Da Redação
A vereadora Eliete Paraguassu (PSOL) participou, neste domingo (26), do encerramento da 10ª edição do Encontro Internacional de Mulheres Negras Urbanas e Quilombolas (EIMNUQ), realizado em Salvador. O evento reuniu lideranças comunitárias, pesquisadoras, ativistas e representantes de organizações do Brasil e de países africanos para celebrar uma década de articulação política, fortalecimento de redes e construção de estratégias em defesa dos direitos das mulheres negras.
Durante sua participação, a parlamentar abordou o conceito de Bem Viver, relacionando-o à proteção dos territórios tradicionais, da ancestralidade, das águas e à ampliação da presença de mulheres negras nos espaços de decisão.
“Nós éramos rainhas em nossos territórios, e roubaram esse poder de nós. Quando eu digo que a gente precisa ocupar os espaços de poder, é exatamente porque precisamos recuperar aquilo que nos foi tirado”, afirmou.
Racismo ambiental e defesa da Ilha de Maré
Ao tratar das desigualdades enfrentadas pelas comunidades tradicionais, Eliete destacou a realidade da Ilha de Maré, em Salvador, onde vivem comunidades afetadas pela presença de grandes empreendimentos industriais, pela poluição e, segundo ela, pelo racismo ambiental.
“Sofremos com as diversas faces do racismo, entre elas o racismo ambiental, que continua negando direitos básicos às nossas comunidades. Não podemos mais aceitar isso”, ressaltou.
A vereadora também relembrou sua trajetória como mulher quilombola, marisqueira e pescadora da Ilha de Maré antes de assumir o mandato na Câmara Municipal de Salvador. Segundo ela, a experiência de conciliar o trabalho nas marés com os cuidados da família e da comunidade reforça a necessidade de políticas públicas voltadas às mulheres trabalhadoras e às populações tradicionais.
Representatividade na política
Durante o encontro, Eliete defendeu o fortalecimento da representatividade de mulheres negras na política como instrumento para ampliar a participação nas decisões públicas.
“Precisamos conhecer quem são as pessoas que elegemos. Não basta ocuparmos a base da luta; precisamos ter voz onde as decisões são tomadas”, refletiu.
Ao concluir a participação, a parlamentar voltou a defender a proteção dos territórios tradicionais e o protagonismo das mulheres negras.
“O Bem Viver só será realmente possível quando os nossos territórios forem respeitados, quando as nossas águas estiverem protegidas e quando as mulheres negras deixarem de estar apenas na resistência para também ocupar os espaços de poder”, concluiu.
Evento reuniu lideranças do Brasil e da África
O Encontro Internacional de Mulheres Negras Urbanas e Quilombolas completou dez edições reunindo lideranças comunitárias, pesquisadoras, ativistas e representantes de organizações brasileiras e de países africanos. A programação foi voltada ao fortalecimento das redes de atuação e ao debate sobre direitos, igualdade racial e justiça socioambiental.

