Da Redação
O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi preso na sexta-feira (6), poucas horas depois de ter seu impeachment aprovado por unanimidade pelo Senado do país. A ordem de detenção foi expedida pelo Ministério Público em meio à crise política e financeira provocada pelo colapso do Ueno Bank, instituição digital que deixou milhões de clientes sem acesso aos próprios recursos. A informação é da Folha de São Paulo.
Peña foi colocado em prisão domiciliar em sua residência, em Assunção, capital paraguaia, e intimado a comparecer à Procuradoria às 11h deste sábado (7). O ex-presidente é investigado por suspeitas de irregularidades relacionadas à instituição financeira. O ex-presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, também teve a prisão determinada.
A presença de policiais em frente à residência de Peña provocou manifestações e confrontos entre agentes de segurança e manifestantes. Segundo informações da imprensa local, a movimentação policial ocorreu em meio à insatisfação popular com a crise financeira e a destituição do então presidente.
Senado aprova impeachment por unanimidade
O Senado paraguaio aprovou por unanimidade o impeachment de Santiago Peña na sexta-feira (6), encerrando o mandato do político do Partido Colorado, que havia assumido a Presidência em agosto de 2023 e deveria permanecer no cargo até 2028.
Com a decisão, Peña se tornou o terceiro presidente paraguaio a deixar o poder antes do fim do mandato desde o encerramento da ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989).
O processo foi marcado por embates políticos e protestos em frente ao Congresso. Peña não compareceu pessoalmente à sessão e foi representado por seus advogados.
A crise também atingiu o vice-presidente Pedro Alliana, que teve um pedido de impeachment rejeitado pelo Congresso na quinta-feira (5). Após a destituição de Peña, Alliana tomou posse como presidente ainda na noite de sexta-feira.
Em seu primeiro pronunciamento, o novo chefe do Executivo prometeu compensar os cidadãos prejudicados pelo colapso financeiro e anunciou a intenção de encaminhar um projeto de lei para racionalizar os recursos públicos.
“O que venho prometer é concreto: os compatriotas que hoje atravessam um momento difícil em consequência de um descalabro financeiro, serão compensados plenamente”, afirmou Alliana em discurso no Congresso.
Manifestantes, entretanto, protestaram contra a posse do novo presidente, alegando que ele também teria envolvimento no escândalo financeiro.
Crise do Ueno Bank provocou queda do presidente
A saída de Santiago Peña está diretamente relacionada ao escândalo envolvendo o Ueno Bank, considerado um dos principais bancos digitais do Paraguai. A instituição tinha aproximadamente 2,9 milhões de clientes em um país com cerca de 7 milhões de habitantes.
O colapso financeiro provocou o congelamento dos depósitos e impediu que milhões de correntistas acessassem seus recursos, desencadeando uma onda de protestos e pressão sobre o governo.
A investigação também alcançou Peña por sua antiga relação empresarial com a holding ligada ao banco. Em 2023, quando assumiu a Presidência, ele nomeou Carlos Carvallo, então presidente-executivo da companhia, para comandar o Banco Central paraguaio.
Carvallo renunciou ao cargo nesta semana e também passou a ser alvo de uma ordem de prisão. As investigações apuram possíveis irregularidades financeiras e a atuação de autoridades públicas na fiscalização da instituição.
Com a destituição, Peña perdeu a imunidade associada ao exercício da Presidência e poderá responder criminalmente pelas suspeitas investigadas pelo Ministério Público.
Partido Colorado mantém hegemonia política
A queda de Peña representa mais um episódio de instabilidade na política paraguaia. O Partido Colorado governa o país há quase 70 anos, desde 1947, com exceção do período em que Fernando Lugo, ex-bispo de esquerda, ocupou a Presidência.
Lugo também deixou o cargo após um processo de impeachment, em 2012. Com a posse de Pedro Alliana, o partido permanece no comando do Executivo paraguaio, apesar da crise provocada pelo escândalo financeiro.

