Salvador conta atualmente com 608 áreas protegidas por obras de contenções de encostas definitivas ou pela instalação de geomantas. Outras 32 intervenções estão em fase final de execução e elevarão esse número para 640 áreas protegidas.
Os investimentos realizados pela Prefeitura têm como objetivo reduzir os riscos de deslizamentos de terra em uma cidade marcada pelo relevo acidentado, alta densidade populacional e pelo período de chuvas mais intensas, especialmente entre abril e julho.
Dados da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras Públicas (Seinfra) mostram que, desde 2015, foram construídas 280 contenções de encostas, com investimento de R$ 296 milhões. As 32 obras atualmente em andamento somam mais R$ 97 milhões, fazendo com que os recursos destinados à proteção de encostas se aproximem de R$ 400 milhões. No mesmo período, também foram instaladas 328 geomantas para ampliar a segurança de milhares de famílias que vivem em áreas de risco geológico.
Segundo a Defesa Civil de Salvador (Codesal), a definição das áreas que recebem as intervenções segue critérios técnicos. O diretor-geral do órgão, Adriano Silveira, explica que a seleção considera tanto os chamados registrados pela população por meio do telefone 199 quanto o monitoramento permanente realizado pelas equipes técnicas.
“Salvador possui uma das geografias mais acidentadas do país, com inúmeras comunidades localizadas próximas a encostas, taludes e vales. Por isso, os investimentos em obras de contenção e proteção de encostas são fundamentais para reduzir riscos, prevenir desastres e preservar vidas”, afirma o diretor.
Foto: Valter Pontes / Secom PMS
Áreas de maior risco
Entre os locais acompanhados pela Codesal está a poligonal do Calafate, na Fazenda Grande do Retiro, classificada como área de risco Muito Alto para deslizamentos de terra e rochas.
As análises técnicas apontaram fatores como taludes com inclinação entre 45° e 90°, presença de vegetação inadequada, descarte irregular de lixo e entulho e lançamento de águas servidas, incluindo esgoto, que comprometem a estabilidade do solo durante períodos de chuvas intensas.
Com base nesse diagnóstico, a Prefeitura mantém ações preventivas na região, incluindo monitoramento permanente, vistorias técnicas, instalação de lonas plásticas em trechos vulneráveis e manutenção da rede de drenagem. O acompanhamento também contempla áreas próximas, como Delfim, João Alberto e Bom Juá.
Investimentos refletem na prevenção
Os investimentos em prevenção também aparecem nos indicadores da cidade. Entre 2020 e 2025, Salvador não registrou mortes provocadas por deslizamentos de terra ou outros eventos diretamente relacionados às chuvas.
Uma das comunidades beneficiadas é o Mamede, no Alto da Terezinha. No último dia 21 de julho, a Prefeitura entregou 12 obras de contenção de encostas na localidade, com investimento aproximado de R$ 5,8 milhões.
As intervenções ocuparam uma área de 1.152 metros quadrados e utilizaram diferentes técnicas de engenharia, entre elas cortinas atirantadas, solo grampeado, muros de contenção, alvenaria de pedra e hidrossemeadura, método que combina concreto, aço e vegetação para reforçar a estabilidade do terreno e contribuir para a recuperação paisagística.
Além das contenções, foram construídas 32 escadarias drenantes, muretas, guarda-corpos e 1.187 metros de pavimentação, melhorando a mobilidade dos moradores e facilitando o escoamento das águas da chuva.
“Sabemos que, quando chega o período chuvoso, vem também a angústia de quem convive diariamente com o risco de deslizamentos. Hoje entregamos em nossa cidade mais do que contenções: entregamos segurança e dignidade para essas famílias”, afirma o secretário municipal de Infraestrutura e Obras Públicas, Júlio Santos.
Monitoramento permanente
As obras fazem parte de uma estratégia mais ampla de prevenção desenvolvida pelo município, que inclui monitoramento meteorológico em tempo real, inspeções técnicas, instalação de sirenes, protocolos de evacuação e ações emergenciais em comunidades vulneráveis.
Coordenado pelo Centro de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil de Salvador (Cemadec), o sistema reúne 114 estações de monitoramento, entre pluviômetros e equipamentos geotécnicos, além de 14 sirenes instaladas em áreas de risco.
Sempre que há previsão de chuvas moderadas ou fortes, ocorrência de deslizamentos e acumulado superior a 150 milímetros em 72 horas, as sirenes podem ser acionadas para orientar a retirada preventiva dos moradores.
Antes disso, quando o volume de chuva atinge 80 milímetros em 72 horas, engenheiros realizam vistorias previstas no Plano Preventivo de Defesa Civil (PPDC), identificando sinais de instabilidade e adotando medidas preventivas.
“Mais do que intervenções de engenharia, essas obras representam um compromisso permanente com a segurança da população. Elas fortalecem a resiliência de Salvador diante dos eventos climáticos e proporcionam mais dignidade, tranquilidade e qualidade de vida às famílias que vivem em áreas de maior vulnerabilidade”, concluiu o diretor da Codesal.