Morgana Montalvão
Desde o mês de fevereiro de 2026, a família da dona de casa Maria do Socorro Conceição Rodrigues, de 60 anos, vive uma rotina de aflição no Hospital Regional de Juazeiro (HRJ), no norte da Bahia.
A mulher, que está internada na unidade com um problema cardíaco grave, aguarda uma cirurgia considerada essencial para a sobrevivência, no entanto, segundo familiares, a regulação para a unidade responsável pelo procedimento em Salvador, tem demorado além do normal.
A cirurgia que pode melhorar a vida da dona de casa, consiste na implantação de uma válvula no coração e deveria ser realizada no Hospital Ana Nery (HAN), localizado no bairro da Caixa D’Água, na capital baiana. O procedimento chegou a ser marcado para o dia 9 de fevereiro, por meio do atendimento ambulatorial da unidade. No entanto, cinco dias antes da data, a paciente sofreu uma arritmia cardíaca e precisou ser internada às pressas no HRJ.

Agora, a família luta para que o Hospital Ana Nery receba Maria do Socorro, através de uma transferência direta em UTI móvel, já que, segundo a equipe médica do Hospital Regional de Juazeiro, a paciente não tem condições de receber alta e esperar a cirurgia em casa.
“Ela já foi colocada seis vezes em tela de regulação e o Ana Nery nega. Temos a ambulância, os exames que indicam a necessidade da cirurgia e a possibilidade de fazer neste momento. Eu fui lá em Salvador na semana passada, tirar minhas dúvidas, saber por que o Ana Nery não aceita a regulação dela e disseram que tem que esperar ela ficar boa, mas não tem como ela ficar boa sem a cirurgia. O médico aqui em Juazeiro já deixou bem claro que não tem como ela ter alta para fazer a cirurgia pelo ambulatório”,explica o filho da paciente, Vagner Rodrigues.
De acordo com Rodrigues, a dona de casa já foi inserida ao menos seis vezes na Central Estadual de Regulação, mas teve todos os pedidos recusados pelo Hospital Ana Nery.Ele relata que chegou a buscar explicações presencialmente na unidade, em Salvador.
“Disseram que ela precisa melhorar para fazer pelo ambulatório. Mas não tem como ela melhorar sem a cirurgia. É um ciclo sem saída”, enfatiza.
Em fevereiro, o Governo do Estado, através da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), entregou uma moderna Unidade de Terapia Intensiva Cardiovascular (UCV) no HAN e autorizou a reforma de 10 leitos de UCV do hospital.
A ação integra R$ 3,7 milhões em investimentos voltados ao fortalecimento da assistência cardiovascular de alta complexidade na rede estadual.
Com sete leitos e investimento de R$ 2,2 milhões, a UTI é especializada em cuidados cardiovasculares foi equipada com equipamentos modernos, como desfibriladores, ventiladores pulmonares de transporte e ventilometria. A unidade dispõe de área de isolamento com antecâmara, posto de enfermagem, farmácia satélite e espaços de apoio, como copa, sala para acompanhantes de UTI pediátrica, quarto de plantão e vestiários.
O Hospital Ana Nery é referência em cardiologia, nefrologia e transplantes no Nordeste, realizando procedimentos de alta complexidade, como cateterismo, angioplastia, arteriografia e arritmologia, além de transplantes de rim e coração. A unidade atende pacientes de toda a Bahia, tendo capacidade de absorver casos que demandam atendimento intensivo e especializado.
Estado da paciente é grave
Enquanto aguarda a transferência, o estado de saúde da paciente preocupa. Durante a internação, ela já sofreu uma parada cardíaca – sendo reanimada – além de desenvolver complicações como disfunção renal, infecção urinária e acúmulo de líquido nos pulmões.
Apesar disso, os médicos do Hospital Regional de Juazeiro consideram que ela está apta para realizar o procedimento, desde que seja transferida com suporte adequado.
“Atualmente, ela está compensada para a cirurgia, mas não pode ter alta. Qualquer deslocamento sem suporte representa risco de morte”, explica o filho.
Segundo a família, o hospital em Juazeiro disponibiliza ambulância com estrutura de UTI móvel para a transferência, mas o entrave estaria na recusa da unidade em Salvador em aceitar o caso nessas condições.
“Hoje ela depende totalmente desse procedimento para sobreviver. Sem a cirurgia, não tem outra alternativa”, afirma.
Diante da situação, os familiares buscaram apoio da Defensoria Pública do Estado, que chegou a solicitar o bloqueio de verba pública para viabilizar a cirurgia na rede privada. Ainda assim, segundo o relato, a solução não avançou.
Sesab se posiciona sobre o caso
A reportagem entrou em contato com a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) para obter um posicionamento sobre o caso da dona de casa Maria do Socorro. A pasta informou por meio de nota que “a paciente está sendo assistida no Hospital Regional de Juazeiro e que há uma solicitação ativa no sistema da Central Estadual de Regulação.”
A secretaria ainda salienta no documento enviado que “os médicos reguladores estão em busca de uma unidade que possa atender a mesma de acordo com o descrito em seu relatório médico”.
Confira a nota completa abaixo:
Enquanto isso, a família segue na espera e na expectativa para a realização da cirurgia. “Cada dia que passa, ela piora um pouco mais. A gente só quer que ela tenha a chance de fazer essa cirurgia”, conclui o filho.

