Da Redação
Os professores da rede particular de ensino da Bahia aprovaram, nesta terça-feira (9), o estado de greve durante assembleia realizada na sede do Sindicato dos Professores no Estado da Bahia (Sinpro-BA), em Salvador. A decisão ocorre em meio à campanha salarial da categoria e após a paralisação das atividades promovida pelos profissionais ao longo do dia.
Convocada pelo Sinpro-BA, a assembleia discutiu a valorização do piso da carreira, as condições de trabalho dos docentes e os rumos das negociações com o sindicato patronal, responsável por representar os estabelecimentos privados de ensino.
De acordo com informações obtidas junto a representantes da categoria, uma nova assembleia foi convocada para o próximo dia 17 de junho. Na ocasião, os professores deverão avaliar a possibilidade de deflagração de uma greve por tempo indeterminado caso não haja avanços nas negociações.
Categoria cobra valorização profissional
O presidente do Sinpro-BA, Allysson Mustafa, afirmou que a paralisação foi motivada pela falta de consenso na Campanha Salarial entre os professores e o sindicato patronal.
Segundo o dirigente sindical, a categoria enfrenta sobrecarga de trabalho e realiza diversas atividades sem a devida remuneração.
“Temos trabalhado exaustivamente e boa parte desse trabalho é realizada sem recebimento. Estamos lutando por mais valorização e melhores condições para os professores”, afirmou.
O sindicato destaca que os docentes buscam melhorias nas condições de trabalho, valorização salarial e ampliação de direitos já conquistados pela categoria.
Além da ausência de avanços nas negociações, os professores demonstram preocupação com propostas apresentadas pelo setor patronal. Conforme relatou Allysson Mustafa, existe a possibilidade de redução de benefícios atualmente garantidos aos trabalhadores.
Entre os pontos citados estão mudanças relacionadas ao período de recesso e às bolsas de estudo destinadas aos filhos dos professores.
Reivindicações apresentadas pelo Sinpro-BA
Em nota, o Sinpro-BA informou que, durante a rodada de negociação realizada em 27 de maio, os representantes das escolas particulares rejeitaram as propostas apresentadas pelo sindicato.
Entre as reivindicações negadas estão o reajuste salarial, a valorização do piso da categoria, a ampliação do período de recesso e a regulamentação das atividades e avaliações exigidas pelas instituições de ensino, com remuneração específica para essas tarefas.
A entidade também critica o que considera excesso de trabalho não remunerado, incluindo atividades administrativas, elaboração de conteúdos, correção de provas e outras demandas realizadas fora da jornada regular.
Como deve funcionar a paralisação
Em entrevista concedida na segunda-feira (8), Allysson Mustafa explicou que a paralisação desta terça-feira prevê a suspensão total das atividades dos professores, cabendo a cada instituição de ensino definir como conduzirá o funcionamento interno e a comunicação com as famílias.
“A paralisação é a suspensão das atividades. Se as escolas vão abrir ou se vão dizer à família que está tudo normal é um problema dessas instituições. Mas a paralisação é uma suspensão de atividades, assim como a greve. Essa paralisação vai ocorrer somente dia 9. Dia 10 a gente está no colégio novamente. Mas se lá na frente a categoria entender que deve haver greve, as atividades estarão suspensas por tempo indeterminado”, apontou.
O presidente do sindicato também afirmou que, caso a greve seja aprovada futuramente, a paralisação ocorrerá de forma integral.
“Se houver greve é paralisação total, não terá nenhuma porcentagem de professor trabalhando”, afirmou.
Ele também voltou a criticar a postura do setor patronal durante as negociações.
“A paralisação foi uma decisão da assembleia ocorrida na última segunda-feira, por conta do não avanço nas negociações dos patrões. Além de não aceitar nenhuma das propostas que a gente está fazendo, eles ainda estão fazendo uma contraproposta que busca reduzir direitos que nós já temos, como, por exemplo, o direito à bolsa de estudos para filhos de professor na escola, que eles querem reduzir”, completou.
Sindicato patronal defende continuidade das negociações
Em nota, o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Bahia (Sinepe-BA) informou que as negociações da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2026-2028 continuam em andamento.
Segundo a entidade, já foram realizadas cinco rodadas de negociação desde o final de abril, e uma nova reunião entre as partes está marcada para o próximo dia 15 de junho.
O sindicato patronal informou ainda que apresentou propostas relacionadas à bolsa de estudos, ao recesso escolar e à manutenção das cláusulas sociais e operacionais da convenção anterior.
A entidade destacou que permanece aberta ao diálogo para buscar um acordo que contemple a valorização dos professores e a sustentabilidade financeira das instituições de ensino.
