Da Redação
O vereador Hamilton Assis (PSOL) voltou a cobrar medidas urgentes da Prefeitura de Salvador para reforçar a segurança nas escolas municipais após novo furto na Escola Municipal Dona Arlete Magalhães, em Castelo Branco. Criminosos invadiram a unidade, arrombaram portas e roubaram sete computadores, 25 tablets, dois notebooks, um datashow e uma caixa de som, ocasionando a suspensão das aulas.
Para o parlamentar, o episódio comprova a incapacidade da gestão do prefeito Bruno Reis (União Brasil) em garantir a segurança mínima do patrimônio público. “A Prefeitura fez uma escolha política ao priorizar investimentos em mecanismos de controle dos estudantes, enquanto deixa as unidades escolares vulneráveis à ação de criminosos”, avalia Hamilton.
Problemas Recorrentes
Hamilton Assis ressaltou que o problema não é isolado. Segundo ele, a Escola Municipal Roberto Correia, em Pau da Lima, já foi alvo de diversos arrombamentos e sofreu seu quinto ataque criminoso, com furto de merenda, aparelhos de ar-condicionado e outros equipamentos. O episódio resultou na suspensão das aulas para 854 estudantes e motivou um protesto de mães em frente à unidade.
“Recebi de um pai a denúncia do arrombamento da Escola Roberto Correia e não podemos tratar como um caso isolado. Em diversas unidades que visito, a insegurança se repete por falta de ações da Prefeitura. As escolas estão abandonadas e quem paga essa conta são as crianças, que ficam sem aula enquanto o patrimônio público é saqueado”, afirmou o vereador.
Crítica às Catracas com Reconhecimento Facial
Os novos furtos intensificam as críticas de Hamilton aos investimentos em catracas com reconhecimento facial nas escolas. “É um escândalo que a Prefeitura encontre milhões para instalar catracas com reconhecimento facial, mas não consiga garantir vigilância para impedir que criminosos levem computadores, tablets e até a merenda das crianças. Prefere controlar quem entra na escola, mas não impede que ladrões saiam com o patrimônio público”, criticou.
O vereador questionou a falta de transparência sobre os gastos com o projeto. “Quanto será gasto? Quem ganha com esse contrato? Por que esse dinheiro não foi investido em vigilância, iluminação e proteção das escolas? Antes de instalar catracas, Bruno Reis deveria impedir que criminosos continuem entrando nas escolas como se não houvesse Estado”, questionou Hamilton.
Questão Racial e Estrutural
Professor licenciado da rede municipal e coordenador pedagógico, Hamilton também criticou o que classifica como uma política de vigilância direcionada às escolas da periferia. “Salvador é uma cidade majoritariamente negra. Enquanto faltam climatização, professores, profissionais de apoio, materiais, bibliotecas, quadras e segurança, sobra dinheiro para vigiar estudantes. Essas escolhas reproduzem o racismo estrutural e institucional, porque basta perguntar: quais são as crianças que estudam nessas escolas?”, questiona o parlamentar.
Plano de Segurança Permanente
Hamilton Assis informou que continuará fiscalizando a situação das unidades da rede municipal e cobrando da Prefeitura um plano permanente de segurança escolar. “A solução passa por vigilância patrimonial, monitoramento eficiente, iluminação no entorno das escolas e reposição imediata dos equipamentos furtados”, detalhou.
Para o vereador, os casos recentes demonstram que a gestão municipal prefere investir em mecanismos de controle dos estudantes do que assegurar o funcionamento adequado das escolas e proteger o patrimônio construído com recursos públicos.

