quinta-feira, 25 junho, 2026

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Queimaduras aumentam no São João; veja como prevenir e tratar

Da Redação

Fogueiras, fogos de artifício, panelas quentes e líquidos ferventes fazem parte da tradição dos festejos juninos, mas também estão entre os principais responsáveis por acidentes com queimaduras durante o período. Especialistas alertam que a prevenção é fundamental e que, em caso de acidente, os primeiros cuidados podem fazer diferença na recuperação da vítima.

Segundo a dermatologista Dra. Maura Simonetti Bourroul, do Grupo Fleury, responsável pela Diagnoson a+ na Bahia, as queimaduras mais comuns durante o São João são as térmicas, provocadas pelo contato com fogo, brasas, objetos aquecidos ou líquidos ferventes. Também podem ocorrer queimaduras químicas causadas pela pólvora dos fogos de artifício, além de cortes e traumas oculares relacionados às celebrações.

A médica explica que as queimaduras leves costumam apresentar vermelhidão, ardor e dor localizada, sem bolhas extensas e atingindo áreas pequenas do corpo. Já os casos mais graves exigem atendimento médico imediato.

Entre os sinais de alerta estão bolhas grandes ou numerosas, pele esbranquiçada, acinzentada, escurecida ou endurecida, dor intensa ou ausência de dor em áreas profundas, além de queimaduras que atinjam face, mãos, pés, genitais ou articulações. Também requerem atendimento urgente queimaduras elétricas, provocadas por explosões ou acompanhadas de dificuldade respiratória.

Primeiros cuidados

De acordo com a especialista, a primeira medida é afastar a vítima da fonte de calor e interromper o contato com o agente causador da queimadura.

“A primeira conduta é interromper a fonte de calor e afastar a pessoa do risco. Em seguida, resfriar a área com água corrente fresca, mas não gelada, por cerca de 20 minutos para ajudar a reduzir a temperatura da pele, aliviar a dor e limitar a progressão da lesão”, orienta a médica.

Ela recomenda ainda retirar anéis, pulseiras, relógios e roupas apertadas próximas à área atingida antes do surgimento de inchaço. No entanto, se a roupa estiver aderida à pele, a remoção não deve ser feita à força.

Outro alerta importante é evitar receitas caseiras frequentemente associadas ao tratamento de queimaduras.

“É preciso evitar o uso de itens como pasta de dente, manteiga, pó de café, clara de ovo, pomadas sem indicação e outras receitas caseiras, pois elas podem contaminar a ferida e aumentar risco de infecção, além de irritar ainda mais a pele lesionada, dificultar a avaliação médica da profundidade da queimadura, atrasar a cicatrização e aumentar risco de manchas e cicatrizes. O correto é usar apenas água corrente inicialmente e buscar orientação adequada”, destaca a especialista.

Atenção redobrada com crianças

Nas crianças, os cuidados devem ser ainda maiores. Isso porque a pele infantil é mais fina e a perda de líquidos pode ocorrer de forma mais rápida, aumentando os riscos de complicações.

A orientação inicial permanece a mesma: afastar a criança da fonte de calor, resfriar a região afetada com água corrente fresca por aproximadamente 20 minutos, cobrir a área com pano limpo e procurar atendimento médico o mais rápido possível.

Também é importante observar sinais como dor intensa, sonolência e formação de bolhas, especialmente quando as queimaduras atingem regiões como rosto, mãos, pés ou tronco.

Segundo a dermatologista, as bolhas não devem ser rompidas em casa.

“Elas funcionam como uma proteção biológica natural, ajudando a reduzir contaminação externa e favorecendo a cicatrização do tecido por baixo. Quando necessário, o manejo deve ser feito por profissional de saúde, com técnica adequada e avaliação do tipo de queimadura”, explica.

Cuidados após a queimadura

Após o tratamento inicial, a pele lesionada exige atenção especial. A exposição ao sol pode favorecer o surgimento de manchas permanentes e alterações na pigmentação da área atingida.

Entre as recomendações estão evitar a exposição direta ao sol, utilizar roupas que cubram a região afetada e aplicar protetor solar de amplo espectro com FPS 30 ou superior, desde que a pele já esteja totalmente cicatrizada.

A hidratação adequada da pele e o acompanhamento médico também são considerados fundamentais para uma recuperação segura e para a redução do risco de cicatrizes.

Com o aumento do uso de fogueiras e fogos de artifício durante o período junino, especialistas reforçam que a prevenção continua sendo a principal forma de evitar acidentes e garantir festas mais seguras para crianças e adultos.

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