Da Redação
A Justiça da Bahia recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público da Bahia (MPBA) e tornou réu o policial militar João Marcelo Araújo Hermano, suspeito de matar a esposa, a também policial militar Celeste Martins Oliveira do Nascimento, de 39 anos. O crime ocorreu no dia 3 de julho, dentro do apartamento onde o casal morava, no bairro do Barbalho, em Salvador. A informação é do site g1.
Na mesma decisão, assinada na sexta-feira (17), o juiz da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Salvador manteve a prisão preventiva do acusado. O magistrado apontou que há indícios de tentativa de manipulação de provas após o crime, circunstância que reforçou a necessidade da manutenção da medida cautelar.
Segundo a decisão judicial, a denúncia apresentada pelo Ministério Público atende aos requisitos legais e está respaldada por elementos que demonstram a materialidade do crime e indícios suficientes de autoria, permitindo o prosseguimento da ação penal.
Com o recebimento da denúncia, João Marcelo passa oficialmente à condição de réu e foi citado para apresentar resposta à acusação no prazo de dez dias.
O policial responderá pelos crimes de feminicídio, com a qualificadora de recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima, além de fraude processual.
Ao analisar o pedido do Ministério Público para manutenção da prisão preventiva, o magistrado afirmou que permanecem presentes os fundamentos que justificam a medida. Na decisão, destacou a gravidade da conduta atribuída ao acusado, apontando que ele teria efetuado um disparo de arma de fogo na parte superior da cabeça da companheira.
O juiz também ressaltou haver indícios de que, após o crime, o policial teria alterado a cena para dificultar o trabalho investigativo. Conforme o documento, João Marcelo teria queimado o celular da vítima e colocado o aparelho em um saco plástico com água, numa suposta tentativa de manipular provas.
Diante desses elementos, a Justiça entendeu que permanecem os requisitos para a manutenção da prisão preventiva, com o objetivo de garantir a ordem pública e assegurar o andamento da investigação.
Relembre o caso
A cabo da Polícia Militar Celeste Martins Oliveira do Nascimento foi morta a tiros no dia 3 de julho, dentro do apartamento onde vivia com o marido, no bairro do Barbalho, em Salvador.
Segundo apuração da TV Bahia, a policial foi atingida por um disparo na nuca enquanto estava sentada no sofá da residência. Ela foi sepultada no dia seguinte, no Cemitério Bosque da Paz.
O principal suspeito é o marido da vítima, o também cabo da Polícia Militar João Marcelo Araújo Hermano, que se apresentou espontaneamente ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), acompanhado de advogado. Após audiência de custódia realizada em 5 de julho, a prisão em flagrante foi convertida em prisão preventiva.
O caso é investigado pela 3ª Delegacia de Homicídios (DH/BTS) como feminicídio e segue sob segredo de Justiça.
Durante o sepultamento, familiares afirmaram ter sido surpreendidos pelo crime e disseram desconhecer qualquer histórico de conflitos entre o casal, que estava casado havia dois anos e não tinha filhos.
À época, a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) informou que todas as medidas necessárias para esclarecer o caso e responsabilizar o autor estavam sendo adotadas. Já a Polícia Militar da Bahia (PMBA) lamentou a morte da policial e informou que acompanha o caso, adotando as medidas administrativas cabíveis, sem prejuízo das investigações conduzidas pela Polícia Civil.

