, além de transplantes de rim e coração. A unidade atende pacientes de toda a Bahia, tendo capacidade de absorver casos que demandam atendimento intensivo e especializado.

Estado da paciente é grave

Enquanto aguarda a transferência, o estado de saúde da paciente preocupa. Durante a internação, ela já sofreu uma parada cardíaca – sendo reanimada – além de desenvolver complicações como disfunção renal, infecção urinária e acúmulo de líquido nos pulmões.

Apesar disso, os médicos do Hospital Regional de Juazeiro consideram que ela está apta para realizar o procedimento, desde que seja transferida com suporte adequado.

“Atualmente, ela está compensada para a cirurgia, mas não pode ter alta. Qualquer deslocamento sem suporte representa risco de morte”, explica o filho.

Segundo a família, o hospital em Juazeiro disponibiliza ambulância com estrutura de UTI móvel para a transferência, mas o entrave estaria na recusa da unidade em Salvador em aceitar o caso nessas condições.

“Hoje ela depende totalmente desse procedimento para sobreviver. Sem a cirurgia, não tem outra alternativa”, afirma.

Diante da situação, os familiares buscaram apoio da Defensoria Pública do Estado, que chegou a solicitar o bloqueio de verba pública para viabilizar a cirurgia na rede privada. Ainda assim, segundo o relato, a solução não avançou.

Sesab se posiciona sobre o caso

A reportagem entrou em contato com a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) para obter um posicionamento sobre o caso da dona de casa Maria do Socorro. A pasta informou por meio de nota que “a paciente está sendo assistida no Hospital Regional de Juazeiro e que há uma solicitação ativa no sistema da Central Estadual de Regulação.”

A secretaria ainda salienta no documento enviado que  “os médicos reguladores estão em busca de uma unidade que possa atender a mesma de acordo com o descrito em seu relatório médico”.

Confira a nota completa abaixo:

“A paciente está sendo assistida no Hospital Regional de Juazeiro. No momento existe uma solicitação em nome da paciente no sistema da Central Estadual de Regulação. Os médicos reguladores estão em busca de uma unidade que possa atender a mesma de acordo com o descrito em seu relatório médico.
Os familiares podem ter acesso a todo o detalhamento dos procedimentos e definições dos profissionais que assistem a paciente. Essas informações são privativas do paciente e dos familiares.
Ressaltamos ainda que toda a conduta dos médicos são baseadas em protocolos estabelecidos para o exercício da profissão.

Enquanto isso, a família segue na espera e na expectativa para a realização da cirurgia. “Cada dia que passa, ela piora um pouco mais. A gente só quer que ela tenha a chance de fazer essa cirurgia”, conclui o filho.

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