Da Redação
A Prefeitura de Salvador lançou, nesta segunda-feira (4), a campanha Maio Laranja, iniciativa nacional de combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes, e anunciou um edital de R$ 12 milhões para apoiar organizações sociais que atuam na área. O evento ocorreu no Shopping da Bahia e também marcou o início da segunda etapa da campanha Imposto do Bem, em parceria com o Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA).
Neste primeiro momento, nove instituições assinaram termos de fomento com a Prefeitura e irão receber cerca de R$ 2,5 milhões. Ao todo, o edital prevê a destinação de R$ 12 milhões para projetos voltados ao público infantojuvenil na capital baiana.
Entre as entidades beneficiadas estão a Liga Bahiana Contra o Câncer (Hospital Aristides Maltez), a Sociedade Recreativa Cultural Desportiva Integral Comunitária de Itacaranha, o Instituto Social Viva Arenoso, o Grupo Cultural e Junino Forró do ABC, o Centro de Logopedia e Psicomotricidade da Bahia (CLPB), o Instituto Angel, a Associação de Moradores do Conjunto Santa Luzia, a Associação Cultural Somos Crianças e a Humana Povo para Povo Brasil.
“Vamos aproveitar que estamos fazendo o lançamento do Maio Laranja para, mais uma vez, conclamar a sociedade baiana, pois até o dia 29 de maio é o prazo para declarar o Imposto de Renda. Quem for declarar não pagará um real a mais, não tem um custo sequer. É do valor que é devido. Os recursos são destinados a essas instituições que realizam um trabalho magnífico com milhares de crianças e adolescentes. Um trabalho que dá a capacidade de mudar o presente e o futuro desta garotada. Uma pessoa jurídica pode destinar 1% do imposto devido, e a pessoa física até 3%”, explicou o prefeito Bruno Reis (União Brasil).

Os recursos são direcionados ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e dos Adolescentes, gerido pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), responsável por definir os critérios de aplicação.
Imposto do Bem e projetos sociais
O presidente do TJBA, desembargador José Rotondano, destacou a importância da parceria institucional. “Demonstra que o Poder Executivo e o Judiciário estão engajados em busca de soluções para amenizar o sofrimento dessas crianças e adolescentes institucionalizados. E, mais do que isso, é cuidar, é zelar pelo investimento em prol da educação, que é a base, e de tantas outras ações positivas que nós podemos fazer. Tenho certeza de que essas instituições beneficiadas com esses recursos terão melhores condições de atuarem na cidade”, afirmou.
A secretária de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ), Fernanda Lordêlo, explicou que as organizações podem submeter projetos ao CMDCA. “São organizações que trabalham, por exemplo, com medidas socioeducativas, com atendimento à primeira infância ou crianças com deficiência. Há uma comissão dentro do CMDCA que é paritária, que vota por esses projetos. Com isso, as organizações podem receber do edital até R$ 300 mil em um projeto, para executá-lo em até um ano”, disse.
Mobilização e ações
A campanha deste ano amplia o foco para o enfrentamento de crimes sexuais virtuais, especialmente em ambientes digitais como jogos online e redes sociais. Dados da SaferNet Brasil indicam que mais de 60% dos crimes denunciados na internet no país envolvem abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes. Em 2025, foram mais de 63 mil denúncias desse tipo.
A programação inclui ações educativas, mobilizações em estádios em parceria com os clubes Bahia e Vitória, atividades em escolas e festivais esportivos. Os atletas Éverton Ribeiro e Matheuzinho atuarão como padrinhos da campanha.
“É inaceitável que a gente ainda tenha números tão elevados de abuso e de violência contra as crianças e adolescentes. Já realizamos esse trabalho de enfrentamento durante os 365 dias do ano, mas, agora, no mês de maio, chamamos ainda mais a atenção da sociedade”, afirmou o prefeito.
A vice-prefeita Ana Paula Matos ressaltou a importância do trabalho contínuo. “Mais uma vez, estamos lançando a nossa programação do Maio Laranja, um trabalho coletivo de toda a sociedade no combate efetivo a toda e qualquer forma de exploração sexual contra crianças e adolescentes. É um trabalho que tem que ser feito todos os dias. O olhar tem que ser absolutamente atento. Mas, para isso, a gente tem que ter políticas públicas e tem que ter ações efetivas por toda a sociedade civil”, declarou.
